Posse ou amigo sincero: será que é possível ter amizade com ex?

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Construindo relações com o ex? (Foto: Getty Images)
Construindo relações com o ex? (Foto: Getty Images)

Ao terminar uma relação é muito comum ouvir de amigos que é necessário cortar qualquer vínculo com o ex-companheiro (a). Mas será que é impossível ter amizade com alguém que você terminou o namoro e até um casamento de anos?

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Vanessa Karam, psicóloga da BP A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que, na verdade, essas atitudes são regras sociais impostas há muitos anos. Mas não existe certo ou errado, vai de cada um avaliar o que quer para si. “Primeiro de tudo é entender o que é um relacionamento e que tipo de relação você quer para sua vida”, afirma.

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A psicóloga reforça que é necessário entender o foco daquela amizade e ver se aquele convívio não é uma estratégia de manter a pessoa por perto. “Não há regras, mas o que tem que ser levado em consideração é se não há nenhum sentimento de amor ou esperança em reatar. Quando ambos estão maduros e curados de qualquer término, é muito mais fácil manter um bom convívio e até uma amizade sincera”, afirma.

Mas o processo precisa ser natural. Não pode existir cobranças, ser feito de maneira forçada e até motivada por dó ou posse. No geral, se você vê seus amigos uma vez por mês, não fala todos os dias por mensagem, com o ex-namorado (a), também será assim.

Para Suellen Souza, psicóloga e especialista em relacionamentos, esse envolvimento precisa ter cautela. “Ambos precisam estar satisfeitos com a decisão que foi tomada e aceitar. Só assim vão conseguir ter uma relação saudável e entender que a pessoa foi importante em algum momento da vida, mas o amor e desejo não existem mais. Além disso, é possível amar e admirar a pessoa de outra forma”,diz.

Recaída sexual pode ser uma armadilha

Aquela velha história de amigo colorido também pode se aplicar com ex. Existem casais que, mesmo separados, ainda se encontram, seja para transar ou trocar afetos.

Mas isso pode ser bem nocivo, quando ainda há sentimentos. “Se foi um relacionamento muito bom é comum ter nostalgia, mas deve-se balancear até que ponto isso é saudável. Às vezes, a pessoa cria uma situação na cabeça dela e se priva de viver e conhecer outras pessoas. Enquanto a outra está vivendo. Por isso é melhor evitar”, reforça Souza.

Já Karam explica que algumas pessoas afirmam que, quando isso acontece, a relação fica até melhor. No entanto, isso pode ser sinal de que é necessário rever o significado de relações e rótulos como noivado, casamento e namoro. “A pessoa se sente livre, mas sempre tem alguém que já a conhece e sabe do que ela gosta sexualmente. Mas talvez o problema esteja mais em manter um relacionamento monogâmico do que o ex-parceiro em si. O que assusta muitas vezes é o nome e compromissos de uma relação”, explica.

Quando não ter amizade com ex?

Cada pessoa vai poder dizer se é possível ou não ser amigo de ex. O sofrimento, frustração e até raiva fazem parte do luto, que é normal ao término de cada relacionamento duradouro.

Segundo as especialistas, não é indicado tentar uma proximidade quando houve abusos físicos e psicológicos.” Não é aconselhável, porque será ainda mais difícil sair de um ciclo de violência. O ideal é que a pessoa tenha acompanhamento psicológico e o abusador tente se tratar. Quem cometeu as agressões pode se arrepender sim, mas perdoá-lo e manter uma amizade não cabe à vítima”, alerta a especialista em relacionamento.

Quando há filhos a situação é mais complicada

Ter um bom relacionamento com o ex-marido ou esposa é fundamental quando há filhos no contexto da separação. Além de manter um ambiente saudável para ambos, facilitará o desenvolvimento da criança.

Quando isso não ocorre, pode provocar alienação parental e a convivência ficará ainda mais difícil. “Preservar o bom relacionamento é fundamental para as crianças. Brigar, não se falar e não olhar um na cara do outro, não ajuda. Não importa o motivo da separação. O papel de ambos será de pais”, afirma a psicóloga Letícia Gonçalves, com especialização em maternidade e consultoria em disciplina positiva.

Não faça cobranças excessivas

Tenha em mente que não é legal exigir muito do outro. No convívio normal, o mais comum é ter uma relação que não seja tóxica.

Por isso, mesmo que ambos tenham sido namorados ou casados algum dia, dar satisfação um para o outro, acabou. “Eles podem trocar conselhos, vibrar um pela conquista do outro, mas agir como se estivessem em um relacionamento, não existe mais. É preciso superar essa fase e entender que isso ficou no passado. Só assim a amizade será verdadeira”, finaliza Souza.

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