Divulgação de íntegra de vídeo de reunião pode criar problemas entre Brasil e "outro país", diz Bolsonaro

Jair Bolsonaro durante live no dia 14 de maio de 2020 (Reprodução)
  • Segundo o jornal O Globo, chanceler Ernesto Araújo teria culpado a China pelo coronavírus durante a reunião

  • Presidente pede que apenas 20 minutos do vídeo sejam liberados para divulgação pelo Supremo Tribunal Federal e volta a negar interferência na PF

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a negar, nesta quinta-feira (14), que tenha tentado interferir na Polícia Federal, conforme acusou seu ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Em sua live semanal nas redes sociais, o presidente disse que o vídeo de uma reunião com 20 ministros no último dia 22 de abril – dois dias antes da saída de Moro – comprova que não houve tentativa de interferência.

Bolsonaro disse que autoriza a divulgação de cerca de 20 minutos do vídeo, mas pediu ao Supremo Tribunal Federal que não revele os outros trechos porque eles poderiam gerar problemas entre o Brasil e outro país – não citado pelo presidente.

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No inquérito sobre a acusação de interferência de Bolsonaro na PF, Moro havia citado que, na reunião de 22 de abril, Bolsonaro havia pressionado demiti-lo caso o comando da Polícia Federal não fosse trocado – o que de fato aconteceria dois dias depois, com a exoneração do então diretor geral da PF, Maurício Valeixo.

Na live desta quinta, Bolsonaro disse novamente que não tratou sobre a Polícia Federal na reunião, e sim sobre a sua segurança pessoal. "Vocês vão ver que não tem as palavras 'Polícia Federal' e nem 'superintendência', e sim 'segurança'. Que é a segurança da minha vida. Depois da minha tentativa de homicídio, sempre me preocupei mais com os meus familiares do que comigo mesmo", disse Bolsonaro. "Aqueles que acreditaram que era um 'xeque-mate', um 'agora se ferrou', 'video avassalador', vocês vão cair do cavalo."

Apesar disso, Bolsonaro disse que a íntegra do vídeo não deveria ser liberada pelo ministro Celso de Mello, relator do caso no STF. "Tem questões de Estado, segurança nacional, e pessoal, se falou em economia, não é o caso de tratar desse assunto", afirmou.

"São dois trechos de 30 segundos que interessam para a investigação. Da minha parte, eu autorizo a divulgar todos os 20 minutos, até para ver dentro de um contexto, e o restante a gente vai brigar. A gente espera que haja sensibilidade do relator que é uma reunião reservada nossa, não é uma reunião filmada por força de lei."

No fim, Bolsonaro citou a preocupação das relações entre o Brasil e outro país, sem mencionar o nome. Segundo o jornal O Globo, o vídeo mostra o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo culpando a China pela pandemia do coronavírus, o qual ele chama de "comunavírus". Bolsonaro teria gargalhado por causa do termo usado por Araújo, segundo o jornal.

"Que o Celso de Mello decida rapidamente, libere os 20 minutos e não permita liberar o restante para evitar problemas com o Brasil, com outro país que nós citamos ali, que é uma questão comercial nossa e não é o caso. Para a gente esclarecer e colocar um ponto final nisso."

No final da live, Bolsonaro ainda citou conversas entre a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) com Sergio Moro no dia do anúncio da saída do ministro da Justiça e afirmou que elas mostram que Moro não teria se demitido caso a exoneração de Valeixo fosse revertida pelo presidente.

Bolsonaro disse ter autorização de Zambelli pra divulgar as mensagens. Ele diz que, em uma delas, Moro afirma que "se o presidente anular o decreto de exoneração [de Valeixo], ok", indicando que ele continuaria no governo.

"Ele deu a entender que voltaria a trabalhar normalmente. Quer dizer que acabou a interferência na Polícia Federal? Isso mata de vez essa história de interferir na PF", afirmou Bolsonaro.

Ministério da Saúde e cloroquina

Além de se defender das acusações, Bolsonaro também tratou do coronavírus na live, afirmando ter conversado com o ministro da Saúde, Nelson Teich, para que o pasta passe a recomendar o uso da hidroxicloroquina já nos primeiros sintomas de pacientes com coronavírus.

"Amanhã o Nelson TeIch vai dar uma resposta, que acho que vai ser pela mudança do protocolo", disse Bolsonaro, que defende o uso de cloroquina para tratar pacientes com a Covid-19, apesar da substância ainda estar em estudo na questão do combate da doença.

Atualmente, conforme protocolo que data ainda da gestão de Luiz Henrique Mandetta, o Ministério da Saúde recomenda o uso da hidroxicloroquina apenas para pacientes em estado grave.

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