Diretor de “Chorão: Marginal Alado” queria um “retrato mais aprofundado” sobre o cantor

Foto: Divulgação/O2 Filmes

Por Vinícius de Oliveira

Assim como seu personagem principal, o documentário “Chorão: Marginal Alado” tem feito barulho por onde passa. Após estrear na última terça-feira, 23, na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o filme do diretor Felipe Novaes se destacou e foi eleito pelo público como melhor documentário brasileiro desta edição.

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A produção mostra lados diferentes e inéditos sobre a figura de Alexandre Magno Abrão, vocalista da banda Charlie Brown Jr. Idolatrado pelos fãs, Chorão não tinha o mesmo reconhecimento na classe artística e intelectual.

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"A ideia do documentário surgiu de uma constatação a respeito de todas as discussões que orbitavam a figura do Chorão. Era uma discussão pautada pelos extremos, mas a gente achava que havia espaço para um retrato mais aprofundado, um material muito rico para a gente adentrar, para documentar as nuances", explicou o diretor em entrevista exclusiva ao Yahoo!.

Natural de Santos, Novaes sempre se sentiu muito próximo à banda. "Todo mundo que passou a adolescência lá no final dos anos 1990 tem uma relação muito orgânica com o Charlie Brown Jr. Fomos todos muito impactados pela banda e o Chorão era uma figura que, quem morava na cidade, sempre encontrava por lá", relembrou.

Segundo o diretor, a grande dificuldade do documentário foi retratar o cantor de forma fidedigna e respeitosa. "É sempre um exercício falar de alguém que não está mais aqui, é uma responsabilidade a mais e fez a gente ser mais cuidadoso, principalmente com esse material inédito que a gente teve acesso", disse fazendo referência às quase 700 horas de material em vídeo gravadas por Jerri Rossato Lima, fotógrafo da banda.

São bastidores de estrada, estúdio, palco e participações em programa de televisão. "Além dessas imagens, tivemos os arquivos de imprensa. O Chorão ficou relevante na mídia por mais de 20 anos, então foi um processo bem intenso de decupagem. Fizemos um encontro dessas imagens com aquilo já sabia e, depois em um terceiro momento na ilha de edição, o filme foi tomando vida própria. Nem tudo que colocamos no papel funciona. A magia do cinema acontece aí", revelou.

Para Novaes, o interesse por Chorão continua em alta mesmo mais de seis anos após a sua morte devido à identificação do público com o cantor. "Ele representa essa figurante errante. É legal porque a gente se dá conta que os nossos ídolos são pessoas como a gente. Esse comportamento de quem às vezes briga, às vezes faz as pazes. Coisas do dia a dia. O Chorão é uma figura que catalisa esses sentimentos", finalizou.

O documentário “Chorão: Marginal Alado” tem estreia comercial prevista apenas para o primeiro semestre de 2020, com distribuição da O2 Play. Veja o trailer abaixo: