Em busca de cidadania americana para os filhos, brasileiras pagam mais de R$ 60 mil em parto em Miami

Foto: Reprodução/Instagram

Por Milena Carvalho

Após diversas idas aos Estados Unidos para férias e descanso, Priscila do Vale, de 37 anos, resolveu que uma dessas suas viagens seria por outro motivo: ter um filho em solo norte-americano. Diretora de atendimento de uma agência de marketing digital no Rio de Janeiro, ela descobriu que estava grávida de seu segundo bebê pouco antes de ir ao país. Recebeu de um amigo a indicação de um serviço médico especializado e foi assim então que conheceu o pediatra Wladimir Lorentz, diretor do programa Ser Mamãe em Miami.

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Criada em 2015, a agência – que ficou conhecida também por ter como paciente a atriz Karina Bacchi –, nasceu com o intuito de prestar apoio à população internacional, segundo Lorentz. Por ter muitos pacientes estrangeiros, até mesmo turistas, ele resolveu convocar um grupo de obstetras para ampliar o serviço e torná-lo exclusivo, com direito a atendimento a domicílio. Foi essa a razão que chamou a atenção de Priscila, além de uma dupla-cidadania para o herdeiro. “Eu tenho a [cidadania] espanhola, então sei que tem vários benefícios e é super válido”, diz a carioca.

Foto: Arquivo pessoal/ Priscila do Vale

Para ela, a maior diferença entre ter um filho no Brasil e nos EUA é o contato do bebê com a mãe. “Enquanto existe a maternidade brasileira, onde eles podem ficar tranquilamente, aqui a criança está o tempo todo do nosso lado”, afirma. Como Arthur tem apenas dois meses, Priscila ainda ficará um tempo em Miami recebendo cuidados. “É incrível ter uma equipe disponível, um pediatra que vem na sua casa e traz aparatos, até mesmo uma balança. Com bebê pequeno fica difícil sair.”

Investimento

Quem deseja um parto nos Estados Unidos, porém, precisa estar preparado financeiramente. O investimento pode ultrapassar R$ 60 mil, já que há uma diferença do valor cobrado entre o natural, a cesariana e múltiplo – que ficam, respectivamente, em torno de US$ 11 mil, US$ 14 mil e US$ 18 mil (valores consultados pela reportagem em abril de 2018).

Lorentz e pacientes – Foto: Divulgação/Ser Mamãe em Miami

Nos pacotes estão incluídas consultas obstétricas, hospitalares e pediátricas, exames no recém-nascido, além de atendimento 24 horas por dia pelo telefone. Caso haja alguma emergência, um valor específico é cobrado à parte. A clínica tem parceria com o Mercy Hospital, além de oferecer a disponibilidade de produção independente e fertilização in vitro, como o caso de Karina Bacchi.

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Lorentz recomenda que as mulheres voem para Miami quando estiverem com pelo menos 32 semanas de gestação. “Isso serve para minimizar possíveis riscos e ver se está tudo bem com o bebê, além de mamãe e médicos começarem a se conhecer melhor”, aconselha. No entanto, o pediatra diz que também deve-se conversar com o obstetra brasileiro que está cuidando do caso. Já para retornar ao Brasil é recomendada uma espera de dois meses após o nascimento da criança.