"Elite 6" prova que público é uma piada para os roteiristas da série

Patrick e Iván em um dos poucos momentos felizes de
Patrick e Iván em um dos poucos momentos felizes de "Elite 6" (Foto: divulgação/Netflix)

“Deveria ter acabado em 2020”; “Por que cancelam séries boas e não cancelam essa?”; “Nunca tem final feliz”. Levou seis temporadas, mas me vejo obrigado a concordar com a maioria das críticas sobre Elite. A nova leva de episódios, que estreou nesta sexta-feira (18), na Netflix, ultrapassou todos os limites da falta de respeito com o público — e olha que eu assisto “A Fazenda”!

*Alerta de spoilers*

É revoltante acompanhar personagens por anos, se afeiçoar a eles, e depois ver o arco construído ser jogado no lixo. Não é a primeira vez que isso acontece, vide Ander e Guzmán na quarta temporada, mas Rebeka, Omar e Phillipe simplesmente desaparecerem foi a gota d’água! E a morte (desnecessária) de Samuel, protagonista do elenco original, sendo tratada apenas como pano de fundo para a crise de Ari? Sério que a gente não merece nem um desfecho minimamente digno?!

Samuel, protagonista de
Samuel, protagonista de "Elite", realmente está morto e Rebeka sequer é mencionada na nova temporada (Foto: divulgação/Netflix)

Aliás, se a morte de Samuel mexeu tanto com Ari (pior personagem!), não faz sentido ela ser a pessoa que mais contribuiu para o pai, que basicamente foi quem o matou, ser inocentado e ter a oportunidade de recomeçar a vida no exterior, principalmente ao lado dos filhos — sim, mesmo com todos os apelos dos fãs, Patrick e Iván não terminam juntos e Manu Ríos deve sair do elenco. Ou alguém ainda acredita que aquela ponta solta (áudio) vai dar em algo?

Desfecho de Iván e Patrick partiu o coração dos fãs de
Desfecho de Iván e Patrick partiu o coração dos fãs de "Elite" (Foto: divulgação/Netflix)

Para não dizer que nada se salva, gostei de ver um personagem trans, o Nico, ter tanto tempo de tela e aprofundamento. A discussão sobre homofobia no futebol e o desenvolvimento de Isadora, especialmente nos momentos de sororidade, também são destaques positivos. Porém, de novo, qual o ponto de continuar a assistir a série e torcer para que ela e Didac fiquem juntos, por exemplo, se já sabemos que Elite “nunca tem final feliz”?

Violentada, Isadora busca por justiça em
Violentada, Isadora busca por justiça em "Elite 6" (Foto: divulgação/Netflix)

Há ainda algumas tramas que, para mim, ficaram no meio do caminho (ou nem isso). O relacionamento abusivo e a questão da violência doméstica envolvendo Sara e Raúl devem ser mais explorados na sétima temporada, ok, mas até levando isso em consideração o possível romance entre Bilal e Rocío, primeiro casal preto da série, deixou a desejar. Jogado demais, sabe? Já a gravidez e o aborto de Ari aconteceram tão rapidamente que ficou parecendo que interromper uma gestação não é nada. Lamentável…

Raúl e Sara vivem uma relação abusiva em
Raúl e Sara vivem uma relação abusiva em "Elite 6" (Foto: divulgação/Netflix)