Elas largaram emprego e carteira assinada para abrir o próprio negócio

Por Thaís Sabino (@thaissabino)

Emprego com registro em carteira, salário todo mês na conta bancária, férias, 13º e outros benefícios que cinco mulheres jogaram para o ar para realizar um sonho. Elas passaram anos trabalhando sem realmente encontrar paixão pelo o que faziam. A transição para o empreendedorismo veio sem muitos planos, chegou aos poucos e foi tomando espaço na rotina até o momento em que elas decidiram abraçar a ideia. Se foi fácil? Elas disseram que “não”, mas fariam tudo de novo.

O principal desafio para começar o próprio negócio, segundo a coach Carol Padilha, é sentir segurança para tomar a decisão, pois não existem garantias. Carol trabalhou oito anos para empresas de marketing e cultivou por um longo tempo o desejo de “ser dona do próprio tempo”. “Eu sentia que estava desperdiçando a minha vida”, disse. Para a química Cibele Cecotti, o processo levou nove anos. “O salário me prendia, mas ao mesmo tempo me fazia sentir escrava do sistema”, contou ela que era coordenadora na Unilever e largou tudo para começar uma marca de bolsas.

Provar que a ideia é um potencial de negócio é essencial, continuou Cibele. E, para isso, além de pesquisa, pode ser necessária a ajuda das pessoas próximas. No caso da advogada Mariana Camargo, o apoio da família foi importante para poder parar de “pingar de escritório em escritório” e investir em uma paixão que já ocupava quase todo o tempo da rotina: iniciar uma marca de roupas plus size. “Tive que reconhecer que precisava de ajuda e que sozinha não conseguiria, ou levaria mais tempo”, disse Mariana. Já a produtora cultural Manu Guimarães teve a insistência de uma amiga para criar uma startup em produção artística.

Ao mesmo tempo em que amigos e familiares podem estender a mão, a consultora de estilo pessoal Amanda Moré alertou para as críticas alheias sobre largar tudo e abrir o próprio negócio. “Somos criados para escolher uma profissão, arrumar um emprego e ficar nele até se aposentar. Muitas pessoas não entenderam porque eu estava migrando para uma carreira completamente diferente e como eu poderia pedir as contas durante a crise”, explicou. Mas Amanda estava determinada, deixou para trás o histórico profissional na área de desenvolvimento de produtos, na qual já estava há 10 anos, para “facilitar a relação das pessoas com o guarda-roupa”, como ela resumiu.

Ter o próprio negócio não implica em trabalhar menos. Mariana atende clientes aos finais de semana, quando necessário. Manu tem que acordar cedo a contragosto e Carol teve que focar em disciplina para ser produtiva. Mas são elas que ditam as próprias regras, segundo Cibele. Carol tem tempo para se excercitar, passear com o cachorro, encontrar os amigos (…). Amanda almoça em casa sem pressa. Manu tem finais de semana de folga, hobbies e consegue conciliar o trabalho com a paixão de andar de bicicleta. Elas são mais felizes.

Carol Padilha, do marketing ao coaching

Sou formada em Propaganda e Marketing e trabalhei nessa área por oito anos. Durante esse tempo, pensei em abrir meu negócio, mas não tinha certeza, então ficava apenas no campo das ideias. Minha maior motivação era ser dona do meu próprio tempo.

Fiz um processo de coaching para me conhecer melhor e descobri que esse era o negócio que me faria uma pessoa realizada. Me formei e abri a empresa Busque Seu Sonho. Realmente gosto de ser empreendedora e a área de desenvolvimento pessoal me fascina. O maior desafio foi ter disciplina e criar uma rotina produtiva sem cair na velha regra das 8h às 18h. Empreender é você lutar diariamente pelo seu sonho.

Carol Padilha (Foto: Arquivo Pessoal)
Carol Padilha (Foto: Arquivo Pessoal)

Mariana Camargo, do Direto à moda plus size

Trabalhei em grandes escritórios e em multinacionais, mas sentia que não pertencia a esses lugares. Foram 10 anos pingando de escritório em escritório, em um ambiente competitivo e desestimulante. Meu ponto de virada foi meio sem querer, depois que compartilhei um desabafo nas redes sociais sobre moda plus size.

Ganhei um curso de consultoria de estilo e comecei a atuar em paralelo à advocacia. As portas se abriram, comecei a escrever uma coluna, a me envolver em eventos de moda, a conversar com pessoas e foi aí que surgiu a ideia de criar uma marca de jeans: a Clamarroca. Enxerguei nas minhas clientes o meu próprio armário. Apostei todas as fichas e acabei acertando em cheio.

Mariana Carmago (Foto: Arquivo Pessoal)
Mariana Carmago (Foto: Arquivo Pessoal)

Cibele Cecotti, da Química à fabricação de bolsas

No último ano de faculdade, concorri a uma vaga de estágio na Unilever e fui aprovada. Naquela época, estava feliz por entrar em uma multinacional. Em um ano, fui promovida à coordenadora. Mas desde o meu ingresso na empresa, sentia que não me encaixava realmente. O sonho do negócio próprio foi crescendo ao longo do tempo e a decisão veio depois que tive minha primeira crise de depressão.

Comecei a trabalhar em projetos particulares como forma de terapia, aos poucos fui construindo o conceito e testando a proposta, e hoje faço bolsas exclusivas em parceria com a cliente. Continuo trabalhando bastante, mas com outro propósito. Crescer é importante, mas dessa vez eu dito as regras.

Bolsa da marca de Cibele Cecottu (Foto: Arquivo Pessoal)
Bolsa da marca de Cibele Cecottu (Foto: Arquivo Pessoal)

Manu Guimarães, da produção à própria startup

Trabalho com produção cultural há 15 anos e já atuei em várias partes do Brasil. Uma amiga próxima começou a dizer que eu tinha experiência e capacidade para empreender, mas ela levou muito tempo para me convencer. As coisas foram acontecendo e há um ano montei minha startup.

Minha vida está milhões de vezes melhor em vários aspectos. Sou mais dedicada, interessada e aplicada. Consigo controlar meus horários. Se trabalho, ganho, se não trabalho, não ganho, então, trabalho.

Manu Guimarães (Foto: Arquivo Pessoal)
Manu Guimarães (Foto: Arquivo Pessoal)

Amanda Moré, do desenvolvimento de produtos ao guarda-roupa

Trabalhei por 10 anos na indústria de alimentos na área de desenvolvimento de produto. Diante de tantas coisas que acontecem no mundo corporativo que eu não concordo, percebi que não adiantava mudar de emprego, a mudança teria que ser maior. Fiz cursos focados em consultoria de estilo enquanto ainda estava trabalhando e na fase de transição levei as duas carreiras.

Depois que atendi minha primeira cliente, tive certeza de que era aquilo que eu queria fazer da minha vida. Em março no ano passado consegui sair e me dedicar somente à consultoria. Lembro que naquele 18/03 eu trabalhei até 17h30 e segui para minha vida de empreendedora que eu tanto sonhava.

Amanda Moré (Foto: Arquivo Pessoal)
Amanda Moré (Foto: Arquivo Pessoal)
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