Diretor de Playmobil, Lino DiSalvo diz que brincadeiras com os filhos inspiraram história do longa

FABIANA SCHIAVON

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Lino DiSalvo, 45, trabalha com animação e dublagem desde os anos 1990 e fez sua carreira na equipe de criação de "Chicken Little" (2005) e "Enrolados" (2010) até ser diretor de animação de "Frozen" (2013), um dos grandes sucessos da Disney.

Com "Playmobil - O Filme", que chega aos cinemas nesta quinta-feira (19), o norte-americano realiza seus sonhos profissionais e de infância à frente de seu primeiro longa. Transformar brinquedos em animação não é fácil, mas DiSalvo só via vantagens em trabalhar com Playmobil.

"Fiquei tentando entender a verdade por trás desse brinquedo, que é muito diferente de Lego, por exemplo. Adoro os filmes dessa franquia, mas ele é um brinquedo de construção, e o Playmobil foi feito para contar histórias", afirma o diretor. 

Fã dos brinquedos criados nos anos 1970, DiSalvo também levou a coleção aos seus filhos, e muitos de seus momentos em família serviram para criar a história do longa, que tem referências a James Bond, à franquia Star Wars, a "Os Caça-Fantasmas", além de a filmes épicos e de faroeste. 

"Meu filho tem seis anos e minha filha tem três. Quando brincamos juntos, eu pego cenas de filmes das quais gosto e coloco na brincadeira. Meu filho passou a fazer isso também. A gente sabe que, nas histórias de faroeste, sempre tem algo envolvendo ouro e um estranho que chega à cidade. Foi isso que coloquei na história", diz DiSalvo, que fez um esforço de agradar às crianças ao fazer a direção do longa.

"Meu filho adora Star Wars e sempre falava do Jabba, então eu resolvi colocar uma versão feminina do personagem no filme", diz ele, ao citar o vilão monstrengo de "Star Wars", que aparece, pela primeira vez, no quarto episódio da saga, "O Retorno de Jedi" (1983).

Para inserir tantas coleções de Playmobil em um único filme, DiSalvo diz que criou novos personagens, que já foram transformados em novos brinquedos. Ele também afirma que desenvolveu um universo Playmobil com diversos mundos a partir de uma maquete real construída durante quatro meses. 

Essa maquete foi o ponto de partida do filme, quando a protagonista, Marla (Anya Taylor-Joy), e o irmãozinho, Charlie (Gabriel Bateman), da vida real, são sugados para esse mundo mágico e transformados em personagens de Playmobil.

Marla perde seu irmão e percorre vários reinos em busca dele, o que possibilitou ao diretor brincar com diversos gêneros. "Nada foi feito por acaso. Cada reino está lá para desafiar a protagonista. No momento de aventura do filme, ela precisa se encontrar com o espião; quando ela precisa de ajuda, ela acaba no reino de conto de fadas", avalia DiSalvo. 

Além das referências ao cinema, DiSalvo inseriu algumas surpresas no enredo para os fãs de Playmobil, que devem reconhecer uma nave original só encontrada na coleção dos anos 1970 do brinquedo. As novidades já estão nas prateleiras, como a própria Marla, um robozinho companheiro dela, um imperador e até o carrinho de food truck do personagem Dell (Jim Gaffigan).

"Eles disseram que tudo o que entraria no filme seria transformado em brinquedo, e eu achei simplesmente incrível", comemora o diretor estreante. 

Quase imóveis na vida real, os brinquedos animados de DiSalvo são mais flexíveis e dobram até o cotovelo. "A ideia é mostrar que, quando Marla vira brinquedo, ela está meio dura, tentando se adequar àquele corpo e, ao longo do filme, ela já está lutando e correndo", explica. 

As vozes na versão original são de Daniel Radcliffe (espião Rex Dasher), personagem inspirado no James Bond de Sean Connery, e do cantor Adam Lambert (Imperador Maximus). "Quando a gente está criando, vai pensando nas vozes, é claro, e eu tinha ouvido Radcliffe dizer que era fã de James Bond. Foi perfeito", diz o diretor. 

Conhecida por seus papeis em filmes de terror e suspense, como "A Bruxa" (2015) e "Fragmentado" (2016), Anya Taylor-Joy disse a DiSalvo que sonhava em fazer musicais, e a personagem Marla canta no filme. "Quando disse a ela qual era a proposta, ela topou na hora."

Enquanto viaja o mundo para lançar "Playmobil", DiSalvo já trabalha no seu próximo projeto, "The Badalistic", com cunho ainda mais pessoal. "Como sou ítalo-americano e cresci em Nova York, eu só via filmes em que os italianos eram todos criminosos ou mafiosos e eu odiava isso. Por isso, eu queria mostrar um pouco do lado fantasioso da Itália", conta o diretor, que se inspirou em uma lenda local.

"Ele é uma criatura mágica que vive em uma floresta no norte da Itália. Duas vezes por ano, ele sai de lá e revela a alguém um grande segredo apenas tocando as mãos da pessoa. Isso merece ser um filme!"