Em Porto Alegre, bolsonarismo e comunismo pautam debate de Sebastião Melo e Manuela D'Ávila

PAULA SPERB
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PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - O debate dos candidatos à Prefeitura de Porto Alegre nesta sexta-feira (27) foi marcado por confrontos entre Sebastião Melo (MDB) e Manuela D'Ávila (PCdoB). Os dois candidatos trocaram provocações em tom ideológico. Manuela disse que Melo estava "abraçado à direita de Bolsonaro" --o emedebista acenou aos simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a campanha, se disse contra a vacina obrigatória e incluiu as escolas cívico-militares no seu programa de governo. Manuela questionou por que Melo mudou de opinião sobre a manutenção da Carris, a empresa de transporte municipal, como pública. "O mundo mudou, eu também mudei", disse Melo. Já Melo disse que a candidata do PC do B só olhava para o passado, sendo stalinista, "dos anos 1950", de uma "ideologia que não deu certo em nenhum lugar do mundo". "Fico feliz que tu tragas o bicho-papão do comunismo", respondeu Manuela. A candidata, então, citou Flávio Dino (PC do B), governador do Maranhão. "Lá, as escolas eram de barro", disse ela, acrescentando que Dino foi o "único governador que superou Leonel Brizola na construção de escolas". Manuela disse ainda que no Maranhão abrir um negócio leva apenas seis horas. A candidata afirmou que a modernização do Maranhão "foi difícil" depois das sucessivas gestões de José Sarney (MDB), do mesmo partido de Melo, ressaltou. "Não caia no papo do carro de som que passa na tua rua", finalizou a candidata do PC do B, em um dos momentos mais tensos do debate. Melo respondeu à provocação dizendo que "Sarney é amigão do Lula". O candidato falou ainda que "Ideologia não tapa buraco", em referência aos problemas da cidade. O debate começou com Melo questionando a adversária sobre por que ela é contra a privatização do DMAE, a empresa pública de água e esgoto. "Em primeiro lugar, porque o DMAE é superavitário. E, em segundo lugar, porque as experiências nos mostram que a água fica mais cara [quando é privatizada]", respondeu Manuela, citando o exemplo de Uruguaiana, cidade gaúcha na fronteira com a Argentina. Na réplica, Melo afirmou que "o Brasil, quebrado como está, tem que fazer muita parceria". Manuela lembrou que Melo foi vice-prefeito de Porto Alegre e, portanto, responsável por obras atrasadas e problemas da cidade. Melo adotou estratégia semelhante, porém lembrando das gestões federais petistas, que, segundo ele, foram responsáveis por quebrar o país. "De obras inacabadas, seu partido pode dar curso no mundo. Assim como o metrô de Porto Alegre, que a Dilma não fez, mas colocou dinheiro em Caracas, na Venezuela", afirmou o emedebista. "Primeiro quero dizer que o metrô de Caracas foi construído com o dinheiro do Fernando Henrique. Mas não sei se o senhor apoiava ele ou não, porque o senhor muda de ideia no meio do caminho", respondeu Manuela." A pesquisa Ibope da última terça-feira (24), mostrava Sebastião Melo com 54% dos votos válidos (excluindo brancos, nulos e indecisos), contra 46% de Manuela. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. Nos votos totais, o emedebista tinha 49%, e a candidata do PC do B, 42%. Brancos e nulos eram 5%; não souberam ou não responderam, 4%. Foram ouvidos 805 eleitores entre os dias 22 e 24 de novembro. O levantamento, contratatado pela RBS TV, está registrado no TRE com o número RS-03118/2020. No primeiro turno, Manuela vinha sendo apontada como favorita nas pesquisas. Porém, ela terminou como segunda colocada. Melo fez 31% dos votos (200.280) e Manuela 29% (187.262).