Eduardo Bolsonaro compara Ustra a Herzog e diz que veto a instituto é técnico

MÔNICA BERGAMO
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*ARQUIVO* BRASILIA, DF, 20.07.2020 - O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, 20.07.2020 - O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) comparou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos principais símbolos da ditadura militar no Brasil, ao jornalista Vladimir Herzog, morto pelo regime em 1975.

O parlamentar, filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), fez a comparação ao compartilhar publicação do secretário especial da Cultura, Mario Frias, que criticava matéria publicada pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, nesta sexta (12) sobre o governo federal reprovar plano anual do Instituto Vladimir Herzog na Lei Rouanet.

"Se fossem dar Rouanet para um Instituto de nome Brilhante Ustra diriam é ideologização e etc. O governo é técnico, ponto. Aplica a lei", escreveu Eduardo em publicação no Instagram.

O projeto de plano anual do Instituto Vladimir Herzog para o ano de 2021, que buscava aprovação na Lei de Incentivo à Cultura, o novo nome da Lei Rouanet, foi reprovado pela Secretaria Especial da Cultura do governo federal. Essa é a primeira vez, em dez anos, que um plano anual da instituição é rejeitado.

Ivo Herzog, filho de Vladimir Herzog, rebateu o deputado. "Como homem público, deveria fazer jus ao cargo que ocupa e ao salário que pagamos a ele", afirmou em mensagem enviada à reportagem.

"1) ao escrever isto ele pode ser ignorante, ou seja, não ter conhecimento das nossas atividades. As mesmas são públicas. 2) burro. Não sabe a definição de cultura. 3) simplesmente mal-intencionado. Pelo histórico dele, acho que vale as 3 alternativas acima", completou Ivo.

O instituto diz que o projeto foi indeferido sem a apresentação de qualquer parecer que demonstrasse a fundamentação legal para a decisão e que já foi solicitado que a pasta envie os documentos que embasam a determinação.

“Estamos cobrando transparência sobre esse processo. Vamos analisar as motivações e recorrer dessa decisão absurda”, diz Rogério Sottili, diretor-executivo do instituto. A secretaria não quis responder.

Após a publicação da nota, no entanto, o secretário Mario Frias postou texto nas redes sociais afirmando que "esta é a primeira vez, em dez anos, que se aplica a legislação de forma correta".​