Por que médicos e engenheiros estão no centro do dilema econômico da Palestina

Foto tirada em Ramallah, território palestino. Imagem: Getty

É provável que as economias do Oriente Médio tenham crescido apenas 1% em 2019, e conforme apontado por delegados do Fórum Econômico Mundial na sessão ‘Strategic Outlook: Middle East Economies’ (Visão Estratégica: Economias do Oriente Médio, em tradução livre), esse resultado não é suficiente para ter um impacto positivo nos índices de desemprego da região.

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Algumas economias, como o Egito, falaram sobre a importância de uma maior cooperação com o setor privado para lidar com a questão, de acordo com Rania A. Al-Mashat, ministra da cooperação internacional do Egito. Na sessão do Fórum, o novo primeiro-ministro da Palestina, Mohammad Ibrahim Shtayyeh, descreveu o problema enfrentado pelo Estado.

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“A região sofre com alguns desequilíbrios decorrentes da incerteza política. Aqueles que exportam capital não estão fazendo isso, e aqueles que exportam pessoas não estão fazendo isso,” disse ele, enfatizando o quanto isso prejudica os investimentos.

“Nós sofremos com condições incomuns – nossa terra e nossa água estão sob ocupação, então precisamos desenvolver um sistema levando este ponto em consideração”.

Muitos dos problemas de desemprego do mundo têm relação com a obsolescência da mão de obra desqualificada – especialmente após a quarta revolução industrial, quando os avanços tecnológicos em automatização, inteligência artificial e robótica substituíram profissões humanas. No entanto, na Palestina, a questão está na grande quantidade de trabalhadores qualificados que não conseguem emprego.

“O problema que temos com o desemprego não tem relação com a mão de obra desqualificada, e sim com a mão de obra muito qualificada – 45% dos que têm diploma universitário estão desempregados,” disse Shtayyeh.

“Eles não estão indo embora porque o mercado de trabalho regional não é capaz de absorvê-los, além de haver um verdadeiro caos político. Então, estamos emperrados”.

Ele destacou que, na Cisjordânia, há 27 mil engenheiros, mas 8.500 deles estão desempregados. Em Gaza há 18 mil engenheiros, sendo 11 mil desempregados.

Durante a discussão sobre as causas do problema, o primeiro-ministro reconheceu que há também a questão cultural.

“Isso também tem a ver com a cultura. Toda mãe quer que seu filho seja médico, engenheiro ou algo assim, por isso estamos redesenhando as coisas,” disse ele, admitindo que os ideais de carreira não se ajustam às demandas do mercado.

Para enfrentar a situação, ele disse que o governo está implementando uma abordagem multifacetada para atenuar o problema do desemprego e capacitar a geração mais jovem.

“Introduzimos novos programas com ciências aplicadas e treinamentos vocacionais. Estamos criando cinco níveis de treinamentos vocacionais da escola em diante. Estamos desenvolvendo um programa similar ao dos alemães,” disse.

Ele também mencionou outra iniciativa que inclui a distribuição de terra.

“Uma das iniciativas é a doação de terrenos – de cerca de 1 hectare – para que os universitários graduados possam fazer com ela o que for necessário para criar e desenvolver a indústria,” explicou.

“Também criamos um fundo de U$500 milhões com o Banco Islâmico de Desenvolvimento, dos quais U$216 milhões foram financiados e U$57 milhões foram pagos. A ideia é capacitar os jovens criando empregos e participações nas empresas recém-estabelecidas do setor privado”.

Lianna Brinded