Disponível na Netflix, documentário mostra comportamento bizarro de Jim Carrey em set de filmagens

(Imagem: divulgação Universal)

Em 1998, Jim Carrey foi escalado para interpretar um de seus ídolos, o comediante Andy Kauffman, no filme ‘O Mundo de Andy’. A performance lançada nos cinemas foi um de seus trabalhos mais elogiados, rendeu ao ator um Globo de Ouro e muitos consideraram injusta sua ausência na lista de indicados ao Oscar. Se na tela o trabalho de Carrey impressionou, o que aconteceu nos bastidores daquela filmagem beira o surreal.

As imagens do set aparecem agora, quase vinte anos depois, no documentário ‘Jim & Andy – The Great Beyond’, disponível na Netflix desde a última sexta-feira. Em um depoimento gravado nos dias atuais, o astro conhecido por ‘O Máskara’ e ‘Ace Ventura’ relembra os acontecimentos da época, ao mesmo tempo em que reflete sobre a carreira, com um certo ar melancólico.

Jim Carrey garante que foi tomado pelo espírito de Andy Kauffman durante as gravações. As expressões espantadas dos colegas de cena, do diretor Milos Forman e de toda a equipe diante do comportamento de seu protagonista mostra como eles não entendiam direito o que estava se passando, mas não tinham outra escolha além de entrar naquela viagem. Para os amigos próximos e parentes de Kauffman, morto em 1984 ainda com 35 anos, foi uma oportunidade de fazer contato de alguma forma e curar a dor, pelo menos por alguns instantes.

Para tornar as coisas ainda mais malucas, Kauffman tinha um alter-ego, o cantor decadente e beberrão Tony Clifton, também personificado por Carrey. Entre suas estripulias por trás das câmeras, ele importunava a todos colocando música alta no camarim, e chegou a perambular pelos estúdios à procura de Steven Spielberg, para falar sobre o filme ‘Tubarão’.

Ao assistir o documentário, a impressão é que a escolha de Jim Carrey por tamanha entrega ao papel não foi mera excentricidade. Sua intenção era fazer a abordagem mais realista possível, ao contrário de uma simples imitação. Foi a forma mais sincera de homenagem.

De frente para a câmera, com a barba comprida, longe dos holofotes há algum tempo e transbordando filosofias existencialistas, o comediante parece cansado do show business. Talvez seja o preço cobrado por tamanha intensidade.

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