Diretor de filme censurado por Bolsonaro sofre ataques e deixa redes sociais: "Covardes"

Curta "Afronte". Foto: divulgação

Após ter seu filme, o curta “Afronte”, censurado pelo presidente Jair Bolsonaro, o cineasta Bruno Victor Santos passou a receber ataques nas redes sociais. Segundo o realizador, as ofensas violentas, de conteúdo racista e homofóbico, o fizeram sair das redes sociais.

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“Um ataque tão direto assim ao nosso projeto foi assustador. Foi assustador saber que a gente é alvo de tanto ódio, de tanto preconceito, de tanta ignorância vinda de um presidente”, escreveu o diretor, para o site “The Intercept Brasil”.

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No mês passado, o projeto, pré-selecionado em um edital para financiamento, foi citado pelo presidente durante o anúncio de que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) não iria liberar recursos para filmes com temática LGBT.

“Um discurso de ataque tão direto do presidente valida que outras pessoas façam o mesmo. E eu recebi ataques extremamente dolorosos, desde apoios à fala e à censura, até gente falando da cor da minha pele, da minha orientação sexual. Em um dos ataques fui chamado de ‘cosplay da Marielle Franco’, o que é muito grave. Não que seja ruim ser associado a figura da Marielle – isso inclusive é uma honra –, mas o que eles estão falando que eu mereço ter uma morte parecida com a dela”, analisou.

Em seguida, o diretor afirmou: “E eu fiquei com medo, me retirei das redes sociais. E sei que essas pessoas são covardes e gostam de violência, e que elas querem que a população preta, principalmente LGBT, continue sendo massacrada.”

Santos chamou de censura a atitude de Bolsonaro, que na ocasião afirmou que o filme “foi para o saco”.

“Foi uma censura explícita e que precisa ser tratada como o crime que é. E senti falta de um posição de outros cineastas, principalmente brancos, que só se manifestaram quando todo o edital foi suspenso e eles também foram afetados. Essa censura veio para refletir que precisamos olhar para quem está na linha de frente, a população negra e LGBT. É preciso ter uma unidade de luta, enfrentar a estrutura racista, em que há a união para trazer um conteúdo de qualidade, enriquecer a cultura e fazer com que a população se veja nas telas”, disse.