'É preciso parar esse cara', diz Tasso Jereissati sobre CPI da Covid contra Bolsonaro

Redação Notícias
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Senador Tasso Jereissati participa de reunião da Executiva Nacional do PSDB, para avaliação do resultado das eleições e definição da posição partidária frente ao segundo turno na eleição presidencial e nos estados.
Senador Tasso Jereissati participa de reunião da Executiva Nacional do PSDB (Foto: Agência Brasil)

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou nesta segunda-feira (1º) em entrevista ao Estadão que é “preciso parar esse cara”, referindo-se ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O parlamentar defende a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a conduta de Bolsonaro na pandemia da Covid-19.

“Estou pedindo ao Senado, com receio de que teremos dificuldade porque não sei qual vai ser a posição do presidente Rodrigo Pacheco, que instale a CPI da Covid-19. É preciso parar esse cara [Bolsonaro]. O intuito da instalação da CPI não é nem para punir, mas é para pelo menos parar essa insanidade”, afirmou ao jornal.

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O senador é um dos autores do pedido para abertura da investigação no Congresso que vai apurar a condução do combate à pandemia por autoridades públicas, incluindo o presidente da República.

“Por ser presidente da República, ele não pode conclamar a população inteira a correr risco de morte sem nenhum tipo de punição”, ressaltou em entrevista.

Jereissati ainda disse que a abertura da CPI será o “grande teste” para presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que é o responsável por dar início ao processo.

“Esse vai ser o grande teste do Rodrigo, se ele realmente é independente como está dizendo ou se para ganhar se comprometeu até à alma com o Bolsonaro”, afirmou o tucano em entrevista ao jornal.

Novo presidente eleito no Senado, Pacheco foi apoiado publicamente por Bolsonaro na eleição para o comando da Casa e também pela oposição.

Caso aprovada, a CPI da Covid-19, na prática, faria que uma denúncia chegasse ao Ministério Público (MP).

“Primeiro, há crime contra a saúde pública, isso é claro. Segundo, há crime contra a federação, porque está conclamando a população a fazer o contrário do decreto de um governador do Estado e ainda ameaçando governadores que fizerem isso”, concluiu o senador.

CPI e impeachment

O grupo de WhatsApp com os 81 senadores do Congresso esteve agitado no último sábado (27). Representantes de oito partidos, inclusive integrantes da base aliada, criticaram a postura de Bolsonaro e defenderam a instauração de uma CPI para investigar e responsabilizar a atuação do presidente durante a pandemia de coronavírus.

A revista Época divulgou trechos das conversas pelo aplicativo de mensagens. Tasso Jereissati puxou as críticas. Senadores de PSD, MDB, Cidadania, Rede, PROS, Podemos e Republicanos concordaram com a necessidade de responsabilizar Bolsonaro.

“Senadoras e senadores, o presidente Bolsonaro esteve no Ceará, ontem, sexta-feira, quando cometeu pelo menos dois crimes contra a saúde pública, ao promover aglomerações sem proteção e ao convocar a população a não ficar em casa, desafiando a orientação do governo do estado e ainda ameaçando o governo de não receber o auxílio emergencial. Desta maneira a instalação da CPI no Senado tornou-se inadiável. Não podemos ficar omissos diante dessas irresponsabilidades que colocam em risco a vida de todos brasileiros”, escreveu Jereissati às 14h27.