Eficácia da CoronaVac ficou abaixo dos 90% em testes no Brasil, diz secretário da Saúde de São Paulo

Redação Notícias
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SAO PAULO, BRAZIL - DECEMBER 23: Sao Paulo state Health Secretary, Dr. Jean Gorinchteyn (L) speaks next to Joao Gabbardo (R), Executive Coordinator of the Covid-19 Contingency Center in Sao Pauloduring a press conference about the conclusion of the CoronaVac vaccine clinical study at Butantan Institute on December 23, 2020 in Sao Paulo, Brazil. According to the Butantan Institute and the Government of Sao Paulo, the CoronaVac vaccine developed in partnership with the Chinese laboratory Sinovac reached an efficacy rate higher than the minimum recommended by WHO (World Health Organization). The official release of the vaccine's efficacy numbers will be published after the Chinese laboratory unifies data from studies in other countries to avoid different indices. (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)
Secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, durante entrevista coletiva sobre a conclusão do estudo clínico da vacina CoronaVac no Instituto Butantan em 23 de dezembro. (Foto de Alexandre Schneider / Getty Images)

A CoronaVac, vacina desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa chinesa Sinovac Biotech, não atingiu o patamar de 90% de eficácia contra a Covid-19 nos testes realizados no Brasil, confirmou o secretário estadual de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn.

“Para se ter uma ideia, a vacina da gripe tem uma variação, dependendo de cada uma das faixas etárias, de proteção, que vai de 40% até 80% em determinados grupos. Então, nós sabíamos que a efetividade jamais atingiria 90%. Mas o que nós não imaginávamos é que a empresa queria, e objetivava, uma unicidade, um resultado muito próximo em todos os países, e não somente em um ou outro país”, disse Gorinchteyn, em entrevista a Rodrigo Bocardi, no programa Ponto Final da CBN.

A declaração foi feita após a Turquia anunciar, nesta quinta (24), que a CoronaVac teve eficácia de 91,25% contra o novo coronavírus nos testes realizados no país.

O governo de São Paulo pretendia divulgar na quarta-feira (23) os dados sobre a eficácia da CoronaVac, além de encaminhar no mesmo dia o pedido de registro definitivo e de uso emergencial à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Porém, após decisão contratual da farmacêutica chinesa Sinovac em atrasar a divulgação dos números, o resultado preciso da eficácia foi adiado para daqui 15 dias. Mesmo assim, o governo estadual garantiu que o “atraso não altera a produção, nem o programa de imunização”.

Nesta quinta-feira, o governo turco oficializou que os testes da CoronaVac por lá apontaram uma eficácia de 91,25% contra o vírus da Covid. Os resultados obtidos no país são fruto de análises preliminares e foram obtidos em testes com uma amostra de voluntários menor.

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Em nota, o Instituto Butantan disse que “não comenta informações relativas a contratos da Sinovac com outros países”.

“[Nos testes do Butantan] Não atingiu 90% e, mesmo não tendo atingido isso, valores menores, esses valores menores já nos dão, que é acima de 50%, nós não sabemos o quanto acima de 50%, se foi 60%, 70% ou 80%, mas eles estão em níveis que nos permitem fazer uma redução de impacto de doença na nossa população”, completou Gorinchteyn.

Além do Brasil, a CoronaVac também está em fase de testes finais em outros quatro países: Turquia, China, Indonésia e Chile.

Os pesquisadores turcos disseram, segundo a Reuters, que é “provável que a taxa aumente com base em dados de testes em estágio avançado”. Os cientistas também garantiram que nenhum sintoma importante foi detectado durante os testes da fase 3 da CoronaVac na Turquia, exceto por um voluntário que apresentou reação alérgica.

CORONAVAC NO BRASIL

Apesar do adiamento, as autoridades paulistas garantiram, no entanto, que a eficácia da vacina ficou acima dos 50% exigidos para que uma vacina seja considerada eficiente.

O pedido de uso emergencial à Anvisa será apresentado depois que a Sinovac consolidar os dados para que se tenha um índice de eficácia único da vacina.

Inicialmente, a previsão das autoridades de saúde de São Paulo era de anunciar a primeira leitura da eficácia da vacina na primeira semana de dezembro. A data foi adiada para 15 dezembro e, posteriormente, transferida para esta quarta.

Apesar do atraso, as autoridades paulistas mantiveram a previsão de iniciar a vacinação com a CoronaVac em 25 de janeiro, conforme anunciado no início do mês.

Mais de 3 milhões de doses da CoronaVac já estão no Brasil e, até o final do ano, o Butantan afirma que terá no país 10,8 milhões de doses do imunizante.

A previsão do Butantan é de ter em janeiro 46 milhões de doses da vacina --aplicada em duas doses com intervalo de duas semanas entre elas. Para o mês de maio, a estimativa é de ter no Brasil 100 milhões de doses.

O Ministério da Saúde afirmou na semana passada que incluirá toda a produção da CoronaVac no Brasil --o Butantan está envasando o potencial imunizante em suas instalações-- no Programa Nacional de Imunizações (PNI), desde que ela seja registrada pela Anvisa.