Eleitor sem religião dá 38 pontos de vantagem para Lula, aponta Datafolha

***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 26.09.2022 - O presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursa durante evento com artistas no Anhembi, em São Paulo. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 26.09.2022 - O presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursa durante evento com artistas no Anhembi, em São Paulo. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Enquanto os dois principais adversários desta eleição fazem acenos à maioria cristã do país, são os brasileiros que declaram não ter uma religião que dão a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a maior vantagem sobre Jair Bolsonaro (PL) quando levamos em conta a filiação religiosa do eleitorado.

O petista tem 62% das intenções de voto nesse grupo, Bolsonaro fica com 24%, Ciro Gomes (PDT) registra 9% e Simone Tebet (MDB), 3%.

Os dados vêm de pesquisa Datafolha feita com 6.800 pessoas em 332 cidades, de terça (27) a quinta (29). A margem de erro, para esse grupo em particular, é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

Não é um bloco desdenhável para efeitos estatísticos: 11% dos eleitores afirmam não seguir uma fé específica, o que engloba também quem é ateu (uma minoria). No Censo de 2010, 8% da população informou a mesma coisa.

É a terceira maior força eleitoral no recorte religioso, atrás apenas de católicos (52%) e evangélicos (26%). A terceira crença com mais adeptos, o espiritismo kardecista, tem 2% de representação.

Fica assim entre os cristãos que vão às urnas: Lula tem a preferência da maior parte dos católicos, 57%, quase o dobro dos 29% de Bolsonaro, enquanto Ciro e Tebet empatam com 6% cada; já entre evangélicos, o presidente lidera com 53%, o ex-presidente tem 32%, o pedetista pontua 6%, e a senadora chega aos 5%.

Aqui consideramos apenas os votos válidos, que exclui votos brancos, nulos e indecisos. É esse o critério usado pelo Tribunal Superior Eleitoral para contabilizar o resultado do pleito.

Para José Eustáquio Alves, doutor em demografia e pesquisador aposentado do IBGE, os eleitores sem religião podem ser "o fiel da balança" num pleito em que a vitória de Lula já neste domingo (2), sem necessidade de um segundo turno, é uma possibilidade, segundo o Datafolha.

"Embora Bolsonaro tenha maioria do voto evangélico, e Lula, a maioria entre católicos, as eleições podem ser decididas no primeiro turno em função de um segmento que tem um peso de 11%", diz. "É o maior diferencial de voto entre as camadas sociodemográficas do país e pode ser a gota d'água que faça transbordar a onda final de voto para o lado da esquerda."

Evangélicos, o nicho religioso mais cobiçado por conta de uma maior influência da fé na formação do voto do fiel, acertam menos o número do seu candidato nas urnas: 75% sabem dizer o que devem apertar na urna eletrônica, quatro pontos percentuais abaixo da média geral. Entre católicos, o índice é de 81%.

Embora o nível de convicção seja alto para todos os grupos, crentes também estão um pouco menos decididos quanto ao candidato que optaram: 81% se declaram totalmente resolutos em votar no nome escolhido, número que salta para 86% entre os adeptos do catolicismo.

Para essas duas parcelas cristãs, a margem de erro na pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos.