Em meio à pandemia de coronavírus, a tragédia da dengue continua

Agência Brasil

Por Cristiane Bomfim, da Agência Einstein

Na casa de aposentada Mercedes dos Anjos Santos, de 85 anos, os vasos floridos dispostos harmoniosamente sempre chamaram atenção de quem passava na rua. Mas, os números de casos de dengue noticiados com frequência nos jornais ano após ano fizeram com que os pratos saíssem de cena “para não virarem criadouro do mosquitinho listrado”, explica a aposentada, moradora de São Paulo. 

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Para ter uma ideia da extensão do problema, entre janeiro e 31 de dezembro de 2019, dados mais atualizados do Ministério da Saúde, foram notificados 1.544.987 casos prováveis de dengue. O número é 488% maior que o registrado em 2018. Só no estado de São Paulo, onde mora a aposentada, foram 444.593 casos prováveis. 

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Em um ano que foi marcado por recordes de chuva de verão, os casos da doença devem aumentar. São Paulo registrou o maior índice pluvial desde o começo das medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em 1943.

Na capital fluminense, foi o mais elevado índice de chuvas desde 1996 e, em Belo Horizonte, as chuvas foram as mais intensas desde 2014. De acordo com o mais recente Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, entre janeiro e 15 de fevereiro deste ano já foram notificados 181.670 casos de dengue em todo o país e 32 mortes, sendo nove delas no Paraná. 

Embora infelizmente a epidemia de dengue se repete há anos no Brasil, nunca é demais lembrar. “A melhor maneira de evitar a doença é impedir a proliferação do Aedes aegypiti, mosquito responsável pela transmissão do vírus responsável pela doença.

E, quando fazemos isso, combatemos também a zika e a chikungunya, transmitidas pelo mesmo inseto”, explica o infectologista Hélio Bacha, do Hospital Israelita Albert Einstein. 

Seguindo a dica do médico, Mercedes deu uma boa revisada no quintal e eliminou todas as possibilidades de acúmulo de água, como garrafas e potes.

A caixa de água passou por limpeza e está bem fechada. As vasilhas com água para os passarinhos que por ali pousam são lavadas todos os dias. A calha da casa foi limpa e o lixo sempre fica fechado. 

As recomendações para eliminar os focos de proliferação do inseto são:

  • Mantenha caixas d’água, cisternas e poços fechados e vedados. Isso vale para aquários

  • Mantenha piscinas sempre limpas. Use cloro para tratar a água e o filtro periodicamente

  • Mantenha os pratinhos e vasos das plantas limpos e preenchidos com areia até a borda

  • Evite ter em casa plantas que acumulam água em suas folhas ou flores, como as bromélias, ou retire a água com frequência

  • Deixe garrafas, vasilhas, baldes em locais cobertos e protegidos da chuva e com as bocas viradas para baixo;

  • Não deixe água acumular em desnivelamento de lajes e quintais

  • Mantenha sempre calhas limpas e niveladas

  • Os potes com água para animais devem ser bem lavados com água corrente no mínimo duas vezes por semana. 

 (fonte: Agência Einstein)