Elas sentiram na pele e só passaram a se proteger do sol após câncer

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Estima-se que o Brasil tenha registrado 165.580 novos casos de câncer de pele em 2018, além de outras 6.260 ocorrências de melanoma (um tipo de câncer de pele bem mais agressivo), segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer). Mas, ainda que muitos acreditem tratar-se de uma doença inofensiva, em 2015, 3.742 brasileiros morreram (1.948 vítimas do câncer de pele não melanoma; e 1.794 vítimas do melanoma).

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Confira abaixo a história de três mulheres que sentiram na pele esse drama e só passaram a se proteger melhor do sol após o diagnóstico do câncer.

“Transformei o sol em meu aliado” , Paola Massari, 51, administradora

Arquivo Pessoal

“Por muitos anos, o sol representou para mim saúde, vida e, principalmente, beleza. Quanto mais sol, mais saudável e charmosa pensava estar. Não à toa a proteção me parecia desnecessária, apesar de minha mãe ter tido metástase por causa de um melanoma. Até que, em 2012, uma pinta desforme em minha coxa me fez procurar um dermatologista, que, na época, disse não ser nada. Portanto, por mais dois anos, segui tomando o meu sol.

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Mas, em 2014, após uma consulta a outro especialista –desta vez, para fins estéticos–, a suspeita de que aquela mesma pinta poderia ser grave. Sai do consultório com uma carta de encaminhamento para um hospital especializado em câncer com a indicação de suspeita de melanoma maligno.

A palavra ‘maligno’ me deixou em pânico e me abalou muito. Nunca tinha me sentido tão vulnerável e com a certeza de que ‘não tinha domínio de tudo’ como achava ter. Angústia que se prolongou até a confirmação da biopsia e o fim do tratamento –que incluiu a retirada da pinta e a cirurgia de ampliação das margens, mas que dispensou as terapias quimioterápicas.

A doença me impossibilitou de fazer o que mais gostava — que era tomar sol–, além de me obrigar a mudar os hábitos de uma vida inteira. O mais difícil, porém, foi saber que aquele descuido me impediria de ser doadora de órgãos — uma causa que sempre defendi, principalmente por ter um filho portador de uma doença rara, que pode vir a demandar um transplante de pulmão.

Mas a vida se adapta a tudo. Parei de fumar e transformei o sol em meu aliado. Passei a usar diariamente protetor solar, além de evitar lugares abertos em horários de pico e aderir às roupas com protetor UV.”

“Passei quase um ano me escondendo do sol”, Soraia Nakano, 37, designer de joias

Arquivo Pessoal

“Nunca tinha ouvido falar do melanoma até descobrir ter um. Uma descoberta muito por acaso. Em uma viagem de férias, meu marido notou uma pinta com uma coloração muito estranha na lateral da minha coxa direita. Por um bom tempo, ignorei a recomendação dele de procurar um dermatologista, por não ver necessidade em tirar uma simples pinta para ganhar uma cicatriz no lugar.

Mas acabei sendo vencida pela insistência dele e procurei um especialista, que fez a extração da pinta e, ao dar o prognóstico, me alertou sobre os riscos do melanoma. Voltei da consulta chorando e a primeira coisa que fiz foi buscar mais informações sobre a doença.

É muito aflitivo você estar bem fisicamente –sem qualquer dor–, mas com a possibilidade de ter um câncer espalhado pelo seu corpo. E até eu receber o resultado da biopsia, não consegui me desvencilhar dessa sensação. Mas tive a sorte de a doença ter sido detectada no estágio inicial.
Ainda assim, eu que sempre adorei a vida ao ar livre, passei quase um ano me escondendo do sol. Mas percebi que não podia parar de viver e, aos poucos, fui aprendendo que é possível manter uma convivência com o sol de maneira harmônica, basta se proteger. Além do protetor solar, passei a adotar o uso de chapéus e de óculos. E as minhas opções de viagens passaram a ser focadas no inverno.”

“Basta consciência e atitude”, Manuelle Berger, 33, empresária

Arquivo Pessoalc

“Cresci em Florianópolis e passei a minha adolescência na praia surfando. Sempre achei que passar uma única vez no dia o protetor era mais do que suficiente, mas, aos 25 anos, percebi que estava enganada. Foi nessa época que uma incomoda pinta nas costas me forçou a ir ao dermatologista, que diagnosticou o melanoma –doença que meu pai e minha vó também tiveram.

Muito mais do que surpresa, fiquei em choque. Saber que se tratava de um câncer grave, que pode sim dar metástase, colocou o meu mundo abaixo. Afinal de contas eu estava finalizando a faculdade e ainda tinhas muitos sonhos para realizar. Mas, mesmo assim, a vida seguiu o fluxo normalmente. E dois anos depois acabei descobrindo o segundo melanoma, que me abalou ainda mais.

Por neura, passei um bom tempo bem distante do sol. Tinha muito medo de qualquer que fosse a exposição. Deixei até de ir a praia – algo que sempre gostei. Mas esse medo foi perdendo força até que percebi que consciência e atitude eram suficientes para me proteger. E cuidados que antes via como frescura, passaram a ser incorporados em minha rotina.”

Como se proteger
Ainda que a genética também seja um fator de risco para o câncer de pele, é importante ficar atento à exposição prolongada e repetida aos raios ultravioletas ao sol, principalmente na infância e na adolescência, como aponta Selma Helene, dermatologista da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

É essencial passar protetor solar diariamente e na quantidade exata. Não dá para querer economizar”, alerta Rodrigo Munhoz, oncologista especialista em tumores cutâneos pelo Hospital Sírio Libanês. Segundo ele, o indicado é uma colher de chá de protetor solar no rosto, no braço e no antebraço, bem como duas colheres de chá de protetor para a parte da frente do tronco, para a parte de trás e também para cada uma das pernas.

“O ideal é que a proteção seja aplicada 30 minutos antes da exposição ao sol e que seja reaplicada a cada duas horas. Tempo que deve ser encurtado caso o usuário transpire muito ou tenha acesso a água”, acrescenta Munhoz. “Não existe nenhum tipo de queimadura [bronzeado] que não cause dano à pele. Qualquer vermelhinho é indicação de falha na proteção“.

E o uso do protetor solar não deve se restringir ao verão. “Um estudou recente indicou que a radiação ultravioleta no inverno em São Paulo equivalente ao verão de Paris”, aponta o dermatologista.

Mas, como destaca Helene, os cuidados não devem se restringir única e exclusivamente ao protetor solar. “Não adianta o sol sempre acaba ganhando do protetor solar. Portanto, é preciso aliar essa medida a outros tipos de proteção, que inclui o uso de roupas com UV ou roupas mais escuras. Sempre que possível, prefira a sombra. É bom também evitar a exposição ao sol nos horários de pico [das 10h às 15h].”

Sol não é inimigo, basta aproveitá-lo com certa parcimônia, enfatiza Munhoz.