Distúrbios do sono: quando dormir vira um pesadelo

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Por Natália Leão (@natileao_)

Existe coisa mais fácil - e deliciosa - de se fazer do que deitar na cama e dormir? Se para alguns esse momento é o mais desejado do dia, para outros, tentar dormir pode ser um verdadeiro pesadelo. A culpa? Os distúrbios do sono.

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Quem tem dificuldade para cair ou manter o sono, ou se, pelo contrário, sofre para se manter acordado, pode sofrer de alguma alteração. “Fatores genéticos, ambientais, perfis psicológicos, peso, etnia – tudo isso pode confluir para o desenvolvimento e manutenção de transtornos do sono”, explica a neurologista da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, Letícia Soster.

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Segundo a médica bons hábitos como manter o peso, nível de atividade física, mente saudável e tranquila ajudam muito a evitar quaisquer transtornos de sono. “Respeitar seus limites e horários também”. O diagnóstico a respeito de um distúrbio de sono pode ser feito através da polissonografia, exame que monitora o sono, mas conhecer os sintomas de cada um deles ajuda a te dar uma pista.

As alterações do sono mais comuns

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Privação de sono

Ela ocorre quando um indivíduo dorme menos do que seu corpo necessita. A quantidade de sono que uma pessoa requer varia, mas em média a maioria dos adultos precisa de cerca de 7 a 8 horas de sono diariamente.

“A Síndrome da Privação Crônica de Sono ou Síndrome do sono Insuficiente é provavelmente o distúrbio de sono mais comum. Infelizmente, assim como na insônia, os dados de incidência e prevalência não são conhecidos, pois além de serem muitas vezes não percebidos pelo paciente, na maioria das vezes não chegam a ser motivo de ida a um médico”, diz Letícia.

Principalmente nas grandes cidades, onde são muitos os estímulos, compromissos, atividades, as pessoas tendem a permanecer mais tempo acordadas e não respeitar seu cansaço e seu sono. A privação do sono pode ocorrer de forma aguda, quando é pontual, ou crônica, quando se repete a longo prazo. Quer evitar e até melhorar seus quadros de privação do sono? A médica indica higiene de sono, que são os bons hábitos noturnos, como ter limites em suas atividades e respeitar os horários de cansaço.

Insônia

Caracterizada pela dificuldade em iniciar, manter o sono ou despertar precoce ocorre por vários fatores: condições médicas, fatores psicológicos, psiquiátricos e emocionais costumam contribuir para o quadro de insônia. “Há vários mecanismos que se relacionam à manifestação da insônia, sendo mais comum o Hiperalerta, que é a condição de maior ativação cerebral no momento em que se tenta adormecer e dormir. Os melhores “remédios” para a insônia não estão em um frasco. “Terapia comportamental e higiene do sono, terapias mente-corpo como mindfulness, tai-chi chuan e yoga ajudam muito!”

Apneia obstrutiva do sono

Ela ocorre em aproximadamente 29% na população de São Paulo. “É caracterizada por pausas respiratórias durante o sono, que levam desde à redução do oxigênio no sangue, microdespertares, cansaço e fadiga diurna”, explica. há várias modalidades de tratamento como terapia com pressão positiva (o conhecido aparelho CPAP), terapias odontológicas, fonoaudiológicas e em alguns casos cirurgias.

As alterações do sono menos conhecidas

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Narcolepsia

Não confunda com preguiça, a narcolepsia é uma doença crônica, caracterizada por sonolência incontrolável durante o dia associada a ataques repentinos de sono. Pessoas com a doença sofrem muito para persistirem acordadas por longos períodos, mesmo em situações completamente inadequadas ao sono, como durante uma reunião, ao volante ou até em um show. Elas também podem adormecer sem aviso enquanto realizam as mais diversas atividades.

Síndrome de Kleine Levin

Também conhecida como síndrome da Bela Adormecida, a síndrome é rara. Os portadores da doença podem ter ataques prolongados e inexplicáveis de sonolência excessiva diurna (entre dois e 31 dias), além de distúrbios cognitivos e comportamentais, como confusão, agressividade, apatia, compulsão alimentar, coprolalia e hipersexualidade. “Os episódios duram alguns dias a várias semanas e são separados por semanas ou meses de sono e comportamento normais”, explica Letícia.

Síndrome das Pernas Inquietas

A maior dificuldade em diagnosticar essa síndrome é que quem sofre com ela tem grande dificuldade em explicar os sintomas. “A pessoa tem urgência em movimentar as pernas no horário de dormir”, explica Letícia. A principal característica é uma sensação mal definida de incômodo e desconforto nos membros inferiores, associada à uma necessidade irresistível de movimentação que alivia os sintomas.