Bebê mais prematuro do mundo: por que é tão raro (e incrível)?

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O bebê mais prematuro do mundo (Foto: Reprodução/Guinness Book)
O bebê mais prematuro do mundo (Foto: Reprodução/Guinness Book)

A chegada do bebê norte-americano Curtis Zy-Keith Means foi bastante incomum. Em julho de 2020, sua mãe, Michelle Butler, deu à luz a ele e à sua irmã gêmea com apenas 21 semanas e um dia de gestação. A menina, que estava menos desenvolvida, infelizmente faleceu no dia seguinte.

Mas Curtis não só sobreviveu como se tornou o bebê mais prematuro do mundo a conseguir se desenvolver fora do útero – feito que garantiu seu lugar na história e nas páginas do Guinness Book.

Ela foi rapidamente transferida de seu hospital local para a Universidade do Alabama em Birmingham (UAB), que é considerada um dos principais departamentos de neonatologia e pediatria do país.

Ela foi rapidamente transferida de seu hospital local para a Universidade do Alabama em Birmingham (UAB), que é considerada um dos principais departamentos de neonatologia e pediatria do país.

Quando entrou em trabalho de parto, a mãe foi transferida do hospital em que estava para a Universidade do Alabama, que tem um dos principais departamentos de neonatologia e pediatria do país. A experiência da equipe, de acordo com seu relato ao Guinness, foi essencial para que seu filho sobrevivesse.

Por que casos como o de Curtis são tão excepcionais

Uma gravidez normalmente dura 40 semanas, o total de 280 dias. Em teoria, Curtis ainda precisaria passar 132 dias no útero. Quando nasceu, ele tinha apenas 420 g – o mesmo que o peso aproximado de uma manga.

"A equipe médica me disse que normalmente não mantêm bebês nessa idade", disse Chelly ao Guinness World Records.

Para a maioria dos bebês nascidos tão cedo, as chances de um futuro são mínimas. Isso por que várias partes do seu corpo ainda não estão desenvolvidas, como explicamos, com a ajuda de especialistas, a seguir:

Pulmões

“Com tão pouco tempo de vida, a musculatura respiratória ainda está muito fraca, quase inexistente, e o bebê não consegue manter oxigenação sozinho. Sem ter o arcabouço ósseo que forma a caixa torácica completamente formada, a hora que ele criar pressão negativa para o ar seja tragado, em vez de expandir, os pulmões podem ser comprimidos”, explica Lucas Fadel, coordenador da UTI Pediátrica e Neonatal da Santa Casa de São José dos Campos.

Cérebro

A pressão arterial, que nos prematuros é muito baixa, ainda é muito maior do que as veias e artérias estão preparadas para suportar. “O risco de rompimento é alto e não é incomum que eles tenham sangramentos ou ate hemorragias no cérebro. Uma alteração mínima na pressão arterial, até por mudar esse bebê de posição, pode levá-lo à óbito ou causar sequelas”, aponta Fadel.

Sistema gastrointenstinal

De acordo com Mariana González, professora de Neonatologia da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências de Saúde de Porto Alegre) e membro do Conselho Científico da ONG Prematuridade, por ainda não estar pronto para receber alimentos, o bebê fica sujeito a um longo tempo de alimentação por via venosa, sem a chance de receber o leite materno, alimento de extrema importância por ajudar a construir a imunidade dos recém-nascidos.

Então, por que Curtis sobreviveu?

“Os bebês que têm irmãos gêmeos, como era o caso dele, pelo espaço compartilhado no útero, amadurecem um pouquinho antes do tempo. Isso pode ter contribuído”, avalia González.

Outro fator importante, observa a especialista, foi a experiência da equipe e os recursos do local onde ele nasceu. “Sem dúvidas foram profissionais altamente qualificados e comprometidos, que acreditaram nesse bebê.”

Volta para casa

Para a surpresa e a alegria de todos, Curtis respondeu extraordinariamente bem ao tratamento e, com o passar dos dias e das semanas, ficou cada vez mais forte.

Após 275 dias (cerca de nove meses) sob os cuidados o hospital, Curtis foi para casa em abril de 2021. Ele completou um ano de vida em julho, e após esse primeiro aniversário, foi oficialmente colocado no Guinness Book como o bebê mais prematuro a sobreviver.

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