Eleições nos EUA: conheça os candidatos que tiveram mais votos, mas não viraram presidente

João de Mari
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President Donald Trump speaks during a campaign rally at Phoenix Goodyear Airport, Wednesday, Oct. 28, 2020, in Goodyear, Ariz. (AP Photo/Evan Vucci)
Em 2016, por exemplo, a democrata Hillary Clinton teve a maioria dos votos diretos, mas não foi eleita e Donald Trump virou presidente (Foto: AP Photo/Evan Vucci)

Receber a maior parte dos votos dos eleitores nem sempre é sinônimo de vitória nas eleições nos Estados Unidos. Isso acontece porque o sistema eleitoral norte-americano é diferente do usado no Brasil e em outros países presidencialistas. Portanto, um candidato que tem maioria dos votos nem sempre é aquele que termina ocupando a Casa Branca.

Em pelo menos cinco ocasiões na história do país, o vencedor dos votos populares não conquistou a Casa Branca. Em 2016, por exemplo, a democrata Hillary Clinton teve a maioria dos votos diretos, mas não foi eleita e Donald Trump virou presidente.

Nos EUA, não basta ter a maioria dos votos diretos, é preciso que o candidato a presidência conquiste a maioria dos delegados que compõem o colégio eleitoral. Só que os candidatos levam toda a "bancada" de delegados de cada estado onde têm maioria de votos.

Em cada estado, cada partido político elabora uma lista de potenciais delegados, que depois são escolhidos pela população através de votação. O número de delegados por estado é proporcional à sua representatividade no Congresso.

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Para se ter ideia, Califórnia, o estado mais populoso do país, por exemplo, tem 55 delegados, enquanto, Washington D. C. e outros estados pequenos têm apenas três.

Isso significa que um concorrente que venceu por ampla margem de votos em um lugar pode acabar equiparado no colégio eleitoral pelo oponente que venceu por uma margem muito menor em um outro estado com a mesma quantidade de delegados.

Por isso é tão importante um candidato se dar bem em estados como Califórnia, Flórida e Texas, por exemplo. Juntos eles têm 133 delegados – quase 25% do total.

Ao G1, o professor do departamento de ciência política da Universidade de Buffalo (EUA) Jacob Neiheisel explicou que o mais comum é que o candidato que conquistou a maioria do voto popular seja também o escolhido pelos delegados. Diferente de Trump em 2016.

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“Uma diferença entre o colégio eleitoral e o voto popular acaba levantando questionamentos sobre a legitimidade de quem é declarado vencedor, mas, sob uma perspectiva histórica, isso é pouco comum" , disse Neiheisel.

Maioria do voto popular e derrota

Além de Donald Trump contra Hillary Clinton, um descompasso desses tinha acontecido quatro vezes. As mais recentes neste século. Em 2000, quando as urnas tinham maioria de votos para o democrata Al Gore, mas o colégio eleitoral deu a vitória para o republicano George W. Bush. Ele conseguiu vencer em estados que lhe garantiram uma composição de mais delegados.

Em 1824, o general Andrew Jackson perdeu as eleições mesmo recebendo mais votos que o presidente eleito, John Quincy Adams.

No ano 1876, o democrata Samuel J. Tilden levou a maioria dos votos populares, mas quem garantiu a vitória com o apoio dos delegados foi o republicano Rutherford B. Hayes.

Em 1888, o presidente Grover Cleveland, que buscava a reeleição, foi o mais votado. Ele perdeu no para o republicano Benjamin Harrison

As eleições nos EUA neste ano acontecem na próxima terça-feira (3). Os principais concorrentes são Donald Trump, pelos republicanos, e Joe Biden, pelo partido dos democratas.