Em prol de trans e travestis, Festival MARSHA! traz arte durante a pandemia

Giorgia Cavicchioli
·3 minuto de leitura
Marsha P. Johnson é uma das principais figuras do movimento trans e travesti no mundo. Foto: Reprodução
Marsha P. Johnson é uma das principais figuras do movimento trans e travesti no mundo. Foto: Reprodução

A pandemia de coronavírus escancarou desigualdades sociais no Brasil e mostrou como as minorias em direitos foram as mais afetadas pela doença. Pensando nisso, a produtora cultural Ana Giselle, idealizadora do coletivo MARSHA!, teve a ideia de realizar festivais e atividades on-line para arrecadar fundos emergenciais em prol da população LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade.

A recifense chegou em São Paulo em 2017 e um ano depois foi convidada a fazer uma festa com o foco em pessoas trans e travestis. “Como boa ariana que sou, aceitei o desafio e o primeiro nome que me veio foi a Marsha [P. Johnson], por ser o resgate da ancestralidade travesti, tendo ela sido uma das grandes originárias do movimento”, explica.

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Porém, no contexto de pandemia, o coletivo precisou dar um passo além. Sendo assim, ela e outras 15 pessoas trans e travestis criaram o Festival Marsha. “A ideia parte de uma necessidade e de uma urgência de sobrevivência tendo em vista que a população trans é a que mais está à margem da sociedade no mundo, mas, sobretudo, aqui no Brasil, que é o país que mais mata pessoas trans no mundo”, diz.

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A produtora cultural Ana Giselle é idealizadora do projeto. Foto: Divulgação
A produtora cultural Ana Giselle é idealizadora do projeto. Foto: Divulgação

“A gente já vive uma situação de pandemia muito antes dessa. É uma pandemia histórica mesmo. E, naturalmente, a partir da Covid-19, as coisas se exacerbaram. Muitas de nós estavam sem ter o que comer e sendo despejadas das suas moradias”, afirma Ana dizendo que, tendo consciência disso, decidiu chamar outras amigas para fazer parte da iniciativa.

Primeiro, ela diz que a ideia era fazer um financiamento coletivo. No entanto, ela diz que isso seria muito pouco, tendo em vista o fato de que as pessoas trans e travestis são diversas entre si. “Somos tão plurais e talentosas. Nós proporcionamos um palco onde, além de conseguir mostrar nosso talento, também podemos garantir um fundo emergencial e levantar essa campanha para as nossas”, diz.

De acordo com a idealizadora, logo na primeira campanha, o projeto reuniu mais de R$ 40 mil, dinheiro que foi usado para distribuir cestas básicas e remunerar as pessoas envolvidas na iniciativa. Até o momento, foram feitos quatro festivais durante os quase cinco meses de quarentena. “Tem sido uma experiência gratificante de vida e de restituição de nossas humanidades”, diz.

Nesta quinta-feira (23), o coletivo vai fazer uma ocupação nas redes do cantor Criolo. De acordo com a idealizadora, parcerias como essa são fundamentais. “Tem algumas pessoas que não fazem parte da comunidade, mas que são essenciais. É uma luta por equidade, por direitos básicos para todos, por qualidade de vida. Os aliados e alianças têm sido essencial. É um movimento sobre vida”, explica.

Até o momento, o festival já contou com a presença de mais de 120 artistas e continua se articulando para promover mais ações. Uma das iniciativas mais marcantes até o momento, segundo a idealizadora, foi a parceria com o Centro Cultural de São Paulo, que possibilitou a primeira exposição do Brasil completamente composta e curada por pessoas trans.

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