Dormir ao lado do celular causa insônia?

A luz azul emitida pelos telefones celulares pode lhe prejudicar a pegar no sono. (Getty Images)

Como usamos nossos celulares como despertadores, eles costumam ter um espaço reservado na mesa de cabeceira.

Embora possa parecer inofensivo, ter um smartphone à mão acaba lhe dando insônia ao navegar pelas redes sociais antes de dormir.

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Os que costumam acordar no meio da noite para checar seus e-mails e lembrar que o prazo final daquela entrega urgente está se aproximando, acabam com dificuldade em voltar a dormir.

Cerca de 31% dos adultos do Reino Unido sofrem de insônia.

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Este número é similar ao observado nos Estados Unidos, onde 30% das pessoas têm alguma “perturbação do sono”.

Diversas pesquisas comprovaram que a luz azul emitida pelos telefones celulares desregula o nosso relógio biológico.

A luz tem uma grande variedade de comprimentos de onda, e aquelas presentes no espectro azul são conhecidas por aumentar a capacidade de atenção e o tempo de reação.

Embora isso possa ser benéfico durante o dia, pode ser prejudicial se você estiver tentando dormir.

Em um experimento, cientistas de Harvard expuseram os participantes a 6,5 horas de luz azul ou verde.

Os resultados sugeriram que a luz azul suprimiu a produção de melatonina, o hormônio do sono, dos voluntários pelo dobro de tempo do que a luz verde.

Ela também provocou um desajuste de três horas no relógio biológico dos participantes, em comparação com 90 minutos no caso da luz verde.

Muito além da sensação de cansaço no dia seguinte, a exposição prolongada à luz à noite foi associada a inúmeras condições de saúde, da obesidade a certos tipos de câncer.

“Nossa energia tende a se apresentar em ciclos de 60 a 90 minutos, e o ciclo logo antes de irmos para a cama é fundamental para ter uma boa noite de sono,” disse ao Yahoo UK a especialista em sono do Silentnigh, Nerina Ramlakhan,

“Quando os níveis de iluminação diminuem à noite, o nosso ritmo circadiano [relógio biológico] estimula a liberação de melatonina”.

“O uso da tecnologia antes de dormir perturba esse processo natural”.

“A luz azul emitida suprime a produção de melatonina e estimula a produção de dopamina, o que nos deixa alertas e ‘ligados’”.

Apesar disso, a luz azul não é a única culpada, já que a Dra. Ramlakhan destaca que o efeito das redes sociais não pode ser subestimado.

“As redes sociais definitivamente estão causando um aumento da sensação de FOMO [fear of missing out, ou o medo de estar perdendo algo], principalmente na geração mais jovem, que está tão acostumada a ver suas vidas sociais expostas online,” ela diz.

“No Snapchat, os snaps só ficam disponíveis por 24 horas e desaparecem, fazendo com que seja ainda mais tentador checar o aplicativo para não perder nada”.

“É fácil entender por que este hábito está prejudicando a nossa rotina antes de dormir”.

A Dra. Ramlakhan reconhece que a ideia de banir os celulares do quarto pode não ser realista, mas pede que as pessoas busquem um “equilíbrio na sua vida tecnológica”.

“Como um país que não dorme bem, nós nos beneficiaríamos muito se limitássemos a quantidade de tempo que passamos nas redes sociais”, ela afirma.

“Tente parar de olhar as redes sociais de 60 a 90 minutos antes de ir para a cama”.

“Isso vai permitir que o seu cérebro se acalme e o leve a um sono mais profundo e restaurador”.

O Dr. Irshaad Ebrahim, do The London Sleep Centre, é ainda mais rígido.

“O sono é um estado que funciona melhor sem estimulação,” disse ele ao Yahoo UK.

“A natureza proporcionou ao cérebro e ao corpo um período de descanso, rejuvenescimento, crescimento, reparação e manutenção que funciona melhor quando não é interrompido ou estimulado por fatores externos”.

“Nós devemos restringir a nossa interação com a tecnologia às horas em que estamos acordados, e não entrar em contato com ela em nenhum momento no período em que deveríamos estar dormindo”.

“Os dispositivos que emitem luz azul não devem ser mantidos no quarto ou perto da cama durante o período de sono”.

Apesar destas recomendações, algumas pesquisas sugerem que dormir ao lado do telefone celular pode não prejudicar a qualidade do sono.

Um estudo da Universidade de Manchester realizado em ratos concluiu que a luz azul é mais benéfica para o descanso do que as tonalidades amarelas.

Cerca de um terço dos adultos sofre de insônia. (Getty Images)

Dormir ao lado do telefone aumenta o risco de câncer?

Além do potencial de prejudicar o sono, alguns se preocupam com a possibilidade de que os telefones celulares possam causar câncer, e com o fato de que dormir ao lado deles aumentaria esta exposição.

Felizmente, esses medos parecem não ter fundamento. A Cancer Research UK afirma que “as melhores evidências científicas mostram que o uso de telefones celulares não aumenta o risco de câncer”.

A radiação emitida pelos celulares é “muito fraca” e “não tem energia suficiente para danificar o DNA”.

O estudo dinamarquês, liderado pelo Institute of Cancer Epidemiology em Copenhagen, analisou a relação entre o uso do telefone celular de 358 mil pessoas e o desenvolvimento de tumores cerebrais.

Os cientistas não encontraram qualquer associação entre o uso de smartphones e os tumores cerebrais glioma, meningioma e neuroma acústico – mesmo entre aqueles que usam os dispositivos com frequência há 13 anos ou mais.

O estudo da Universidade de Oxford intitulado “The Million Women Study”, composto por um quarto das mulheres nascidas no Reino Unido entre 1935 e 1950, também não encontrou qualquer associação nesse sentido.

Entretanto outros estudos obtiveram resultados mistos.

Com base nas evidências disponíveis, a International Agency for Research on Cancer (IARC) classifica os “campos de radiofrequência”, como aqueles emitidos pelos celulares, como “possivelmente cancerígenos para os seres humanos”.

Esta classificação afirma que há “evidências limitadas mostrando a carcinogenicidade da radiofrequência em seres humanos, e evidências insuficientes de carcinogenicidade em animais experimentais”.

Para dar um pouco mais de contexto, a IARC também classifica o café como “possivelmente cancerígeno”.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, não há “evidências científicas que ofereçam uma resposta definitiva”.

A agência norte-americana Food and Drug Administration afirma que, até o momento, os estudos não encontraram associação entre o uso de celulares e o câncer, acrescentando que “as tentativas de replicar e confirmar os poucos estudos que encontraram uma conexão, falharam”.

Alexandra Thompson