Ellen Oléria, ex-'The Voice': “Ser sapatão é revolução, é reescrever a história”

Lucas Pasin
·3 minuto de leitura
Ellen Oleria (Foto: Reprodução/Instagram @ellenoleria)
Ellen Oleria (Foto: Reprodução/Instagram @ellenoleria)

A última quarta-feira (19) foi marcada pelo Dia do Orgulho Lésbico. A data faz parte da programação do mês da visibilidade lésbica – agosto - que coloca em pauta não só comemorações mas também muitas discussões por melhorias de políticas públicas e de combate ao preconceito.

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Sobre o tema, a cantora Ellen Oléria, vencedora da primeira edição do ‘The Voice Brasil’, em 2012, conversou com o Yahoo com exclusividade. A artista é referência no combate ao racismo e lesbofobia.

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“Quando falamos do mês da visibilidade lésbica precisamos sim falar de várias de nossas demandas, mas gosto também de lembrar que esse mês nos traz sim uma grande alegria. É a celebração da identidade que nos aproxima através do amor”, destaca a cantora, que completa: “É claro que a gente tem medo, mas também temos muita coragem. Encaramos a vida. E a nossa identidade lésbica nos torna força neste planeta. Imagina pertencer a um grupo que é considerado uma categoria inferior ao homem. Uma categoria inferior do ser humano. E, mesmo assim, realizamos grandes coisas. Somos muito e incríveis.”

Ellen relembra de uma entrevista de Leci Brandão, em 1972, na televisão: “Ela foi força e potência. Chocou o Brasil dizendo que amava mulheres e que ninguém tinha nada a ver com isso. Que maravilhosa!”.

“Homens são ensinados a só amar homens”

Ao falar sobre visibilidade lésbica, Ellen Oléria conta que, sobre o tema, leu um texto recente e afirma concordar absolutamente com as informações. O texto dizia que homens são ensinados somente a amar outros homens, mesmo heterossexuais.

“Homens só leem homens, só escutam homens, só admiram homens. São ensinados a amar homens. A mulher, estruturalmente, não cabe neste lugar de admiração. Ela entra na vida do homem no lugar de obrigatoriedade, sabe? Quando ele vai se casar com uma mulher e dizem: ‘Olha lá, game over pra ele!”, destaca a cantora, que aos risos dispara: “Como tem mulher maravilhosa nesse mundo para se encher os olhos, para se admirar e amar. Ser sapatão é bom demais,tá doido?”.

Ainda sobre as questões estruturais de nossa sociedade machista, Ellen resume em poucas palavras o amor que tem por sua orientação sexual:“Ser sapatão é poderoso. Numa ‘lapada’ só de amor a gente desconstrói todos os fundamentos atrasados da nossa estrutura. Ser sapatão é revolução, é reescrever a história. É ter coragem de espalhar para o mundo a novidade de amar uma mulher. A gente ama a nossa mãe, não ama? E cabem muitas outras mulheres no nosso amor.”

Confira a entrevista completa com Ellen Oléria no IGTV do Yahoo Vida e Estilo: