Do que a GenZ gosta? Influencers abrem preferências na era da "ultra documentação"

·9 min de leitura
A GenZ na internet: Juliano Floss, Isa Paoli e Pedro Argueles no Lollapalooza Brasil.
A GenZ na internet: Juliano Floss, Isa Paoli e Pedro Argueles no Lollapalooza Brasil. Foto: Reprodução/Instagram

Resumo da notícia:

  • Do que a GenZ gosta? Influenciadores abrem suas preferências

  • Em conversa com Yahoo!, Juliano, Isa e Pedro falam sobre suas personalidades na geração do TikTok

  • Marina Cid, de 31 anos, entrega uma visão de um millennial num festival com jovens da atualidade

É um fato: é o momento da GenZ ser vista depois de dois anos de pandemia, em que apenas a tela dos smartphones era capaz de mostrá-los. Em tempos de volta de grandes eventos, os jovens adolescentes na casa dos 20 anos estão podendo mostrar as suas personalidades e comportamentos para o mundo mais do que nunca.

Na geração marcada pelo TikTok, trends, tendências e diversas influências da internet, o Yahoo! conversou com três influenciadores que acumulam mais de 3 milhões de seguidores juntos no Instagram e mais de 10 milhões de seguidores no TikTok. Juliano Floss, Isa Paoli e Pedro Argueles abriram a caixinha de Pandora de suas preferências após curtirem o show da Miley Cyrus ao lado da repórter que vos fala - e serem milimetricamente analisados.

O que queremos saber? O que eles ouvem, o que gostam de vestir, em quem se inspiram, como lidam com a responsabilidade de representar tantos jovens e adolescentes e com os haters como consequência da fama para entendermos melhor como funciona essa geração que está dominando a indústria do entretenimento.

O QUE ELES OUVEM?

Aos 20 anos e natural da zona leste de São Paulo, Isa se declara fã de pop brasileiro, além do funk raíz e de ser apaixonada por R&B, mas não deixa sua admiração pela Disney e pelos "Rebeldes" ficar de fora. "Eu cresci escutando muuuito a galera que surgiu na Disney ali, Demi Lovato, Selena Gomez, "High School Musical" e eu era totalmente alucinada por Rebeldes Brasil", declara.

No entanto, ela se vê bem eclética atualmente. "Agora eu gosto de absolutamente tudo, músicas calminhas, músicas agitadas, aquelas pra sofrer. Eu falo que meu sonho é que todos nós tivéssemos trilha sonora para nossas vidas e seus momentos", completa.

Para Pedro, mineiro de Belo Horizonte e também de 20 anos, pop e funk são seus estilos favoritos e as divas do gênero seguem sendo sua inspiração. "Beyoncé, Rihanna, Miley Cyrus e Selena Gomez", pontua.

Já Juliano, o caçula da turma com 17 anos e dançarino nato, afirma escutar de tudo. "Sou muito eclético, acho que tem a ver com a dança. Você aprende a dançar vários estilos e, consequentemente, acaba escutando de tudo um pouco. Mas, no meu dia a dia, gosto mais de Hip Hop", explica.

COMO MONTAM SEUS LOOKS?

Isa Paoli em fotos nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram/@isapaoli
Isa Paoli em fotos nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram/@isapaoli

Isa confessa que começou a se familiarizar com a moda há pouco tempo. "Sempre gostei de me sentir bonita, mas nunca tive noção nenhuma. Agora entendo melhor em como traduzir minha personalidade nas minhas roupas e é muito divertido", conta ela ao deixar claro que gosta de conforto e não se liga em valor, marca ou nacionalidade.

"Eu só quero me sentir confortável! Acho a moda muito particular, então não tenho grandes inspirações, mas sou cadelinha das tendências então estou sempre de olho", completa ao demonstrar a influência do que está no "hype" em seu visual.

Pedro Argueles e Jade Picon em fotos nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram/@pedroargueles
Pedro Argueles e Jade Picon em fotos nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram/@pedroargueles

No entanto, Pedro, que fotografa amigos desde os 13 anos e hoje segue com o trabalho, é mais ligado com o universo da moda. "Sempre começo a montar meus looks a partir de uma peça chave, depois vou montando o restante!", declara ao entregar que costuma pegar referências no Pinterest ou de alguém no Instagram.

Sobre peças de grife, o mineiro conta que faz questão de um item chave de marca importada para valorizar seu look.

Juliano Floss em fotos nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram/@julianofloss
Juliano Floss em fotos nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram/@julianofloss

Para Juliano, a moda parece mais uma expressão de sua personalidade, quando diz que espera os amigos darem alguns conselhos. "Coloco um look e espero meus amigos da moda me xingarem e reformularem a roupa inteira até ficar bom", brinca ao mostrar que a composição do visual passa a ser uma tarefa conjunta entre os garotos.

"Eu escolho uma peça chave, com uma cor específica e vou encaixando, até ter harmonia e passar algo legal", completa ao dizer que se inspira nas estrelas Jaden Smith, Travis Scott e Justin Bieber para investir no visual. Um spoiler? Ele sempre surge com uma regatinha e calça bem ao estilo das peças de Bieber mesmo e confessa que pretende investir em grifes quando começar a estudar sobre isso em um futuro breve.

E COMO ELES CURTEM UM FESTIVAL?

No primeiro festival brasileiro depois da pandemia, o Lollapalooza, que contou com as presença do trio em todos os dias, Isa diz que não sabe nem explicar o que sentiu. "Me faltam palavras! Acho que é todo o conjunto, né? Desde aquela ansiedade pré-festival, de se arrumar, escolher uma roupa, até a hora que você chega lá e sentir aquela energia que todo mundo está vibrando", reflete ao dizer que o evento é uma experiência completa além de apenas os shows.

Inclusive, foi o primeiro Lollapalooza da influenciadora. "Depois de dois anos de pandemia, ver as pessoas ali reunidas e cantar junto com a multidão, eu falo que dá aquela sensação de prazer em estar vivo, sabe? É muito gostoso. Mesmo sendo cansativo, vale muito a pena", afirma.

Na visão de Pedro, o festival é mais sobre as performances de seu gosto e a mensagem que se pode absorver dos artistas que já conhece. "No Lolla tinha muitas atrações que eu já conhecia, então fui nos que eu mais gostava! Amo curtir a vibe do show de um artista que gosto, porque você entende e compreende o que ele quer passar num show!", declara.

E entregando o seu instinto da dança, Juliano vê no festival uma oportunidade de se jogar nas coreografias. "É uma das coisas que eu mais gosto, no final dos dias do festival, meu pé saia queimado de tanto pular e dançar. Me sinto realizado por poder estar em um evento que eu sonhava em ir, sendo patrocinado por uma marca. É surreal", completa ao juntar o trabalho com a prazer de curtir um festival.

COMO LIDAM COM A RESPONSABILIDADE DA FAMA?

"Sinto que demorou para minha ficha cair e eu realmente entender o quanto minha voz pode afetar na vida das pessoas. Acho que algo que me ajuda e sempre me ajudou foi que vejo meus seguidores como meus amigos, então eu sempre vou querer o bem dos meus amigos", define Isa como um perfil que costuma estar muito próximo dos fãs.

"Muitas vezes, tento abrir os olhos deles para algumas coisas, mas tem vezes também que sei que preciso filtrar muitas coisas porque não cabe ali", completa ao falar sobre a noção do impacto do que é publicado.

Norma é a definição de Pedro para a vida de blogueiro ao afirmar que tem muita consciência de tudo que o que faz. "Sempre tento ser o mais transparente possível para que todos possam me compreender bem!", completa ao transmitir a segurança de Jade Picon, uma de suas amigas do meio de influenciadores.

Na onda good vibes, entra Juliano, que enxerga a situação como muita doida, mas não vê problemas nisso. "Pensar que tem tanta gente me assistindo, lido muito bem com tudo que está acontecendo. Meu objetivo é só trazer coisas boas pra todo mundo que acompanha", afirma.

E OS HATERS?

"Hater que é só um hater, uma pessoa que só quer me deixar mal, eu consigo ignorar bem fácil. Agora, quando uma seguidora pega bronca de mim por alguma coisa, alguém que eu sei que já gostou de mim começa a me atacar me dói muito", desabafa Isa ao comentar sobre o retorno dos seguidores.

Para ela, cada dia é um dia diferente. "Quando estamos muito bem com nós mesmos, entra por um ouvido e sai pelo outro. Mas quando estamos mal com nós mesmos, ai o negócio fica feio", comenta aos risos de nervoso ao completar que tudo o que mostra na internet é apenas uma parcela do que é por inteiro, do que vive e de tudo o que pensa.

Pedro parece nem gastar seu tempo e energia com reações negativas. "Sempre ignoro. Não tenho muita paciência pra quem perde tempo falando mal da vida de quem nem conhece!", afirma ao demonstrar que confia em quem é e no que quer passar.

Para provar a diferença entre influencers da mesma geração, Juliano entra com apenas uma frase. "Não lido", diz ele sem querer explicar. O adolescente escolhe não entrar em nenhuma energia que possa fazê-lo mal.

E O QUE OS MILLENNIALS ACHAM DISSO?

Em contrapartida, a jornalista Marina Cid, de 31 anos, representa a visão do millennial, geração posterior à X, da década de 1980 e 1990, que testemunhou um primeiro grande evento no Brasil na era dos Genz: o Lollapalooza. Ela comprou o ingresso em outubro de 2019 e trocou suas pulseiras dois dias antes de decretarem o lockdown no Brasil.

"Desde então, só ficava acompanhando para quando seria remarcado o festival. Eu só comprei um dia, o domingo, porque eu queria ver a Gwen Stefani. Sou muito fã e fiquei desolada quando ela desistiu de participar depois da pandemia. Mas insisti em ir porque achei o processo de reembolso do T4F muito cansativo, não valia a pena e queria ver o Foo Fighters - é minha banda preferida e seria a terceira vez que eu veria", explica.

Questionada sobre artistas que não conhecia, já que estouraram nos tempos de pandemia ou não eram de seus gostos por serem mais jovens, Marina cita Marina Sena e Black Pumas como as descobertas do festival.

E o que chamou a atenção da comunicadora em seu primeiro evento na geração TikToker foi a ânsia de quererem registrar tudo, em que define como a "ultra documentação" do que se vive. "Quando a gente vai em shows, é normal querer tirar foto do show, filmar, enfim. Mas eu via muita gente novinha fazendo stories da fila, do que estava comprando para comer, da desorganização dos banheiros químicos, stories no meio do show. Foi uma ultra documentação do momento", analisa.

Marina Cid, de 31 anos, no Lollapalooza Brasil em 2022 em sua única foto no evento.
Marina Cid, de 31 anos, no Lollapalooza Brasil em 2022 em sua única foto no evento. Foto: Arquivo Pessoal

"É bom ter muitas memórias, mas tem coisa que é desnecessária, como fazer um vlog da sua vida em todos os momentos. Aproveita mais o momento em si! Imagens do show já estão documentadas nos canais que transmitiram, na internet... Eu mesma só tirei uma foto minha lá", completa em tom de crítica como parte de uma geração marcada pelos olhos do rosto ao invés dos olhos da lente da câmera.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos