Divertido e inocente, Jungle Cruise nem parece um filme feito em 2021

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Se imaginarmos que Jungle Cruise, novo filme da Disney disponível no Premier Access do Disney Plus, é baseado em um brinquedo dos parques da companhia imediatamente o imaginamos como um projeto moderno, caça-níquel e feito com olho na narrativa e audiência modernas. Dá pra dizer que ele é tudo isso? Até dá, mas a aura de filme clássico de aventura dos agora longínquos anos 70 e 80 é bem mais forte que todas essas características.

Isso por que a trama liderada por The Rock e Emily Blunt se baseia na caça por uma árvore que teoricamente cura toda a vida que toca, ao mesmo tempo que dá espaço a elementos simples esquecidos por filmes do gênero: humor irônico, romance inocente, vilões caricatos e sequências tão mentirosas quanto divertidas de assistir. É como testemunhar uma mistura de Indiana Jones com Piratas do Caribe, de Tudo por Uma Esmeralda com A Múmia - só que tudo isso no meio de uma fantasiosa Amazônia brasileira.

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Mas calma, não é como se Jungle Cruise fosse um clássico como a maioria dos longas supracitados. O roteiro se prolonga mais que o necessário e quando chegamos ao terceiro ato boa parte da ótima química da dupla protagonista se esvaiu pela condução lenta da trama. O diretor Jaume Collet Serra repete as excelentes cenas de ação que o fizeram conhecido em Hollywood e o garantiu também a cadeira de comando no próximo filme de herói de The Rock, Adão Negro, mas não é capaz de resumir a história para dar o impacto necessário às reviravoltas finais - de todas inspirações clássicas de Jungle Cruise essa foi a que mais fez falta; a economia de duração e tamanho da história.

Ou talvez isso seja um problema de assistir a filmes em streaming, há de se dizer. Moldado do início ao fim como um filme de cinema, o longa perde muito impacto se visto na hoje quase obrigatória tela pequena. É nessas horas que vemos como a imersão do cinema faz diferença na experiência, não só pela grandiosidade da sala e da mídia em si, mas pela impossibilidade das distrações que o streaming permite - não à toa a Netflix sempre disse que seu principal concorrente é o YouTube ou Fortnite e não o cinema. 

Jungle Cruise é divertido independente disso, tem suas falhas independente disso, mas certamente seria uma experiência melhor no cinemão clássico, uma mídia que ele se inspirou para ganhar vida mesmo nascendo na era em que cada vez menos importa a tela na qual assistimos um produto.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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