Você pode aprender sobre educação sexual… no TikTok!

Marcela De Mingo
·4 minuto de leitura
Couple kissing.
Couple kissing.

O TikTok ainda é um ponto da internet desconhecido para muitos, mas ele já provou que não só pode ser uma ferramenta de protesto político como o lugar onde as principais tendências que vemos em outras redes nascem. Agora, descobrimos também uma nova utilidade para ele: ser uma ferramenta de educação sexual.

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Falar sobre sexo não é simples, mas deveria ser. A boa notícia é que muitos profissionais têm descoberto novas maneiras de fazerem isso sem cair em clichês por meio do TikTok e suas várias funcionalidades, o que tem gerado uma democratização da informação.

A ginecologista norte-americana Dra. Jennifer Lincoln usava o Instagram, principalmente, para falar com o seu público sobre questões básicas e as necessidades de mulheres millennials, que se questionavam muito sobre gravidez. No entanto, ela foi encorajada pelos amigos a explorar o TikTok e ficou chocada com o resultado do seu primeiro conteúdo por lá, um vídeo simples que responde algumas perguntas, como "Eu tenho que transar se o meu namorado pede?".

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Originalmente, o TikTok tirou o vídeo do ar, mas quando Jennifer repostou a peça, conseguiu um número de visualizações tão grande que, bem, ele continua por lá até hoje - e já angariou mais de 270 mil likes e 700 comentários. Desde então, ela cresceu até a marca de um milhão de seguidores na plataforma e passou dos 16 milhões likes com os seus vídeos, em que tira dúvidas e dá orientações sobre questões básicas relacionadas a sexo e à saúde da mulher.

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"Eu vejo o TikTok como uma extensão do que eu já faço no meu trabalho", disse ela ao Bustle. "Mas eu posso fazer isso de um jeito muito mais efetivo porque eu tenho mais tempo e eu posso falar sobre assuntos que as pessoas podem ter muita vergonha de perguntar no consultório ou no hospital."

Ela não é a única. Com mais de um milhão e meio de seguidores, a Dra. Staci Tanouye também faz vídeos educativos e divertidos na rede, com a justificativa de que consegue alcançar muito mais pessoas do que jamais atendeu no seu consultório.

Para ela, a vantagem é poder responder perguntas que os jovens, principalmente, não têm coragem de perguntar no consultório - isso sem contar a dificuldade de acesso. Ao contrário do Brasil, que tem o Sistema Único de Saúde, os Estados Unidos não contam com um sistema de atendimento médico gratuito para o público geral. Hospitais e clínicas são todos particulares, e o preço cobrado por consulta é bastante caro.

Outro ponto que ambas médicas levantam é a possibilidade de ensinar informações credíveis de forma simples para esses jovens, já que a desinformação sobre tópicos populares, como o uso de anticoncepcional, costuma correr muito rápido na internet.

“Dança da candidíase" e músicas educativas

E no Brasil? Bem a tendência já chegou por aqui, o que significa que não é preciso saber inglês para aprender de forma divertida pela rede. Recentemente, o médico ginecologista Dr. Norberto Maffei Jr viralizou com um vídeo divertido em que explica sobre a candidíase e tranquiliza as pessoas sobre a possibilidade de tratamento e cura da doença.

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Além dele, outros médicos ginecologistas, sexólogos e até psicólogos têm explorado a rede social como uma forma de passar informação de qualidade para um público que é curioso, vive dentro da plataforma, mas não sabe onde sanar as próprias dúvidas. Ela tem sido, inclusive, uma ferramenta potente para ensinar também sobre tópicos mais sérios relacionados à educação sexual, como o abuso infantil, a diferença entre assédio e elogio e até estupro.

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Considerando o momento em que vivemos, em que o conservadorismo tem demonstrado certa força e podando o discurso educativo em relação ao sexo e ao conhecimento do próprio corpo, o trabalho desses profissionais é imprescindível. Até porque, se não aprenderem sobre ele com responsabilidade por meio de profissionais de confiança, com certeza esses jovens vão ao Google pesquisar sobre o assunto - e o que podem aprender por lá nem sempre é verdadeiro ou saudável. A visão tóxica e violenta que os homens tem do sexo, por exemplo, é um exemplo disso, fruto de um ensino autônomo que muitas vezes começa (e termina) no pornô.

Ou seja, para quem tem dúvidas que sempre teve vergonha de perguntar e pessoas dispostas a responder de uma forma descomplicada, divertida e sem tabus, o TikTok parece, mesmo, o melhor lugar para se estar.