Djonga xinga Bolsonaro no palco do Lollapalooza: “Vou falar 22 vezes por 2022”

Djonga agita o público no último dia do Lollapalooza Brasil (Foto: Iwi Onodera/Brazil News)
Djonga agita o público no último dia do Lollapalooza Brasil (Foto: Iwi Onodera/Brazil News)

Marcado pelo ativismo político em sua carreira, Djonga agiu conforme o esperado e não se intimidou com a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de proibir manifestações políticas durante o último dia do Lollapalooza Brasil. Ao abrir a noite no palco Adidas debaixo de uma chuva fina, o mineiro não demorou muito para xingar o presidente Jair Bolsonaro (PL) e ser ovacionado pelo público.

“Levanta o dedo do meio e pensa em alguém que vocês odeiam muito”, pediu, arrancando risos da plateia. “Não pode falar, não?”, questionou antes de citar o nome do presidente e deixar claro seu repúdio ao governante. Mais uma vez os presentes agitaram o grito de ordem da edição: “Ei, Bolsonaro, vai tomar no cu” e, assim como Emicida e Lucas, da Fresno, o artista que puxou o coro em plena apresentação.

O detalhe é que o rapper ainda pontuou que iria xingá-lo muitas vezes em sua performance por conta dos tempos de eleições. “Bolsonaro, vai tomar no c*. Eu odeio o Bolsonaro. Quem gosta, problema é seu. Não pode falar, né? Vou falar 22 vezes em homenagem a 2022”, afirmou, antes de começar a apresentação.

Djonga agita o público no último dia do Lollapalooza Brasil (Foto: Iwi Onodera/Brazil News)
Djonga agita o público no último dia do Lollapalooza Brasil (Foto: Iwi Onodera/Brazil News)

Bem diferente de Marina Sena, que passou pelo palco antes do rapper, Djonga foi recebido por uma multidão devota, com as letras na ponta da língua, completando cada faixa que o cantor começava a cantar. Em momento de parceria, o rapper deu espaço ao amigo de caminhada, dono de um dos maiores hits do momento, a faixa “Se Tá Solteira”. Abraçado a FBC, o mineiro exaltou o artista e o chamou para colaborar no palco.

Em um dos momentos mais emblemáticos do show, Djonga desceu do palco e se juntou à plateia, abrindo uma roda de bate-cabeça, que o levou a surfar em meio ao público. No microfone, o rapper gritou o lema pelo qual é conhecido: "Fogo nos racistas!" E continuou:

“Quero ouvir com muita força, para o mundo inteiro ouvir, e ver se acaba com essa palhaçada de uma vez. 'Nós' não aguenta mais perder criança na favela com bala perdida. Não aguenta mais polícia parando a gente na rua por a gente ser quem a gente é. Não aguenta mais ser perseguido por segurança no shopping”, declarou o rapper, incentivando o público a levantar o braço, com o punho fechado, em sinal de protesto.

No entanto, chamou a atenção a multidão branca predominante na plateia, apesar da enorme representatividade preta do rapper e o ativismo contra o racismo presente em suas músicas, escancarando o elitismo do Lollapalooza, com ingressos que chegavam próximo de R$ 5 mil. Inclusive, é curioso ver o público se entregando aos hinos de resistência da comunidade negra, que muitas vezes criticam pessoas como as presentes na plateia. "Isso é de vocês também. Para os filhos de vocês. Vocês têm que lutar junto com nós. O bagulho é difícil demais", declarou.

O show dominado pelo clima de protesto foi uma grande aula de manifestação do mineiro. Ele encerrou a apresentação com chave de ouro ao fazer todos os presentes estenderem a mão de punho fechado em apoio ao movimento antirracista. Djonga mostrou mais uma vez que é um nome indispensável para disseminar a realidade cruel dos negros para o entendimento da população branca através da arte.

IZA curtiu o show do Djonga no último dia do Lollapalooza Brasil (Foto: Iwi Onodera/Brazil News)
IZA curtiu o show do Djonga no último dia do Lollapalooza Brasil (Foto: Iwi Onodera/Brazil News)

Lollapalloza 2022