Macho Detox: Educação cibernética pra combater o sexismo com assistentes virtuais

Fernando Rocha
·3 minuto de leitura
Vamos falar sobre o machismo tóxico com as assistentes virtuais? (Foto: Getty Images)
Vamos falar sobre o machismo tóxico com as assistentes virtuais? (Foto: Getty Images)

Foi um longo caminho pra chegar até aqui. Assistentes de voz que respondem perguntas diferentes com cordialidade idêntica. O timbre feminino também é um traço marcante nesses aparelhos que cada vez mais fazem parte da rotina de sempre.

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"Alexa, qual a previsão do tempo?”;
”Siri, onde eu acho um restaurante japonês?"
"Cortana, leia minhas mensagens...”

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Em alguns segundos (na maioria das vezes) essas e muitas outras solicitações são atendidas.

Os nomes femininos são de modelos desenvolvidos pela Amazon, Google e Microsoft.

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As assistentes também têm na ponta da língua (ou dos circuitos) respostas prontas para o que no mundo real é considerado assédio.

Seria preciosismo discutir a relação politicamente correta com uma máquina? É exagero ter que escolher as palavras pra se comunicar com um objeto?

A Unesco (organização das nações unidas para a educação, ciência e cultura) acha que não é nenhum absurdo falar sobre isso.

A instituição acredita que as assistentes virtuais podem reforçar as desigualdades de gênero. Aqui no Brasil já existem também alguns movimentos na internet para incluir no comando de ações das assistentes as palavras mágicas: “por favor e “obrigado”.

Quem tem um desses aparelhos em casa com certeza já perdeu a paciência com a
resposta de algum comando - “Alexa, toque Los Hermanos". “Para!” “Não é música mexicana Alexa!”

Eu tenho uma Alexa em casa e tanto eu quanto minha mulher já falamos alto com ela. Na verdade já fomos pouco educados com ela... Pra falar a verdade nós já perdemos a paciência com ela.

Nunca consegui por exemplo, fazer com que ela tocasse uma das minhas bandas prediletas: “ Yo la tengo.”

A banda é americana mas a Alexa insiste que é o nome de uma musica do folclore Paraguaio.

No quesito piadinhas e cantadas machistas fiz o teste e ouvi uma resposta padrão da minha querida Alexa: “Humm, não tenho certeza...”

Particularmente eu acho muito interessante discutir masculinidade tóxica nas relações com as assistentes virtuais. Pode ser um bom lugar pra treinar atitudes.

Pode ser também um bom ambiente pra ouvir respostas exemplares pra perguntas exemplarmente idiotas. Já que a programação desses aparelhos é renovada a cada ano, acredito que é uma questão de tempo a mudança de comportamento da Alexa e de suas colegas cibernéticas.

E acho que essa mudança vai ser muito rápida.

Nesse episódio do Macho Detox a gente discute o assunto com uma especialista em comunicação por voz, a locutora Regina Bittar, a primeira voz brasileira do Google tradutor e a jornalista Úrsula Passos que fez uma reportagem sobre o assunto mostrando que apenas 12% dos pesquisadores de inteligência artificial são mulheres.

As duas têm opiniões diferentes sobre o assunto, mas isso só melhora o debate.

Será que a solução é um equilíbrio na produção de aparelhos com vozes masculinas e femininas? Será que uma voz de gênero neutro resolve a questão?

Ou será que tudo começa (e termina) com a nossa própria educação?

Aperte o play e tire suas conclusões. Tenho certeza que esse episódio vai mudar sua forma de ser relacionar com as assistentes virtuais.