Trama atual, imersão no bioma e outros elementos que explicam o sucesso de 'Pantanal'

Cena de Juma (Alanis Guillen) em
Cena de Juma (Alanis Guillen) em "Pantanal" (Foto: Divulgação/ Globo)

Os números não mentem: a atual novela das 9 da Rede Globo é um sucesso. Em maio, "Pantanal" bateu 30,7 pontos de audiência, alcançando 76 milhões de pessoas, e bateu o recorde sendo o folhetim mais assistido do GloboPlay. O sucesso não era tanto desde "Avenida Brasil", em 2012.

O responsável pelo remake é Bruno Luperi, neto do Benedito Ruy Barbosa, escritor da primeira versão que foi ao ar na extinta TV Manchete. Para a jornalista Kaká Meyer ou Kaká Novelas, colunista do Observatório da TV e Band FM, o texto do novato em combinação com direção e boa história são trunfos. “Uma novela mais bem trabalhada, bem mais produzida como estávamos acostumados a ver, não é uma série disfarçada de novela”, analisou.

Sobre a nova roupagem da trama, a professora Esther Império Hamburger, titular de História do Cinema e do Audiovisual e de Projeto do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), diz que o remake é muito baseado na versão antiga, porém atualizado para ganhar o público jovem. “Atrair o jovem é um feito”, diz Esther.

Para a professora, outro aspecto que pode ter contribuído para os números da novela é o fato de mostrarem nas telas “um Brasil que o Brasil desconhece”. “O público reage bem a isso. As pessoas gostam de ver coisas que não estão na visão delas”, explica.

A imersão de toda a equipe no bioma é mais ponto a ser levado em consideração. Kaká e Esther destacam essa dedicação - praticamente toda a equipe foi ao Pantanal. Alanis Guillen, a Juma, deixou até de ser vegetariana para sentir como é ser uma pessoa do sertão.

Kaká Meyer ressalta a questão da problematização de temas cotidianos, como o caso da personagem de Isabel Teixeira, a Maria Bruaca, uma mulher que inicia a trama sendo oprimida por seu marido.

A professora Esther Império Hamburger aponta ainda a sensualidade como um destaque no folhetim. Houve, também, a percepção de que a sexualização dos homens na novela é maior que a das mulheres. "É uma novela bastante masculina, personagens masculinos fortes. É interessante que eles sejam sexualizados”, opina.

Misticismo e novos rostos

Além disso, a mulher que vira onça, o homem que fica nas cercanias do rio e vira jibóia... Esse misticismo deixa fértil a imaginação das pessoas.

Os rostos nem tão conhecidos da trama têm feito sucesso. Na internet, por exemplo, podemos observar as ‘Maria Bruaquers’ e ‘Tibério lovers’, que torcem pelos personagens de Isabel Teixeira e Guito. Intérprete da protagonista, a jovem Alanis Guillen também é elogiada por sua atuação.“Ela está dando um show, está muito bem mesmo”, avalia a jornalista. Para Kaká, a mistura de novos talentos com outros já renomados na TV brasileira, como Marcos Palmeira e Dira Paes, somam mais um elemento de sucesso.

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