Em meio a virais, Lagum enaltece originalidade na música: "É como psicografar"

Com um ano cheio de acontecimentos bons, como shows no Lollapalooza e Rock in Rio, a banda Lagum está fazendo planos para o futuro. Convidados do Yahoo Entrevista desta semana, eles contaram que devem entrar em estúdio em breve. Donos de um dos virais mais compartilhados nas redes sociais, a música "Ninguém me ensinou", eles falaram sobre a influência de plataformas no processo de criação. Hoje, por exemplo, o TikTok é utilizado por muitos produtores para viralizar hits.

“Assim como diria Quincy Jones, se você começar a produção de uma música pensando em dinheiro, Deus sai da sala. Se você começar a compor pensando em trend de Tik tok, Deus sai da sala. Digo Deus no sentido da criatividade, trato a música de maneira espiritual, de estar conectado comigo e com o universo em volta. É como se fosse psicografar, receber uma mensagem e passar ela. Não acredito que se eu pausar essa conexão dívida, vou ser tão bem sucedido. Pode ser que uma ou outra ocasionalmente viralize”, explicou Pedro. “E a sensação é mais legal ainda”, completou Zani.

Com 34 milhões de visualizações só no Tik Tok, a música “Ninguém me ensinou” viralizou como principal tema de vídeos de viagens e vlogs nas redes sociais. O público se identificou com os versos “A vida é boa pra car**, nem sei por que eu tô chorando. Eu tenho vinte e poucos anos e não vou parar aqui”, que passa uma mensagem altruísta para continuar seguindo, mesmo enfrentando os obstáculos da vida.

“É uma música profunda, ali estou falando de questões mentais que já tive, ansiedade, depressão, tentar ver a vida de um jeito melhor, silenciar essas paranóias e focar no momento presente. Não tem nada a ver com dancinha, essas coisas, mas pessoas se identificaram. Ela foi escolhida para homenagear o Tio Wilson após a morte dele e acredito que é isso, Deus estava na sala quando compusemos essa”.

Legado de Tio Wilson

O final de 2020 foi um período difícil para os integrantes Pedro Calais, Jorge, Francisco Jardim e Zani Furtado. Após um show, o baterista da banda, Brego Braga, conhecido como Tio Wilson, teve um mal-estar e acabou falecendo aos 34 anos, em 12 de setembro.

“Parece que a gente estava esperando ele entrar na banda para a gente acontecer e ele entrar na banda para a vida dele acontecer também. Então, acredito que ele foi embora muito realizado com tudo o que ele deixou aqui. O nosso objetivo é deixar a família dele muito orgulhosa para o resto da vida.”

O terceiro álbum de estúdio, "Memórias (De Onde Eu Nunca Fui)", lançado em 2021, foi todo composto com a participação de Tio Wilson. E eles tiveram que reaprender a fazer todo o trabalho sem a participação do amigo.

“Esse álbum ele já estava pronto quando o Tio faleceu. Então a ressignificação foi mais na parte conceitual. A gente entregou ele de uma maneira diferente do que era planejado e do que era esperado quando a gente começou a produzir. O grande desafio está agora na gente se reinventar para entrar no estúdio novamente”, explicou.

Realizações em festivais

Depois de um ano muito bem sucedido divulgando o terceiro álbum, a banda vem colhendo os frutos do sucesso. Eles ganharam duas vezes o prêmio Grupo do Ano (2020 e 2021), do Multishow, além de somarem quase 2,5 milhões de ouvintes mensais no Spotify. Com isso, foram convocados para tocar em festivais hypados como João Rock e Lollapalooza. O mais recente foi a apresentação no palco Itaú, do Rock In Rio, no dia 9 de setembro.

“Espero que seja só o primeiro passo e que no próximo ano a gente consiga estar em melhores horários em palcos principais, em headline. E tem muita coisa a ser conquistada ainda pela frente”, disse.