Diplomata iraniano é julgado na Bélgica por planejar ataque na França

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Farzin Hashemi (4o à esq.), representante dos Mujahedine do Povo para as organizações internacionais, com os advogados do Conselho Nacional da Resistência do Irã William Bourdon (3o à esq.) e Georges-Henri Beauthier (2o à esq.), na Antuérpia, em 27 de novembro de 2020

Um diplomata iraniano, acusado de organizar um atentado que foi abortado e que tinha como alvo uma manifestação de opositores iranianos na França em 2018, começa a ser julgado, nesta sexta-feira (27), por um tribunal em Antuérpia, na Bélgica, em um processo que alimentou tensões com Teerã.

Assadollah Assadi, de 48 anos, recusou-se a comparecer à audiência, alegando que "deveria gozar de imunidade diplomática e que o tribunal não tem autorização para julgá-lo", afirma seu advogado, Dimitri de Béco, que o representará durante todo processo.

No momento dos fatos, o diplomata iraniano trabalhava na embaixada de seu país em Viena.

Neste processo, ele é considerado "um agente dos serviços de Inteligência" e, se for considerado culpado das acusações, pode ser condenado a 20 anos de prisão.

Junto com ele, estão sendo julgados outros três supostos cúmplices: um casal belga de origem iraniana residente em Antuérpia, que foi preso horas antes do ataque ao território belga transportando meio quilo de explosivos e um detonador em seu veículo; e outro suposto cúmplice, um Irã exilado na Bélgica.

Os três também podem ser condenados a 20 anos de prisão. Todos são acusados de "tentativa de homicídio de caráter terrorista".

Assadi foi preso em uma viagem à Alemanha, onde não tinha imunidade diplomática.

Em junho de 2018, as autoridades belgas anunciaram que haviam frustrado uma operação de contrabando de explosivos para a França, a qual tinha como objetivo atacar uma reunião de um movimento da oposição iraniana no exílio.

Em 30 de junho daquele mesmo ano, a coalizão de oposição Conselho Nacional de Resistência no Irã (CNRI) organizou uma manifestação na cidade de Villepinte, nos arredores de Paris.

O evento contou com a presença, entre outros, da ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt e de várias personalidades americanas e britânicas. Ingrid foi mantida refém, durante seis anos, pelos guerrilheiros das então Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Posteriormente, o governo francês acusou os serviços de Inteligência iranianos de estarem por trás da preparação deste ataque, algo que a República Islâmica sempre negou.

O julgamento de Antuérpia começa um dia depois da troca de prisioneiros que permitiu a soltura de três iranianos presos na Tailândia, assim como de uma pesquisadora anglo-australiana há dois anos presa, acusada de espionagem por Teerã.

O processo também coincide com a esperança das autoridades iranianas de que a saída de Donald Trump da Casa Branca abra uma nova página em suas relações internacionais.

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