"Duna" impressiona pela grandeza, mas se perde na própria ambição

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TR

O desafio de recriar Duna para os cinemas é uma das lendas mais contadas em Hollywood. Depois de David Lynch trazer uma visão particular para a obra de Frank Herbert, chegou a vez de Dennis Villeneuve adaptar uma das obras mais importantes da ficção científica moderna. O diretor de A Chegada e Blade Runner 2049 se mostra devoto ao livro e adapta com êxito a grandiosidade dos desertos e da fantasia especial que conta a história de Paul Atreides, um jovem destinado a ser o salvador de um povo e centro de uma guerra política inter-galáctica.

O trunfo maior de Villeneuve é transportar o espectador para esse mundo gelado de sentimentos e cético em relação a qualquer ser vivo. Os objetos inanimados, seja uma nave, armadura ou areia, são mais potentes e importantes que o guerreiro mais poderoso do filme - e isso se deve à excelente construção de mundo aliada à trilha sonora de presença de Hans Zimmer. O primeiro ato de Duna cumpre a difícil tarefa de apresentar conceitos complexos e botar Paul no centro da história que está por vir, assim como introduzir um elenco coadjuvante de carisma mesmo neste mundo frio.

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A impressão majestosa, porém, se esvai com o decorrer dos atos principalmente pela falta de antagonismo e conflito na história proposta por Villeneuve. Ainda que os dilemas de Paul sejam bem abordados, o distanciamento dele com qualquer ameaça que não sejam suas visões torna o clímax do filme a parte mais fraca de todo o longa - em parte pelo texto em si, que não sabe compôr a finalização de uma narrativa, e consequentemente deixa o filme sem muito propósito; mas também pela incapacidade do diretor de transmitir qualquer urgência na ação em tela. Villeneuve domina o espetáculo lento e visual, mas falha profundamente em qualquer sequência de ação.

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A ambição é a virtude e defeito maior de Duna. Enquanto permite uma viagem a outro mundo com a profundidade necessária e semelhante a clássicos do gênero, a condução da história em si não consegue sustentar tal escala. 

O protagonista, representante maior de uma jornada como essa, parece observar sempre o que ocorre sem muita participação ou mesmo sentimento relativo aos acontecimentos, já que não há muita ameaça tangível. E curiosamente não é tão diferente de quem assiste, pois há muito com o que impressionar, mas há também quase uma exigência de esforço para se envolver naquela história.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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