Em live, Bolsonaro pede que manifestações não aconteçam em 15 de março por conta do coronavírus

Reprodução

Por Marcelo Freire

O presidente Jair Bolsonaro apareceu em sua live no Facebook nesta quinta-feira (12), ao lado do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. O assunto da transmissão, que foi afetada por problemas técnicos, foi o coronavírus.

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O presidente e Mandetta apareceram de máscara, e Bolsonaro confirmou que fez exame para saber se contraiu o coronavírus em virtude do seu contato com o secretário da Comunicação Social, Fábio Wanjgarten, que está em quarentena em São Paulo. "Que o [teste] positivo só com ele", disse o presidente.

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Bolsonaro falou sobre o pronunciamento oficial que entrou no ar em rede nacional às 20h30 e sugeriu que as manifestações do próximo domingo (15) em favor do governo federal – e que devem mirar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal – sejam adiadas por "um ou dois meses" para evitar a aglomeração de pessoas. "Vão se manifestar contra ou a favor [o governo], não tem problema. Mas quanto mais gente se juntar, pode propagar o vírus. 

"Sobre o dia 15, o que nós devemos fazer é evitar uma explosão de pessoas infectadas, porque os hospitais não dariam vazão para atender tanta gente", disse Bolsonaro. "Esse é o x da questão", acrescentou Mandetta. "Se o governo não tomar providencia, esse número sobe e, depois de um certo limite, o sistema não suporta", completou o presidente.

Bolsonaro, então, sugeriu que as manifestações fossem suspensas – dias atrás, ele havia convocado alguns apoiadores para irem às ruas no dia 15 apoiar o governo. "Como presidente, tenho que tomar uma posição. Se bem que o movimento não é meu, ele é espontâneo e popular. Mas uma das ideias é adiar, suspender. Daqui a um, dois meses, se faz", disse.

Em seguida, Bolsonaro começou a falar sobre as negociações entre o governo federal e o Parlamento para a aprovação dos projetos que alterem as regras do orçamento impositivo. Nesse momento, no entanto, a transmissão foi atingida por falhas técnicas, e não foi possível entender os comentários do presidente sobre o tema. 

‘INSTITUIÇÕES PRESERVADAS’

O presidente retomou o assunto no fim da transmissão, dizendo que é direito da população de ir às ruas "de forma ordeira e democrática" para se manifestar "contra ou a favor a quem quer que seja". Mas ele pediu que as instituições fossem preservadas.

"Ninguém pode atacar Parlamento, Executivo ou Judiciário. Tem pessoas que não estão de acordo com o que acha que tem que acontecer, tudo bem, mas as instituições em si têm que ser preservadas", afirmou o presidente.

Depois, Bolsonaro lembrou que deverá indicar pelo menos dois novos ministros para o Supremo Tribunal Federal. Celso de Mello se aposentará compulsoriamente em novembro deste ano, quando completar 75 anos; Marco Aurélio Mello fará o mesmo em julho de 2021

Bolsonaro afirmou que indicará um ministro que "atenda aos interesses da população brasileira". "E que esteja afinado comigo e confie em mim", afirmou.

PRONUNCIAMENTO

Em cadeia nacional de rádio e televisão, Bolsonaro voltou a sugerir o adiamento das manifestações, classificadas por ele como “movimentos espontâneos e legítimos”.

“Os movimentos espontâneos e legítimos, marcados para o dia 15 de Março, atendem os interesses da nação, balizados pela lei e pela ordem. Demonstram o amadurecimento da nossa democracia presidencialista e são expressões evidentes de nossa liberdade. Precisam, no entanto, diante dos fatos recentes, serem repensados”, afirmou o presidente.

Ao falar sobre a escalada do coronavírus no Brasil, Bolsonaro destacou que o SUS (Sistema Único de Saúde) possui um “limite de pacientes que podem ser atendidos” e pediu para que a população evitasse entrar em pânico diante do possível aumento de casos confirmados.

Confira o pronunciamento na íntegra:

“Boa noite.

Diante do avanço do coronavírus em muitos países, a Organização Mundial da Saúde, de forma responsável, classificou a situação atual como pandemia. O Sistema de Saúde brasileiro, como os demais países, tem um limite de pacientes que podem ser atendidos. O governo está atento para manter a evolução do quadro sob controle. É provável, inclusive, que o número de infectados aumente nos próximos, sem, no entanto, ser motivo de qualquer pânico. Há uma preocupação maior, por motivos óbvios, com os idosos. Há também recomendação das autoridades sanitárias para que evitemos grandes concentrações populares.

Queremos um povo atuante e zeloso com a coisa pública, mas jamais podemos colocar em risco a saúde da nossa gente. Os movimentos espontâneos e legítimos, marcados para o dia 15 de Março, atendem os interesses da nação, balizados pela lei e pela ordem. Demonstram o amadurecimento da nossa democracia presidencialista e são expressões evidentes de nossa liberdade. Precisam, no entanto, diante dos fatos recentes, serem repensados.

Nossa saúde e de nossos familiares devem ser preservadas. O momento é de união, serenidade e bom senso. Não podemos esquecer, no entanto, que o Brasil mudou. O povo está atento e exige de nós respeito à Constituição e zelo pelo dinheiro público. Por isso, as motivações da vontade popular continuam vivas e inabaláveis.

Que Deus abençoe o nosso Brasil”

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