Em Cannes, diretor diz que boatos de aglomeração no festival são 'infundados'

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CANNES, FRANÇA (FOLHAPRESS) - Após a divulgação de um caso de Covid-19 na equipe do filme israelense "Ha'Berech" (o joelho de Ahed), o diretor do Festival de Cannes, Thierry Frémaux, afirmou neste sábado (10) que não há motivo para preocupação sobre uma contaminação mais ampla.

"Não há cluster [de Covid] em Cannes. Ontem fizemos mais de 3.000 testes e houve zero casos positivos", afirmou ele. Na média desde o começo do festival, na última sexta (6), três exames por dia deram positivo, o equivalente a 1 em 1.000. São amostragens muito diferentes para uma comparação precisa, mas a taxa é baixa se considerados os critérios da União Europeia: países com menos de 40 positivos em 1.000 testes entram na zona verde.

A manifestação de Frémaux se seguiu à disseminação pelas redes sociais de fotos de personalidades e público sem máscaras dentro das salas de projeção.

O próprio presidente do festival, Pierre Lescure, foi flagrado cumprimentando várias atrizes com beijos no tapete vermelho, e o ator Adam Driver chegou a tirar a máscara para acender um cigarro dentro da sala Lumière, durante os aplausos ao filme "Annette", na abertura do festival.

"Os boatos de um cluster em Cannes são infundados. Todos nós somos muito cuidadosos, queremos ser exemplares", disse o diretor nesta sexta. Mas ao menos um dos seguranças está entre os casos de teste positivo, de acordo com o site especializado Deadline.com.

Além disso, pelas regras do governo francês, quem tem um resultado positivo para o coronavírus deve fazer dez dias de quarentena. Também deveriam ser avisadas as pessoas que tiveram contato com o infectado, para que se isolassem até prova de que não foram contaminadas.

A pandemia foi a causa de outra má notícia para Cannes: a atriz Léa Seydoux, que está em três filmes da competição à Palma de Ouro, adiou sua viagem para a cidade da orla francesa porque contraiu o coronavírus em Paris. Assim como no caso da atriz israelense, a francesa já foi vacinada e está assintomática.

Léa Seydoux deveria participar na semana que vem de ao menos três sessões de gala, em que diretor e atores posam para as fotos e sobem as escadas revestidas de tapete vermelho sem usar máscaras --ela está em "França", de Bruno Dumont, "The French Dispatch", de Wes Anderson, e "The Story of My Wife", de Ildikó Enyedi. Segundo a imprensa francesa, ela espera um parecer médico para saber se cancela completamente a viagem.

O Festival de Cannes montou uma estrutura de testagem e segurança para tentar evitar o contágio pelo coronavírus, para viabilizar a edição deste ano -em 2020, o evento foi cancelado por causa da pandemia. A entrada no edifício principal só é permitida a quem foi completamente vacinado ou apresenta um teste negativo feito há no máximo 48 horas.

Testes são exigidos até de participantes vacinados que tenham vindo de países de fora da União Europeia, como os Estados Unidos e o Reino Unido, e algumas festas também tomaram a iniciativa de checar o status de saúde de seus convidados na entrada.

Mas, além das salas de projeção dentro do prédio principal, há outros nove locais de exibição no qual não é feita a checagem sanitária, e a presença de celebridades provoca aglomerações do público nos arredores do festival e de hotéis e locais frequentados pelos artistas e convidados.

A disseminação da variante delta, mais contagiosa, preocupa governos europeus. Nesta segunda (13), o presidente da França, Emmanuel Macron, tem uma reunião marcada para discutir medidas de prevenção a uma quarta onda de Covid-19 na França.

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