Dossiê da CoronaVac será encaminhado à Anvisa até 15 de dezembro, diz diretor do Butantan

Ana Letícia Leão
·3 minuto de leitura

SÃO PAULO — Após a chegada de um novo lote da vacina chinesa CoronaVac a São Paulo, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que até 15 de dezembro pretende enviar a documentação final dos testes sobre o imunizante para análise da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O imunizante é desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o órgão ligado ao governo paulista - que espera começar a imunização no estado ainda em janeiro deste ano, caso ela seja aprovada.

— Teremos até dia 15 a apresentação dos resultados de eficácia do estudo clínico que o Butantan patrocina para essa vacina nos 16 centros brasileiros — afirmou Dimas Covas, durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes. — A vacina está cumprindo todos os protocolos, seguindo o que é proposto pela Anvisa. Nós não precisamos usar o registro emergencial [estabelecido na quarta-feira (2) pela Anvisa], porque vamos solicitar o registro normal.

A análise dos documentos, que inclui toda a fase de testagem, é o que vai embasar a agência reguladora a dar o aval ou não para que a vacina seja aplicada no Brasil.

A declaração do Butantan vem um dia depois que o Reino Unido aprovou a vacina da Pfizer e se tornou o primeiro país ocidental a adotar oficialmente um imunizante contra a Covid-19. Na guerra contra a Covid, o país promete começar a vacinar a população na próxima semana. O imunizante é um dos mais promissores contra o vírus, mas enfrenta desafios de logística por causa da temperatutra de armazenamento. Ao GLOBO, o diretor da Pfizer Brasil, Alejandro Lizarraga, disse que já tem uma proposta para sanar a questão.

Doria critica planos do governo federal

Segundo o governador paulista, João Doria, uma proposta estadual de imunização será apresentada na próxima segunda-feira (7).

— Vamos apresentar de forma precisa, com cronograma, setores, volume de vacinas, regiões, áreas, logística e todo o processo. Já temos esse plano pronto há pouco mais de 20 dias — alertou Doria.

Doria criticou o plano preliminar de imunização apresentado na quarta-feira (2) pelo Ministério da Saúde, que sinaliza o início da vacinação no país para março do ano que vem.

Testagem sob pressão: Com aumento de casos de Covid, pedidos de testes de empresas sobem até 40% em novembro

— Eu indago se os membros do governo federal não enxergam e não registram o fato de que temos mais de 500 brasileiros que morrem todos os dias de Covid-19. Por que iniciar uma imunização em março, se podemos fazer isso já em janeiro? — questionou o governador.

Na madrugada desta quinta-feira, chegou ao Aeroporto Internacional de Guarulhos a segunda leva de insumos para a produção da CoronaVac. Foram recebidos 600 litros da substância, capazes de gerar 1 milhão de doses. Em 19 de novembro, chegaram as primeiras 120 mil doses. A expectativa do governo de São Paulo é ter 46 milhões de doses prontas da vacina até fevereiro do ano que vem.

O governo de São Paulo ainda aguarda uma sinalização do governo federal em relação à verba destinada à CoronaVac, além de uma possível inclusão do imunizante no Plano Nacional de Imunização (PNI). Até então, não há uma previsão, como já foi feito com a vacina de Oxford, no Reino Unido. Segundo Doria, São Paulo fará uma imunização estadual caso fique de fora dos planos do Ministério da Saúde.

— Se o governo federal incluir São Paulo e a compra da vacina (CoronaVac), como é o seu dever e a sua obrigação, nós seguiremos com o Plano Nacional de Imunização. Se não o fizer, São Paulo começa a vacinar a partir de janeiro a totalidade da população, com recursos do governo de estado e com a capacidade de imunização, amparada no Instituto Butantan.