DJ Ivis é preso no Ceará após acusações de agressão contra ex-mulher

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O músico Iverson de Souza Araújo, conhecido como DJ Ivis, 29, foi preso na tarde desta quarta-feira (14), no Ceará, após sua ex-mulher, Pamella Holanda, 27, denunciar uma série de agressões. A detenção foi confirmada pelo governador do estado, Camilo Santana, nas redes sociais.

"Acabo de ser informado pelo nosso secretário de Segurança da prisão do DJ Ivis, no caso das agressões a Pamella Holanda. A prisão preventiva havia sido solicitada ontem pela nossa Polícia Civil e decretada há pouco pela Justiça. Que responda pelo crime cometido", afirmou.

Holanda denunciou as agressões em seu perfil no Instagram no último domingo (11), com imagens de socos, rapas e empurrões desferidos por ele. Em algumas das situações, ela estava com a filha do casal nos braços. Duas pessoas, sendo uma delas a mãe de Holanda, também aparecem.

DJ Ivis postou vídeos, após a divulgação das imagens, afirmando que há coisas que o vídeo não mostra. "Eu sempre apanhei com a minha filha no braço, alguém tem noção do que é isso?", questionou ele, que afirmou que era impedido de sair de casa pela ex, que não aceitava o término.

"Sempre tentei fazer de tudo para que isso não chegasse ao extremo. E, como eu disse, tenho como provar tudo, nada vai justificar a reação que eu tive, mas não aguentava mais ameaças", afirmou. "Saí de casa e tenho assumido todas as despesas da filha. Tudo será devidamente provado.

Após a divulgação dos vídeos de agressão, muitos famosos e anônimos prestaram apoio a Holanda. Já DJ Ivis, foi afastado de seus compromissos profissionais pela produtora que gerenciava sua carreira até então, mas ganhou mais de 200 mil seguidores em suas redes sociais.

Em entrevista ao programa Encontro com Fátima Bernardes (Globo), Holanda afirmou que sofreu a primeira agressão do marido quando estava grávida da filha e que chegou a ser agredida também por amamentar a menina após diagnóstico positivo de Covid, mesmo com liberação do médico.

Holanda usou suas redes sociais no início da semana para agradecer pelo apoio recebido e disse que agora se sente melhor após expor a violência que sofria. Ela ainda afirmou que "não existe fama, status, dinheiro, posição social, contato ou influência que permita ele [Ivis] de ficar impune".

"Dizer que não estou bem, mas que estou segura, eu e minha filha. E dizer também que hoje o meu choro é de alívio por ter certeza que Deus está com a gente, que nunca mais vou viver o que vivi e que não preciso mais fingir pra ajudar ninguém", postou.

Produtor, cantor, compositor e tecladista, o artista emplacou hits como "Volta Bebê, Volta Neném", "Não Pode se Apaixonar" e "Volta Comigo BB". Ele já foi tecladista e produtor da banda Aviões do Forró e depois participou da reconstrução da carreira do líder do grupo, Xand Avião.

APOIO

Holanda recebeu o apoio de várias artistas após divulgar as cenas de agressão. "Por nenhuma mulher a mais silenciada, a violência não deve nem pode nos calar. Não existe justificativa. Todo o meu apoio a Pamella e repúdio às cenas e atos de horror do Dj Ivis. Violência contra mulher é crime", disse Juliette Freire, 31, campeã do BBB 21.

"Não justifique o injustificável", afirmou a atriz Giovanna Lancellotti, em um recado para o DJ. "Não existem justificativas ou argumentos que diminuam as provas e a existência do crime cometido. É inaceitável, intragável e brutal", opinou a cantora Marília Mendonça.

A cantora Solange Almeida, ex-Aviões do Forró, divulgou um vídeo orientando as mulheres vítimas da violência a procurarem ajuda. "Amor com violência é doença", disse. "Tenha consciência do ciclo da violência: primeiro vem a tensão, depois a agressão, depois a desculpa, em quarto a calmaria e em quinto a nova agressão. Em outras palavras, ele não vai mudar".

A cantora contou que já sofreu violência doméstica e denunciou. "Não é fácil denunciar, mas é preciso. Briga de marido e mulher se mete a colher, sim", completou.

Lideranças políticas falaram sobre o caso e pediram providências contra a violência a que são submetidas as mulheres. A vereadora Mônica Benício (PSOL-RJ), por exemplo, reforçou que é importante denunciar e combater a lógica machista e cruel. "Pamella, você não está sozinha", afirmou.

"As imagens, que não recomendo que ninguém veja, são chocantes e não deixam dúvidas da violência praticada", escreveu a vereadora Erika Hilton (PSOL-SP).

Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, o governo federal recebeu 105.671 denúncias de violência contra a mulher em 2020. Desse total, 75.753 denúncias diziam respeito à violência doméstica e familiar. Entre as principais estavam ameaça ou coação, constrangimento, agressão e tortura psíquica.

O próprio ministério divulgou uma nota em que repudia os atos de agressão do DJ Ivis, e afirmou que as cenas fortes servem de alerta para toda a sociedade. Segundo a pasta comandada pela ministra Damares Alves, Holanda "deu voz a muitas mulheres que, assim como ela, vivenciam a dor de serem agredidas dentro do próprio lar" e questiona: "até quando a palavra de uma mulher será colocada sob suspeita? Ou até quando iremos aceitar que atos de violência sejam justificados?"

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