Ellen Jabour sustenta fala polêmica após críticas sobre política e música

Ellen Jabou comentou fala polêmica (foto: Reginaldo Teixeira / Globoplay)
Ellen Jabou comentou fala polêmica (foto: Reginaldo Teixeira / Globoplay)

Resumo da Notícia

  • Ellen Jabour criticou músicos que se posicionam politicamente em shows

  • A apresentadora conversou com o Yahoo sobre a repercussão polêmica da fala

  • Ela comentou que presenciou um ato de violência durante um show em 2018

Ellen Jabour se viu dentro de uma polêmica há algumas semanas quando tuitou sobre o posicionamento político de artistas durante shows. A modelo e apresentadora criticou quem se posiciona do alto do palco e foi duramente criticada, mas ao Yahoo defende seu ponto de vista.

Ela conversou com a reportagem durante o lançamento da série “Rock in Rio – A História”, do Globoplay e Rock in Rio, no cinema Kinoplex Platinum Globoplay, que fica na Zona Sul da Cidade. A série de cinco episódios já está disponível na plataforma.

“Não gosto quando eles param a música e falam de política. Não falei: ‘Não gosto quando eles cantam política no show’. Porque eles cantarem política no show faz parte, toda banda faz isso. Isso é óbvio. Só que elas entenderam que não gostava que eles cantassem sobre política, que eles envolvessem política nas letras das músicas e não foi isso que disse”, afirmou ao Yahoo.

No caso em questão, Ellen comentava um texto publicado pelo portal Rolling Stone Brasil que mencionava o espanto de fãs do Rage Against the Machine com o tom político da banda. Vale ressaltar que o grupo nasceu também como forma de denunciar os casos de xenofobia que os integrantes sofreram. Quando despertou a indignação de alguns fãs, o RATM vinha fazendo protestos contra o fim da lei Roe v. Wade, que garantia o direito ao aborto nos Estados Unidos.

Ainda assim, Ellen reforçou seu posicionamento, explicando que já chegou a vivenciar “ocasiões” em que o público se dividiu ao ouvir seu ídolo defender um ponto de vista. “Você fica com medo. É voltar espancado ou não sobreviver. Por conta da política, da segmentação que causa”, apontou.

O caso em que ela se referia, de desconfiança entre os fãs, aconteceu durante um show de Roger Walters, que esteve no Brasil em 2018 e se posicionou publicamente contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) durante sua passagem pelo país.

Declaradamente anti-facista desde os tempos do Pink Floyd, o músico deixa muito claro a quem quer lhe seguir o que pensa. “Se você é uma daquelas pessoas, que diz: ‘Amo Pink Floyd, mas não suporto as mensagens políticas’, seria bom cair fora agora e ir para o bar”, diz o músico em mensagem exibida nos shows da turnê que ele faz atualmente pelos Estados Unidos.

Para Ellen, no entanto, a polarização política pode fazer dos shows um espaço perigoso. “Se um pai não vai mais deixar o filho ir porque não sabe se vai voltar bem ou espancado... Acho que pode haver perigo em um momento que era pra ser pura diversão”, argumenta.

No show que ela foi do artista em São Paulo, em 2018, ela conta que viu um caso de agressão: “Um menino botou um pênis pra fora e começou a fazer xixi numa menina do meu lado pra você ver o nível que estava de agressão. E todo mundo começou a querer ir embora porque se tornou perigoso.”

Político, pero no mucho?

Quando reforçada a questão do claro posicionamento político de Roger, há mais de 50 anos, Ellen sustenta sua visão. “Você espera que ele vá falar sobre política nas músicas, vai cantar sobre política e espero até que ele vá dar uma espetadinha numa coisa ou outra, mas talvez na política dele, do país dele. Não sei se ele tem [conhecimento] pra falar da política de outros países”, avaliou.

Nesta passagem pelo Brasil, Roger colocou Jair Bolsonaro na mesma lista de líderes mundiais que flertam, e quase namoram, com a extrema-direita e o neofascismo no mundo, como: Donald Trump, Viktor Orbán, Marine Le Pen, Sebastian Kurz, Nigel Farange, Jarosław Kaczyński e Vladmir Putin.

Ela comenta: “Não acho que seria apropriado ele comentar uma coisa que é tão profunda, que está trazendo tanta segmentação, tanta raiva entre as pessoas. Estamos tendo uma separação mesmo das pessoas e isso é triste de ver. Ele poderia falar da política do país dele, mas não necessariamente da nossa, na minha opinião. Músicos têm responsabilidade de serem bons líderes perante uma plateia”.

Esses líderes, inclusive, têm sido cobrados a se posicionar politicamente. Isso aconteceu na última eleição quando muitos artistas se colocaram contra ou a favor do então candidato à Presidência, Jair Bolsonaro, e deve ocorrer novamente neste ano.

Jabour completa: “Muita gente não fala nem inglês, não sabe nem o que está cantando e a melodia entra no coração das pessoas. E aquilo remete a coisas da sua vida, não necessariamente você está vivendo a dor do autor da música.”

Entenda

A polêmica começou quando a modelo comentou em uma publicação da revista ‘Rolling Stone Brasil’ que falava sobre a política em shows de Rage Against the Machine e Roger Waters. Ela escreveu: “Não gosto de shows que falam sobre política. Transformam um momento que era pra ser de unificação, em segregação. O clima fica péssimo pois as pessoas pensam diferente umas das outras e começam a se estranhar, e até mesmo a se agredir! Vivi isso no show do Roger Waters e foi uó”.

A fala foi bastante criticada no Instagram e em outras redes sociais em um cenário pré-eleições que críticas políticas de artistas tem permeado os palcos mais diversos do país.

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