Elza Soares teve breve carreira no cinema e cantou em filmes de Mazzaropi

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***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 28.09.2019 - Show da cantora Elza Soares no palco Sunset, durante o festival Rock in Rio, no Parque Olímpico, na zona oeste da cidade. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 28.09.2019 - Show da cantora Elza Soares no palco Sunset, durante o festival Rock in Rio, no Parque Olímpico, na zona oeste da cidade. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Não foi só de música que viveu Elza Soares, morta nesta quinta (20) de causas naturais, nas primeiras décadas de sua carreira. Amiga pessoal de Amácio Mazzaropi, ator e cineasta que foi um dos maiores nomes da comédia brasileira, ela chegou a participar de três de seus filmes entre os anos 1960 e 1970.

O primeiro deles foi "O Vendedor de Linguiça", de 1962, em que Mazzaropi vive um comerciante que passeia pela periferia de São Paulo diariamente para vender as linguiças que produz. Certo dia, a pedido da filha, apaixonada por um rapaz endinheirado, ele decide se passar por um homem rico.

Elza aparece no final do filme, na cena em que canta "Não Ponha a Mão" durante uma festa de rua. Ela serve de cenário para o reencontro dos pais ricos do rapaz enganado com o vendedor de linguiças do título.

A parceria foi retomada três anos depois, em "O Puritano da Rua Augusta". No filme, Elza entoa "O Neguinho e a Senhorinha", numa cena que ilustra a vida boa que levavam os filhos do protagonista, papel de Mazzaropi, um industrial antiquado e sério que deixa os negócios da família a cargo dos herdeiros. Quando os visita em São Paulo, descobre que eles se aproveitam de sua ausência para cair em festas.

A terceira e última parceria foi em "Um Caipira em Bariloche", de 1973. Nele, o personagem de Mazzaropi é um fazendeiro ingênuo que, enganado pelo genro, vende suas posses e vai morar na cidade grande. Elza participou do título cantando "Rio, Carnaval dos Carnavais", samba de abertura gravado no Cristo Redentor.

Há três anos, Elza falou um pouco sobre a amizade com Mazzaropi e sua breve carreira diante das telas num depoimento que integrou a exposição "Musicais no Cinema", do Museu da Imagem e do Som de São Paulo.

"Mazzaropi foi a criatura mais incrível que eu já conheci, era um ser humano gentil. Ele tinha uma coisa muito séria com o Mané [Garrincha, com quem foi casada], ele gostava muito do Mané, então quase todo fim de semana a gente ia para a fazenda dele. Quando ele comprava gados novos, ele queria que a gente fosse ver", relembra ela no vídeo.

"Com o Mazzaropi era bom fazer tudo, gente. Ele te dava essa liberdade, ele abria espaço para você. Ele abria os braços para todo mundo", diz, mencionando também que, com tal proximidade, acabou se tornando amiga da família do ator e cineasta.

Elza também participou de filmes que não tiveram o envolvimento de Mazzaropi. Na verdade, seu primeiro crédito no cinema é anterior à parceria --foi em 1960, em "Briga, Mulher e Samba". O filme gira em torno da indústria fonográfica, ao acompanhar um rapaz que sonha em se tornar compositor no Rio de Janeiro.

Ela também apareceu em "A Morte em Três Tempos", dirigido por Fernando Coni Campos em 1964, que acompanha a investigação do assassinato de uma mulher.

Mais recentemente, ela pode ser vista nos filmes "Chega de Saudade", de Laís Bodanzky, e em "História Antes de Uma História", animação para a qual emprestou a voz.

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