Elefante-marinho é flagrado na Praia do Arpoador; veja vídeo

Hellen Guimarães
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Elefante-marinho nadou em meio aos surfistas
Elefante-marinho nadou em meio aos surfistas

RIO - Por enquanto, em virtude do novo coronavírus, as águas das praias do Rio só estão liberadas para atividades esportivas individuais. Um visitante ilustre resolveu praticar natação na Praia do Arpoador na manhã desta segunda e, embora não tenha infringido qualquer regra, fez a festa dos surfistas e dos banhistas que estavam no local. Trata-se de um elefante-marinho, cujas imagens rapidamente viralizaram nas redes sociais.

— Hoje, no Arpoador, eu tive uma sorte imensa. Recebemos uma visita muito especial e inusitada: um elefante-marinho. Não sei se estava machucado, perdido... talvez, pois ali não é nada comum esses animais aparecerem. Mas todos que estavam lá respeitaram o animal e ficaram curiosos, normal, e o bicho pegou uma marola enquanto nadava, mas saiu. Espero que não se machuque. E, sim, foi emocionante — escreveu em seu Instagram a fotógrafa Helena Barreto, que estava lá a trabalho e flagrou o animal.

O mamífero recebe esse nome pelo formato do nariz, que lembra uma tromba, e é facilmente confundido com o leão marinho. Além de o elefante-marinho não ter orelhas, a diferença principal é sua locomoção, apoiada na superfície ventral — ao contrário da dos leões marinhos, sustentada nas nadadeiras.

De acordo com o biólogo Izar Aximoff, doutor e especialista em mamíferos, esta não é a primeira vez que um elefante-marinho dá o ar da graça no litoral do Rio em 2020.

— Em março, um filhote com cerca de um ano de idade foi visto nas areias da Praia da Barra, na Zona Oeste. Em abril, um filhote apareceu na de Ponta Negra, em Maricá. E, em maio, um indivíduo foi avistado no costão rochoso da Praia Grande. O de hoje parece ser jovem — disse.

Segundo Aximoff, a espécie, de nome Mirounga leonina, é a maior representante do grupo dos pinípedes, superfamília de mamíferos aquáticos que inclui ainda focas, leões-marinhos, lobos-marinhos e morsas. Os machos podem atingir quase 5 metros de comprimento e 3,5 toneladas. Já as fêmeas chegam à metade deste tamanho.

O biólogo explicou que a ocorrência dos pinípedes no Rio está relacionada ao intenso fluxo para o norte da Corrente Malvinas durante o inverno. No Atlântico Sul, eles se reproduzem na Península Valdéz, na Argentina, e na ilha Juan Fernandes, no Chile.

— Entre 1954 a 2008, foram identificados 46 registros de M. leonina distribuídos em oito estados costeiros do Brasil. A maior parte dos animais (81,2%) eram do sexo masculino. Mais de 70% dos registros ocorreu durante o outono e o inverno. As espécies mais comuns registradas na costa do estado do Rio são os lobos marinhos, seguidas pelos leões marinhos — lembrou.