"Não tô bem, não": nem os e-mails escaparam do burnout da pandemia

Marcela De Mingo
·4 minuto de leitura
Head shot serious puzzled African American businessman looking at laptop screen sitting in office. Executive managing thinking received bad news keeping fist at chin waiting hoping positive result
Mandar e receber e-mails com a frase "espero que você esteja bem" virou rotina na pandemia (Foto: Getty Creative)

A pandemia de coronavírus, infelizmente, ainda parece longe de acabar. Se você é do time que têm uma caixa de e-mail que usa com frequência, seja para trabalho, seja por motivos pessoais, com certeza deve ter recebido nesse período alguma mensagem com os dizeres "espero que você esteja bem". E a sua resposta mental provavelmente foi algo nos moldes de "Eu não estou bem, obrigada, eu estou péssima, tem uma pandemia acontecendo lá fora, caso você não tenha notado".

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Na verdade, é complicado dizer que as "coisas vão bem". No Brasil, a média de mortes por coronavírus se mantém em 500 pessoas por dia. Já passamos dos cinco milhões de casos. A economia têm sentido o baque também: com número recorde, o mês de setembro deste mês chegou a 14% de desempregados, um total de 13,5 milhões de profissionais sem ocupação. Isso sem contar as questões políticas e sociais, que têm disparado ao longo do ano e gerado conversas cansativas, porém muito importantes ao mesmo tempo. E a perspectiva de melhora do quadro geral… bom, é difícil dizer com precisão.

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Mas, ainda assim, para muitas pessoas a vida continua, o trabalho de casa virou a realidade e a caixa de e-mail segue recebendo mensagens novas cotidianamente. Frases como "espero que você esteja bem" são comuns e geram uma sensação contraditória: por um lado, parece um ato de gentileza e cortesia em tempos tão incertos. Por outro, é vista com maus olhos porque, na verdade, parece que ninguém está bem.

De certa forma, podemos dizer que a pandemia fez com que todo mundo pensasse um pouco mais sobre a maneira como se comunica online - afinal, esse virou o principal meio de comunicação durante a pandemia. Ou seja, as pessoas precisaram encontrar outro jeito de se conectarem e lembrarem que, atrás de todo e-mail, tem alguém que possivelmente não está sabendo administrar as crises internas, frutos da crise externa.

Como mandar um e-mail, então?

Por mais que, sim, seja complexo escrever uma mensagem absolutamente personalizada para cada pessoa com quem você se comunica via e-mail, vale a pena lembrar da regra de ouro: seja honesto, respeitoso e considere o outro lado.

O que a pandemia tem nos mostrado é como desconsideramos o nosso papel no contexto geral e esquecemos do impacto que temos na vida um o outro e em sociedade (as escolhas políticas no mundo todo têm sido um claro exemplo disso).

No Brasil e no mundo, pessoas de países e até de estados diferentes estão vivendo realidades diferentes. Se em São Paulo estamos na fase verde da quarentena, em Londres as medidas de segurança estão sendo reforçadas por conta da segunda onda de COVID-19. Isso significa que considerar o contexto geral pode ser interessante para resgatar o lado humano da comunicação online.

Documentários como O Dilema das Redes, e a própria polêmica em torno dos influenciadores demonstraram como esse detalhe é importante. Considerar o que está acontecendo no mundo (e até regionalmente, dependendo do lugar onde está a pessoa na outra ponta do seu e-mail) é interessante para que a mensagem, por mais profissional que seja, não se torne impessoal e automática.

Considere, ainda, os casos de depressão e burnout e até as recomendações da Organização Mundial de Saúde sobre o tema, que espera um boom de casos relacionados à saúde mental por conta da pandemia.

Por isso, vale também ser sincero sobre o que você tem passado. Olhando para o contexto mais uma vez, cada um vive uma pandemia particular e mostrar vulnerabilidade é uma forma de gerar essa conexão. Assim como prestar atenção aos detalhes: se alguém contou sobre uma situação pessoal em uma mensagem anterior, vale demonstrar interesse ou que você reconhece que aquilo ainda pode estar acontecendo (por exemplo, um familiar que adoeceu, crianças exigindo muita atenção, etc.).

Mais do que regras e etiquetas, o essencial é lembrar que todas as pessoas estão lidando com situações diferentes nos últimos meses e que isso pode, sim, afetar a sua produtividade no trabalho e a sua saúde mental e física. Lembrar que, do outro lado de um e-mail existe outro alguém é o ponto principal para sairmos dessa situação toda, no mínimo, mais empáticos e conscientes do nosso papel no todo.