Dinho: 'Coronavírus é uma pedrada; nunca peguei algo tão forte'

Cantor de 56 anos lançou trabalho acústico

Nos últimos anos, Dinho Ouro Preto já teve gripe suína e dengue, entre outras coisas, e ainda sobreviveu a um traumatismo craniano após cair de um palco. Agora contraiu o coronavírus e está em quarentena, fato que até lhe gerou o apelido de “highlander brasileiro” nas redes sociais.

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O Covid-19 ataca o vocalista do Capital Inicial no momento em que ele lança o EP acústico “Roque em Rôu”, com cinco versões de canções do pop rock nacional, mais uma música de sua autoria; e ao mesmo tempo em que a banda prepara turnê que celebra os 20 anos do álbum “Acústico MTV”, um divisor de águas em sua carreira.

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Enquanto se recupera, Dinho falou a este colunista. “O coronavírus é uma pedrada; nunca peguei algo tão forte”, disse. Leia a íntegra da conversa.

Como está a quarentena? Aliás, o que um músico tão ativo faz numa quarentena?

Dinho - Cara, fiquei mal. Tive febre por 13 dias seguidos. Senti uma fraqueza e meu corpo doía. Com febre, não conseguia me concentrar, não conseguia muito fazer nada. Li um livro de 800 páginas. Se chama “4321”. É do Paul Auster,

O coronavírus vai afetar a vida do showbusiness inteiro, mas a turnê de 20 anos do “Acústico MTV” está marcada para agosto. Até lá, espera-se, a situação já esteja melhor. Acredita que o número previsto de cidades da tour aumente ou diminua após essa crise, e por quê?

Dinho - Não sei te dizer. Acho que está tudo muito indefinido ainda. A gente espera fazer as 20 cidades começando em agosto. Até agora, continua tudo confirmado. Logo mais vamos começar a soltar as datas e cidades.

Até que ponto “Roque em Rôu” fará conexão com o “Acústico MTV”, nessa turnê?

Dinho - Não fará. O “Roque em Rôu” é um projeto solo meu que surgiu de shows que andei fazendo por conta própria, com outros músicos, de outro tamanho. A Tour Acústico 2.0 é pra comemorar o “Acústico MTV”, que foi um divisor de águas na nossa carreira. A gente mudou de prateleira com esse disco, e ele está fazendo 20 anos. Precisamos comemorar.

Aliás, porque tanto gosto seu pelo acústico? Sente-se melhor nesse formato?:

Dinho - Na verdade, eu prefiro o Capital elétrico (risos). Sou roqueiro. Mas calhou de ser o aniversário do “Acústico MTV”, então iremos nesse formato no segundo semestre.

As produtoras de shows reclamam que ficará difícil trazer mais artistas internacionais em 2020, fora os que já estão certos, com shows adiados. Seria um momento para o rock nacional expandir seu domínio como protagonista nos grandes palcos do país, ainda que temporariamente?

Dinho - Há potencial para isso. Existem várias grandes bandas de pop rock que seguram uma multidão, que conseguem fazer a galera cantar junto do começo ao fim. Vamos ver. É claro que se aparecer a oportunidade, vamos fazer.

Por outro lado, acredita que alguma banda ou artista solo nacional quebre financeiramente com essa crise do coronavírus?

Dinho - Espero que não. Mas a saúde financeira de cada banda, de cada artista varia muito. Espero que todos consigam se segurar. Sabemos que seremos os últimos a voltar a trabalhar, por causa das aglomerações de pessoas nos shows..

Voltando ao “Acústico”, o álbum foi um marco na música nacional, mas numa época em que se vendia muito disco, em que gravadoras investiam muito, mas também pressionavam os artistas. Acredita que na era do streaming possamos ter trabalhos tão representativos?

Dinho - Sim. Acho que o streaming é só uma outra mídia, um outro meio de consumir música, mais democrático, inclusive. Talvez o formato álbum vá sumir aos poucos. Vejo muitos artistas lançando só singles. Ou DVDs ao vivo, etc..

Tem visto ao vivo ou ouvido artistas ou bandas nacionais que te impressionam?

Dinho - Vi a Fresno recentemente e fiquei impressionado. Gosto de Ego Kill Talent, Scalene, Far From Alaska, Supercombo. Tem muita banda nova boa. 

E depois desses acústicos todos - EP e turnê -, quais são seus projetos?

Dinho - Quero fazer coisas sozinho também. O Capital vai mudar a maneira de trabalhar daqui para a frente. A gente vem vindo numa “turnê sem fim” desde o estouro do “Acústico MTV”. De agora em diante, vamos fazer projetos especiais com começo, meio e fim. Como a Tour Acústico 2.0, que vai passar somente por 20 cidades.

Mas agora seu foco deve ser mesmo a recuperação. Como aconteceu de contrair o covid-19? Onde ou como acha que contraiu? Como se sente?

Dinho - Não sei quando ou onde eu entrei em contato com o vírus. Esse coronavírus é uma pedrada. Nunca peguei algo tão forte, e olha que eu já peguei muita coisa.

O que acha de o presidente ser contra o isolamento social em nome da economia?

Dinho - Acho errado. Deveria ter uma figura pública que pudesse inspirar confiança em todos nós nesse momento tão difícil.

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