Anitta após 4 anos do #EleNão: veja a evolução política da cantora

Anitta aprendeu e se envolveu mais em assuntos de política do Brasil nos últimos quatro anos (Photo by Jamie McCarthy/Getty Images for MTV/Paramount Global)
Anitta aprendeu e se envolveu mais em assuntos de política do Brasil nos últimos quatro anos (Photo by Jamie McCarthy/Getty Images for MTV/Paramount Global)

Resumo da Notícia:

  • Anitta se tornou uma importante voz no contexto político

  • Nos últimos anos, a artista buscou aprender e se aprofundar sobre os rumos da nação

  • Ao longo desse período, ele fez transmissões ao vivo para debater com políticos e discutir política

Anitta tem ido cada vez mais longe e isso é inegável, mas nos últimos quatro anos a cantora se consolidou como o nome mais influente do entretenimento brasileiro quando o assunto é política. O Yahoo chegou a essa conclusão ao elencar os posicionamentos políticos da artista desde o pleito de 2018 até à véspera da disputa atual pela presidência da república.

Em 23 de setembro de 2018, depois de dias em silêncio e muito contrariada, a artista respondeu ao chamado que recebeu de Daniela Mercury e se uniu ao movimento #EleNão. Antes dela, diversos artistas já tinham se alinhado à posição contra o então deputado federal Jair Bolsonaro, que àquela época era candidato à Presidência da República.

Visivelmente incomodada com a pressão, que a fez se posicionar politicamente de forma explícita pela primeira vez, ela aproveitou para passar o desafio adiante e escolheu desafetos como Ivete Sangalo, Claudia Leitte e Preta Gil, que era a única com posição pública contra o candidato mesmo antes das eleições - Jair a insultou durante o extinto programa “CQC”. Já Claudia e Ivete costumam evitar posicionamentos políticos.

Vale lembrar que em áudios enviados ao colunista Leo Dias, a funkeira comentou sobre uma suposta situação que Ivete queria criar para que ela recusasse o convite de Claudia, e assim participasse do novo DVD da baiana. A suposta rivalidade entre as duas cantora voltou à tona depois disso.

Com a vitória de Jair Bolsonaro (hoje no PL) no segundo turno da disputa contra Fernando Haddad (PT), a carioca manteve sua posição e aproveitou a exposição prévia para, de fato, construir um "storytelling" robusto sobre questões como a causa LGBTQIA+, empoderamento feminino, meio ambiente e, de modo geral, a política nacional. Confira agora uma linha do tempo da evolução política de Anitta:

2019

No primeiro ano de governo do atual presidente, Anitta ascendia com os acenos à carreira internacional, diversas parcerias em espanhol e o álbum Kisses. Foi também neste ano que o colunista Leo Dias lançou “Furacão Anitta”, uma biografia "não autorizada" sobre a cantora, que teria revisado cada capítulo antes da publicação.

Buscando estar atenta ao que o presidente eleito fazia, ela, como bissexual, questionou o fato de Bolsonaro ter suspendido um edital de séries com temática LGBTQIA+ para TVs públicas.

“Perguntei a eleitores do senhor que não são heterossexuais. Alguns me disseram que o senhor explica tudo em uma live semanal e que as razões eram por conta de verba pública; outros pelo conteúdo ser zero relevante ou de baixo nível; outros me disseram que foi para todo tipo de conteúdo de ‘baixo nível’, não só LGBT; outros não souberam como opinar. Mas então fiquei confusa. Se a questão é verba ou conteúdos de ‘baixo nível’, porque o post do senhor se dirige diretamente à comunidade LGBT e não a todo o conteúdo envolvido como me falaram?”, escreveu em uma foto das redes sociais do político.

Ela continuou no seu dever cívico de cobrar políticos eleitos sobre suas ações: “O acusaram de homofobia e o senhor respondeu não ser homofóbico, mas mencionar apenas a comunidade LGBT em seu post, sem legendas ou explicações, não passa a ideia aos seus seguidores de que conteúdo LGBT deve ser banido? Estimula seus seguidores a pensarem que conteúdo familiar não pode ter menção LGBT assim como vi em alguns comentários aqui. Se a decisão tem outros fatores, porque postar apenas a questão LGBT? Escrevo isso com todo o respeito que se deve tratar um governante político.” A resposta dela foi hostilizada por apoiadores do presidente e pelo próprio Bolsonaro.

No final do ano, a cantora fez um dos seus shows mais importantes da carreira - Anitta subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio e, minutos antes de sua apresentação, o público que lotava a Cidade do Rock fez um sonoro coro xingando o presidente. A manifestação contra o mandatário é comum nesse tipo de evento, mas daquela vez virou o meme “chamando muito Anitta” quando a apresentadora Titi Muller virou o microfone para o público ao vivo durante a transmissão do Multishow, mostrando os protestos contra Bolsonaro.

2020

O ano foi marcado pela disseminação do vírus da Covid-19 no mundo e, pela primeira vez em 100 anos, o planeta parou em uma nova pandemia. Com a necessidade de isolamento social, a artista se dedicou a se aprofundar mais sobre vários temas, entre eles política.

Em março, no início do colapso mundial provocado pelo coronavírus, ela já criticava as primeiras ações do governo. “O coronavírus está acabando com tudo e eles ainda não entenderem que a questão do mundo não é essa? É importante a economia e o turismo. Legal, bacana. Mas cadê a economia agora com a saúde entrando em colapso?”, questionou.

Com o boom das lives, principalmente nas redes sociais, ela fez aulas com a amiga, advogada e comentarista política Gabriela Prioli. Nas conversas, que duravam cerca de uma hora, elas falavam sobre coisas como a diferença entre os três poderes, as instâncias da Federação entre união, estados e municípios e causas sociais como negritude, indígenas e mulheres. Isso pode ser básico para quem é minimamente letrado politicamente, mas para a massa que tem outras preocupações o assunto pode ser, e é, novidade.

Em julho, com mais destaque na mídia internacional, ela começou a criticar o presidente em suas entrevistas para diversos países. Ao E! Latino, Anitta afirmou: “Há muita controvérsia, muita diferença. Para mim, presidente tem que governar para todos, não só para quem pensa como ele, por isso mudaria. O país está repartido em dois, porque o presidente tem suas ideias de que o vírus não é assim tão importante. Então metade segue as regras, que acha que é importante, e a outra metade não. E isso faz com que o nível de contaminação seja maior, assim como o de mortes.”

Já em agosto, as críticas são ao tom agressivo que Jair Bolsonaro (PL) respondia a diversas críticas. “Sempre achei a pessoa que parte pra agressão a maior prova de ignorância mental e de falta de intelecto. Vendo o presidente querer resolver as coisas na porrada acabo de ter certeza da minha teoria. ‘Presidente como vamos resolver o problema de saúde?’ ‘A meto a porrada’ (geral curado); ‘E a educação vamos melhorar como?’ ‘Ah, se não estudar meto a porrada’ (geral formado); ‘Presidente e a economia?’ ‘Ah, mete a porrada em geral’ (geral rico). Top hein, galera... top. #SoQueNao”, compartilhou no Twitter.

2021

O Brasil foi tomado pela terceira onda da pandemia de Covid-19. Com o vírus já mutado, a morte de brasileiros chegou a níveis inacreditáveis e o mundo sentia o primeiro lampejo de esperança: laboratórios anunciavam as primeiras vacinas.

No entanto, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia mostrou que o governo federal atuou para atrasar a compra de imunizantes da Pfizer, além do próprio presidente ter feito diversas declarações contra declarações contra as vacinas.

“Milhões de vacinas recusadas. A morte do Paulo Gustavo e de vários outros brasileiros não foi um acaso. Tinha prevenção e foi rejeitada. Meu Deus, meu Deus", desabafou a artista, em maio, nas redes sociais.

Em junho, Anitta pediu um basta. “500 mil mortes… é sobre FORA BOLSONARO sim! A favor da democracia, da economia, da saúde, da educação, do senso COLETIVO”, compartilhou no Twitter.

Anitta demonstrava estar mais atenta à política nacional depois de meses em casa, estudando e assistindo jornais. Além do conhecimento sobre as ações da Presidência, ela começou a colecionar confrontos também com outros membros do governo, como o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

A artista se portou como uma crítica enfática dos altos índices de desmatamentos que eram registrados mês a mês na região Amazônica e chegou a brigar publicamente com o político nas redes sociais. O confronto gerou um grande desgaste a imagem dele, que deixou a administração após ser acusado pelo governo dos Estados Unidos de supostamente integrar um esquema de exportação ilegal de madeira.

Meses depois, ela respondeu o que considerou um ataque velado de Jair Bolsonaro (PL) durante uma entrevista. “O presidente sabendo mais da minha vida do que da crise ambiental/financeira/etc., etc. do país que ele devia estar cuidando… Bom, estou aqui estudando tudo que posso [para] aprimorar meu trabalho e me fazer crescer. E você? Está fazendo o que além de caçar treta na internet?”, questionou.

2022

O ano começa com a cantora morando nos Estados Unidos e 100% focada na carreira internacional, mas sem esquecer que no Brasil aconteceria uma nova corrida eleitoral pelo Palácio do Planalto. No primeiro trimestre, ela anunciou o lançamento do álbum "Versions Of Me" e se tornou a primeira brasileira, e cantora latina, a emplacar uma música solo no primeiro lugar do ranking mundial do Spotify.

Durante o Lollapalooza Brasil, em São Paulo, o partido político do presidente chegou a entrar com uma manifestação no Tribunal Superior Eleitoral contra o festival após uma manifestação política de Pabllo Vittar em apoio a Lula. Uma multa foi estipulada pelo órgão a futuros comentários nos palcos do evento e Anitta se prontificou a quitar os débitos para garantir a liberdade de expressão de artistas.

Na mesma época, ela e outros artistas se engajaram na campanha do Tribunal Superior Eleitoral, que convocava jovens de 16 a 18 anos para se registrarem na Justiça Eleitoral a tempo de votar nas eleições de 2022. O movimento resultou em um número recorde de novos eleitores jovens que votarão pela primeira vez.

Com críticas duras as ações de governo federal, Anitta também decidiu parar de citar o nome de Jair Bolsonaro em entrevistas e escolheu o pseudônimo Voldemort, o vilão da saga “Harry Potter”, para nomeá-lo. Ela também o bloqueou nas redes sociais para que ele não pudesse usar sua conta para ganhar engajamento ou publicidade de alguma forma.

Durante sua participação no MET Gala, o evento de moda mais importante do mundo, conversou com o ator e ativista do meio ambiente Leonardo Dicaprio sobre os problemas da área no Brasil.

Um dos pontos mais recentes da participação da artista na corrida eleitoral vindoura é o apoio público à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao cargo de líder do Executivo nacional. Para tal, ela ressaltou que não apoia o partido que ele ocupa e gostaria de uma outra opção viável de voto nas eleições que acontecem em outubro deste ano, mas encara o petista como a única possibilidade real de derrotar Bolsonaro.

Desde então militante da campanha do presidente, ela levou o nome e seu número para suas conquistas internacionais, como o VMA, nos Estados Unidos, e o show no Rock in Rio Lisboa, em Portugal. Além de comentar o que acredita sobre a política de Bolsonaro nas entrevistas que deu durante a turnê na Europa, ela também repudiou com veemência a escalada da violência política no Brasil.

É inegável que Anitta chega ao pleito de 2022 mais influente e mais segura quanto a seus posicionamentos do que mostrou no vídeo irritadiço compartilhado nas redes sociais em 2018. E se na época ela já disse que "além de se posicionar com uma hashtag, as nossas atitudes também mostram a nossa luta contra o preconceito, o racismo, o machismo, a homofobia", hoje isso nunca esteve tão claro.

Consistente em seus propósitos e no que deseja para a nação, a cantora assumiu um papel importante parra impulsionar o engajamento político dos brasileiros. Espera-se que ela continue vigilante com quem for proclamado presidente pelos próximos quatro anos.