Distanciamento não precisa ser isolamento social, cultive seus vínculos

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Um ano e dois meses depois do início da pandemia, estamos todos exaustos. Mas a chave para atravessar essa fase – que está durando mais do que deveria e do que gostaríamos – é não descuidar das relações, sejam elas de amizade, familiares ou românticas. Cultivar o vínculo faz bem para a nossa saúde mental e das pessoas do nosso convívio.

O vínculo é construído ao longo do tempo, mas precisa ser alimentado e é aqui que entrar a tecnologia para nos ajudar a administrar esse tempo pandêmico. "É possível criar um pulso de afeto por meio das videochamadas. Falo isso porque percebo diariamente isso atendendo meus pacientes de maneira virtual", afirma a psicóloga Iracema Teixeira.

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Agenda para momentos de afeto

Marina Vasconcellos, também psicóloga e terapeuta familiar, também diz acreditar na tecnologia como uma aliada para lidar com a situação atual. O que não pode é deixar o desânimo tomar conta. "Marque horários para bater papo com amigos e/ou familiares. Combine que vai ser a hora do café, do chá, do vinho, o que for… Óbvio que a gente prefere os encontros presenciais, mas os virtuais dão conta de alimentar os vínculos", diz a especialista.

Com a vacinação acontecendo e tomando as precauções necessárias – como máscara, higienização das mãos com álcool em gel e distanciamento – dá para pensar em até marcar encontros presenciais, com poucas pessoas, preferencialmente em locais abertos e que não envolvam comer nem beber, para assim evitar de tirar a proteção do rosto.

Limites

Mas se você tem um amigo ou familiar que não respeita as medidas preventivas e insiste em se encontrar, o jeito é conversar e colocar seu limite. "As pessoas estão realmente perdidas, cada uma pensando de um jeito. É hora de não agredir nem menosprezar ninguém. É preciso ter paciência para chegar a um consenso", fala Marina.

Para Iracema, se esgotadas as tentativas de conversa, um caminho é tentar entender e ajudar a pessoa que não se conforma com o distanciamento a entender por que a necessidade dela está tão latente a ponto de fazê-la ignorar o risco da pandemia. "Se ela não está conseguindo se satisfazer com os contatos virtuais, talvez a dificuldade seja estar acompanhada de si mesma", comenta a psicóloga.

Agora se você, a despeito de estar usando as ferramentas tecnológicas, está se perguntando quanto tempo mais aguentará viver a vida pelas telas, o conselho é concentre-se no presente. 

"Pergunte-se o que você pode fazer por você, a cada dia, para se nutrir emocionalmente. Pode ser um bate-papo virtual com amigos ou com a família, pode ser se dedicando a aprender algo novo. A gente precisa lidar com o que é possível e parar de idealizar", finaliza Iracema.

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