Discretos nas redes sociais ou cilada: eles têm realmente algo a esconder?

Natália Eiras
·3 minuto de leitura

Priscila*, 30, namorava há sete anos com um colega de escola que não tinha redes sociais. Ele dizia que não curtia muito publicar fotos, que achava que era uma besteira manter um Facebook. Um dia, ela decidiu jogar o nome e o sobrenome do meio dele na busca da rede de relacionamento. Descobriu, no fim das contas, que ele não só tinha um perfil no Facebook, como também estava namorando, há alguns meses, uma vizinha. Com direito a foto na timeline e tudo.

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Há algumas semanas, uma publicação no Twitter viralizou e várias histórias como as de Priscila* vieram à tona. “Amiga, esse homem é low profile porque ele tem duas famílias”, dizia o tweet. Piadas à parte, em uma época em que vivemos com o celular na mão e que mostramos a nossa vida toda no Instagram, não ter redes sociais é, para alguns, motivo de desconfiança.

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Fernanda*, 24, está saindo há alguns meses com um “crush” que não curte muito atualizar suas redes. A falta de publicações a incomoda. “Não fico sabendo de nada sobre ele, o que ele gosta de assistir. Parece que ele esconde uma parte da vida dele, porque é muito discreto”, fala. “Ele também não comenta nos meus posts, não interage comigo. Parece que fica faltando uma parte da nossa relação.” Jéssica Carvalho, 28, por sua vez, teve várias brigas com o ex-namorado porque ele nunca publicava uma foto dos dois juntos. “Parecia que ele não queria me assumir, que queria manter suas opções em aberto.”

Para o psicólogo Yuri Busin, doutor em neurociência do comportamento, essa discordância é um sintoma dos nossos tempos, em que estamos criando e absorvendo novos conceitos de relacionamentos. “Há quem paute suas relações em cima das redes sociais e há quem não seja assim”, afirma ao Yahoo. Isto não quer dizer que um dos dois lados esteja errado. “Muitas pessoas que acabam tendo uma sensação de que o parceiro está provando o amor por ela, reafirmando o seu compromisso, com uma foto no Instagram”. É semelhante a uma demonstração de afeto em público, como um pedido de namoro com fogos de artifício como o de Rafa Kalimann, mas no meio digital.

Por isso, quando o lado que valoriza mais as interações por rede não tem essa demanda atendida, ele fica frustrado. Dayana Trindade, 30, por exemplo, nunca gostou muito de publicar sobre sua vida nas redes. “Ouço que sou muito misteriosa”, brinca. Apesar de ela não achar que isso seja um problema, sua discrição já causou problemas com ficantes. “Teve uma menina que disse que desconfiava de mim, que eu só podia estar saindo com outras pessoas já que não publicava muito o que eu fazia nas redes.”

Nesses impasses, Yuri Busin aconselha a tônica que deveria ser de todos os relacionamentos: o diálogo. “É preciso colocar na mesa as demandas, as dúvidas que cada um tem, e tentar descobrir um meio-termo, que atenda ambos os lados.” Impor que sejam publicadas fotos ou que não haverá nenhum registro do namoro online não é uma boa solução. “Até porque a foto pode estar lá no Instagram, mas os problemas persistirem.”

Mas não há dúvidas que há pessoas discretas porque estão aprontando. O que difere alguém que não quer “te assumir” de um indivíduo discreto é como a pessoa age com você em vários âmbitos do relacionamento. “Se vocë percebe que não é uma prioridade, que ele nunca está disponível para você inclusive emocionalmente, para ouvir o que você sente, quer dizer que ele pode não estar na sua mesmo”. complementa Busin.

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