Dormir mais aos finais de semana não é suficiente para compensar a falta de sono


Muitas pessoas não dormem o mínimo recomendado de seis horas por noite, principalmente durante a semana. (Getty Images)


Embora a pandemia de coronavírus tenha forçado muitas pessoas a se ajustarem a um ritmo de vida mais lento, gerenciar o ensino à distância das crianças, o trabalho e as tarefas de casa faz com que muitos não estejam seguindo a recomendação de dormir de seis a nove horas por noite.

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Acordar mais tarde no final de semana pode ser muito prazeroso, mas cientistas franceses descobriram que isso raramente compensa a “dívida de sono” contraída de segunda a sexta-feira. O estresse, o barulho e os nossos celulares sempre à mão nos levam a dormir menos nos finais de semana, não conseguindo assim reverter a falta de sono dos dias anteriores.

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De acordo com o NHS, Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, a maioria dos adultos precisa dormir entre seis e nove horas por noite.

Passar a noite virando de um lado para o outro na cama nos faz acordar cansados, sem foco e irritados no dia seguinte. Embora desagradável, uma insônia ocasional não prejudica a sua saúde.

Mas, a longo prazo, ela foi associada a diversas condições de saúde, como obesidade, hipertensão, doenças cardiovasculares e diabetes.

“A falta de sono é uma forma poderosa de estressar o corpo inteiro,” disse o Dr. Adam Krause, da Universidade da Califórnia.“Ela impacta funções em todos os níveis do organismo, do DNA às células e aos órgãos, do rendimento no trabalho ao desempenho nos exercícios”.

Segundo os cientistas, passar muito tempo colado no telefone celular pode prejudicar o sono. (Getty Images)

‘Precisamos escolher o sono saudável’

Para descobrir se é possível “compensar” o sono perdido nos finais de semana, cientistas do Public Assistance Hospital em Paris entrevistaram 12 mil pessoas. Entre os participantes, mais de um terço dormem seis horas ou menos por noite durante a semana.

Quase um quarto dos entrevistados afirmaram dormir pelo menos uma hora e meia a menos do que acreditam precisar, criando essa grave “dívida de sono”.

“A nossa pesquisa mostra que cerca de 75% das pessoas com sono atrasado não conseguiram dormir mais no final de semana ou tirando cochilos ao longo da semana,” conta o autor do estudo, Dr. Damien Leger. “Elas provavelmente não tiveram tempo para dormir ou encontraram condições desfavoráveis ao sono, como barulho, a presença do estresse ou crianças em casa. Então, o sono atrasado não é compensado”.

Em média, os participantes dormiram 6 horas e 42 minutos durante a semana, e 7 horas e 26 minutos aos sábados e domingos.

Os resultados, publicados na revista científica Sleep Medicine, também revelaram que 27% dos participantes tiraram pelo menos um cochilo durante a semana, e cerca de 33% cochilaram no final de semana.

Apesar dos seus esforços, apenas 18% dos participantes com séria privação de sono conseguiram compensar o seu sono atrasado da semana, segundo os cientistas.

Os homens tiveram resultados piores, com apenas 15% equilibrando a balança do sono nos finais de semana.

Os cientistas culparam as jornadas de trabalho noturno, o trabalho por turnos, as longas distâncias percorridas para chegar ao trabalho e o uso excessivo da tecnologia, como os celulares.No que diz respeito ao sono, não há uma única abordagem que se aplique a todos.

“Os cochilos durante o dia costumam ser uma boa solução para aqueles que não dormem o suficiente à noite, mas para que os que realmente têm insônia, esse truque pode piorar ainda mais a situação ao reduzir a pressão de ter que dormir à noite,” avisa o Dr. Krause.

No geral, consistência é o importante

“Acredito que o sono saudável é como uma dieta saudável. É melhor comer de forma saudável duas vezes na semana do que nenhuma, mas manter uma alimentação balanceada por dois dias não irá reverter os danos causados por uma dieta inadequada nos outros cinco dias”, explica. “A melhor dieta de sono é aquela que é suficiente e consistente”.

“Mas também é uma questão de prioridade,” revela Dr. Nathaniel Watson, da Universidade de Washington. “Há coisas ilimitadas que podemos fazer com o nosso tempo. Precisamos escolher o sono saudável. Ele não vai simplesmente acontecer”. “Dormir mais nos finais de semana é um bom começo, mas geralmente prolongar o sono por um dia ou dois não vai resolver uma privação de sono crônica e habitual”.

Dr. Watson aidna acrescenta: “Ir para a cama quando estiver cansado e acordar quando estiver descansado, e fazer isso por duas ou três semanas, irá compensar o sono atrasado”.

Alexandra Thompson