Em meio a rumores sobre demissão, Mandetta diz: 'Médico não abandona paciente'

Leandro Prazeres, Renata Mariz, André de Souza e Daniel Gullino
O presidente Jair Bolsonaro ao lado do ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta em coletiva no Planalto

Um dia após críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro terem aumentado os rumores sobre sua eventual saída do Ministério da Saúde, o ministro Henrique Mandetta disse nesta sexta-feira que, no momento, não tem a intenção de deixar o cargo.

- Eu tenho uma coisa na minha vida que aprendi com meus mestre: médico não abandona paciente - disse Mandetta.

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A declaração foi dada durante entrevista coletiva na qual o ministério divulgou o balanço de casos confirmados e mortes causadas pelo novo coronavírus.

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Na quinta-feira, durante entrevista à rádio Jovem Pan, o presidente Jair Bolsonaro criticou abertamente a conduta de Mandetta na condução da crise causada pela Covid-19. Bolsonaro afirmou que Mandetta precisaria ser mais "humilde" e ouvi-lo mais. Questionado sobre a permanência do ministro em sua equipe, Bolsonaro afirmou que nenhum ministro é "indemissível".

Nas últimas semanas, Mandetta e Bolsonaro têm discordado publicamente por conta do apoio do ministro às medidas de restrição de movimento e distanciamento social impostas por governos estaduais. Bolsonaro é contra essas medidas sob a alegação de que elas afetariam a economia e causariam perdas de empregos.

Mandetta tentou minimizar os efeitos das crítica feitas por Bolsonaro.

- Isso (medidas de distanciamento social) é um tratamento mais lento e tem reflexos na economia. Isso é um efeito colateral desse tratamento. Principalmente do brasileiro mais carente. Acho que é em nome deles que o presidente se movimenta - afirmou Mandetta.

O ministro disse também que as críticas feitas a ele em relação à condução da crise da Covid-19 não o incomodam.

- Isso é natural e o paciente, agora, é o paciente Brasil. E é normal que muitas pessoas que estão em torno, e que têm um amor profundo como é o caso do presidente Bolsonaro, se preocupem, questionem e vejam quais são as alternativas. Mas o que eu vejo é uma vontade muito grande acertar. Uma vontade ainda grande de acharmos, todos juntos, um caminho para irmos com esse paciente a um porto seguro - disse Mandetta.

O ministro disse ainda entender que Bolsonaro tenha uma posição diferente da sua e que defenda uma postura menos cautelosa, mas ele voltou a defender medidas de isolamento.

- Como eu via queda do sistema de saúde de Nova Iorque, como eu vi a queda do sistema, como estou vendo da Itália, da Espanha, França, Inglaterra, vi o Irã, a minha (postura) é de cautela. Não acho que sejamos melhores que Nova Iorque ou Itália - afirmou Mandetta.

De acordo como o último levantamento do Ministério da Saúde, o Brasil tem 9056 casos confirmados da Covid-19 e 359 mortes.