Dietas tribais podem ser a chave para uma boa saúde, descobre cientista

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Nos últimos anos, mais e mais ênfase é dada à saúde intestinal.

A fermentação causada por alimentos como o kimchi, kefir e chucrute, está fazendo com que eles sejam anunciados como superalimentos.

Agora, um cientista sugeriu que, para melhorar significativamente a diversidade do nosso micro bioma, precisamos reverter as bactérias do nosso intestino a um estado “selvagem”, comendo como caçadores/coletores.

Tim Spector, do King’s College London, passou três dias vivendo e comendo com a comunidade Hadza, na Tanzânia.

Essa comunidade é uma das poucas sobreviventes às sociedades pré-agrícolas, que vivem em pequenos grupos, na savana.

A dieta étnica indígena consiste de frutas, legumes, veados e aves que que eles conseguem caçar.

Segundo os cientistas, os Hadza possuem a maior diversidade de bactérias intestinais entre todos os seres humanos do mundo.

“Um micro bioma diversificado está inversamente associado ao risco de quase todas as doenças ocidentais”, disse o professor Spector ao The Times. “O responsável por isso não é o micro bioma em si, mas o que ele produz. São milhares e milhares de produtos químicos de metabolitos.

Esse pode ser o motivo por trás da boa saúde da tribo – eles simplesmente não possuem muitas das doenças comuns do Ocidente, como diabetes e asma.

“Os Hadza têm os intestinos mais saudáveis do mundo, em termos de diversidade”, diz o professor Spector. “Eles vivem como vivíamos antes: No mesmo lugar e comendo os mesmos alimentos”.

Quando experimentou a forma de viver e se alimentar dos Hadza, o professor Spector ficou agradavelmente surpreso com o impacto positivo em sua saúde e pelo quão suportável foi a experiência.

“Eu fiquei um pouco preocupado com a possibilidade de passar fome, mas fiquei espantado com a quantidade de comida que havia”, disse ele.

Certamente a dieta foi diferente da que um ocidental está acostumado.

Os tubérculos, por exemplo, estavam presentes na dieta de forma significativa, mas o professor Spector não se importou muito com eles: “Nós os desenterrávamos e colocávamos no fogo. Eles ficavam meio sem gosto. O gosto era de algo entre o nabo e o aipo. Mas até que não era ruim”.

Em termos de carne, o porco-espinho aparecia com frequência: “Quando se tira a pele e os espinhos, o gosto da carne é bem parecido com as que usamos normalmente em churrascos”.

A múcua está se tornando cada vez mais popular entre os alimentos saudáveis. Geralmente vendida em pó, ela é parte fundamental da dieta dos Hadza. O professor Spector descobriu que eles consomem a fruta esmagada e filtrada: “Eu achei que não ia gostar. No final das contas, o gosto é como o de um milk-shake cítrico”, disse ele.

Para Spector, o destaque da dieta do grupo era um pudim feito com frutas e mel silvestre.

Como um cientista interessado na maneira pela qual a flora intestinal afeta a saúde, o professor Spector colheu amostras de fezes por onde ele ia. A diferença já foi notável depois de três dias comendo como um Hadza.

“Colhi cerca de 50 amostras nos últimos anos. Elas não sofreram grandes alterações durante esse tempo”, ele explicou. “Mesmo quando fui para a Índia, não houve uma mudança como essa”.

Ele descobriu que a diversidade de micróbios em seu organismo aumentou em 20 por cento, em apenas três dias. Os Hadza possuem, em média, 40 por cento a mais de micróbios do que os ocidentais”.

“Pode ser que tenhamos que fazer isso antes de perder ainda mais essa diversidade. Será que essa combinação de alimentos é a responsável por manter os Hadza tão saudáveis e com tanta imunidade?”, pergunta o professor Spector.

Recriar a dieta na vida diária pode não ser tão simples.

“Se eu comesse exatamente os mesmos alimentos no norte de Londres, por algumas semanas, o resultado seria o mesmo? Provavelmente não”, diz o Professor Spector.

“Os Hadza não utilizam utensílios, não esterilizam nada e cozinham os animais com a pele e tudo mais. É o que nós costumávamos fazer no passado; nosso corpo é perfeitamente projetado para isso”.

O professor acredita que, com o passar do tempo, ficamos muito obcecados por higiene, e que devemos relaxar um pouco em nossos hábitos alimentares.

“Não é só a comida, mas também o estilo de vida ao ar livre, não estéril”, acrescenta ele. “Talvez devamos voltar ocasionalmente às nossas raízes, acampar com as crianças e nos sujar”.

A experiência do professor Spector não foi um grande estudo, mas certamente despertou algumas reflexões importantes.

Rachel Hosie