Eduardo Bolsonaro volta a atacar jornalista após ser condenado pela Justiça a indenizá-la

Redação Notícias
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PIRASSUNUNGA, BRAZIL - DECEMBER 04: Federal Deputy Eduardo Bolsonaro looks on during a swearing-in ceremony  for new air force cadets on December 4, 2020 in Pirassununga, Brazil. The ceremony is considered the most important of the year at AFA (Brazilian Air Force Academy) and marks the end of the four years of aviation, stewardship and infantry courses. (Photo by Rodrigo Paiva/Getty Images)
Em 2019, Eduardo Bolsonaro já havia difamado Campos Mello, afirmando que ela difunde fake news e que havia se insinuado sexualmente para River. (Foto: Rodrigo Paiva/Getty Images)

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) ignorou a decisão da Justiça de São Paulo e voltou a atacar a jornalista Patrícia Campos Mello, repórter e colunista do jornal Folha de S.Paulo. Em janeiro deste ano, o parlamentar foi condenado a indenizá-la em R$ 30 mil por ofensas proferidas durante uma transmissão ao vivo.

Nesta semana, Eduardo voltou a repetir as acusações sem provas feitas contra a jornalista por Hans River, ex-funcionário de uma empresa investigada por ter feitos disparos em massa ilegais de mensagens no WhatsApp para beneficiar o então candidato Jair Bolsonaro na campanha de 2018.

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Campos Mello foi a autora de uma série de reportagens que apontou a existência do esquema, sendo, em seguida, perseguida e atacada pelos bolsonaristas.

"Hans River disse que ela (Campos Mello) tentou seuduzir ele (sic) para ter acesso ao laptop dele e procurar emails que pudessem corroborar a matéria dela. Aí a lacrosfera disse que isso era machsimo. A mulher não pode tentar seduzir o homem? Em vez de ela vir na CPMi das Fake News e sob juramento desmentir o Hans River, o que ela fez? Ela processou a mim, ao meu pai, porque a gente falou 'do furo da Patrícia Cmapos Melo' e ela fica (dizendo) 'não pode usar de sarcasmo, não pode ficar fazendo piadinha'. Por que não pode? Eu tenho imunidade parlamentar e estou falando sobre um fato que tem a ver com o meu trabalho", afirmou o deputado, em entrevista a um canal no YouTube.

A CONDENAÇÃO DE EDUARDO

Em 2019, Eduardo Bolsonaro já havia difamado Campos Mello, afirmando que ela difunde fake news e que havia se insinuado sexualmente para River.

A jornalista ajuizou a ação por uma declaração dada pelo filho do presidente que afirmou que Campos Mello “tentava seduzir [fontes jornalísticas] para obter informações que fossem prejudiciais a Bolsonaro". O deputado ainda compartilhou as alegações em suas redes sociais.

A defesa da jornalista também alega que o deputado já havia imputado esse tipo de acusação contra a jornalista em 2018, quando fez insinuações de cunho sexual envolvendo Campos Mello e um personagem de uma matéria que revelava práticas de crimes digitais durante as eleições de 2018.

Na sentença, o juiz entendeu que as falas de Eduardo ofenderam a honra de Campos Melo “posto que o requerido lhe imputou, falsamente, (a) a prática de fake news e, via consequência, a conquista de uma promoção no trabalho e (b) que teria se insinuado sexualmente para obter informações do seu interesse", segundo trecho divulgado pelo “Jota".

O magistrado também negou poder de imunidade parlamentar a Eduardo Bolsonaro, prevista no artigo 53, da Constituição da República, já que ela não atingiria “eventuais ofensas praticadas sem qualquer relação com o mandato em exercício”.

Na visão do juiz, as publicações feitas pelo deputado transbordaram limites do direito do outro, ofendendo a honra da jornalista e “colocando em dúvida, inclusive, a seriedade do seu trabalho jornalístico e de sua empregadora”.