Drama sobre Christiane F. é relançado para celebrar 40 anos do filme

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O filme "Eu Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída", do diretor Uli Edel, ganhou uma versão remasterizada e será relançado nos cinemas para celebrar seus 40 anos. A trama, baseada na autobiografia de uma adolescente viciada em drogas que precisou se prostituir para bancar seu vicio em heroina, tem a maioria dos atores não profissionais, além de David Bowie -que interpretou o cantor preferido da protagonista e assinou a trilha sonora do filme.

No Brasil, o Cine Petra Belas Artes, em São Paulo, preparou uma comemoração dupla com a pré-estreia do filme remasterizado neste domingo (24), às 14h, acompanhada de um show de André Frateschi e da banda Heroes. Eles vão cantar músicas do álbum "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars", de Bowie, que completa 50 anos. O lançamento oficial do filme em todo o Brasil será no próximo dia 28 de julho.

O diretor Edel revelou, quatro décadas depois, que no começo hesitou em fazer o longa, mas mudou de ideia após conhecer pessoalmente Christiane Felscherinow -a hoje escritora e blogueira que contribuiu para a autobiografia e o filme. "Fiquei muito surpreso porque no livro ela era mostrada quase sempre como vítima, mas quando a conheci pessoalmente, achei que ela era uma pessoa bem forte", disse.

Edel conta que o que mais o chocou durante as gravações do longa em Berlim foi ver, incorporado ao dia a dia da cidade, cenas como as centenas de crianças dopadas ou comprando drogas próximo a uma movimentada estação de trem. Tudo parecia muito natural para quem passava por ali -e isso o deixou mal. "Esse submundo, esse lado sombrio da sociedade... Foi isso que eu quis revelar", lembra.

Hoje ele avalia que fazer um filme com atores amadores foi uma das decisões mais acertadas que tomou, mesmo que isso significasse uma dose extra de trabalho, como as entrevistas a cerca de 1.000 candidatas até encontrar Natja Brunckhorst para o papel principal de Christiane F. "Acho que o único ator profissional no filme é o David Bowie. Visitei a maioria das escolas de Berlim, entrei nas classes e disse aos professores e diretores que estava procurando crianças para filmar", recorda o diretor.

Edel revelou que Natja que era uma menina de 13 anos muito tímida, gaguejava um pouco e que mal ousava o encarar durante o teste. Segundo ele, quem visse a menina magrinha questionaria se ela poderia estrelar um filme de sucesso como foi "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída". "Mas quando a câmera focou nela, ficamos todos hipnotizados com sua interpretação e com quão convincente ela era, se aproximando do que entendi como a verdadeira Christiane F."

O diretor relembrou também as dificuldades em gravar o longa em Berlim por causa das leis alemãs, que limitavam as horas de trabalho e proibiam filmagens à noite -a história real acontecia no período noturno. Ele conta que precisou fazer acordos com os pais para gravar à noite e em locais onde eram vendidas drogas na cidade. "Eu também queria manter as crianças longe do chamado fluxo das drogas de lá."

Ele falou ainda do seu dilema de escalar usuários de drogas como figurantes, o que gerou muitas críticas na época, inclusive da imprensa. Edel se deparava com viciados reais que pediam para fazer figuração, em troca de cachê. Cabia a ele a decisão: ajudar o dependente a ganhar dinheiro legalmente (e provavelmente gastá-lo para alimentar seu vício), ou fechar os olhos para o modo, muitas vezes ilegal ou degradante como ele poderia levantar uns trocados -se prostituindo nas ruas, por exemplo.

"Muitas vezes eu dizia: "Fiquem aí, podem fazer figuração, vamos lhes pagar alguma coisa'. Mas era conflito, sim, e ainda fico arrepiado de pensar nisso", admite.

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