Dieta vegetariana quase dobrou em seis anos

Foto: Getty Images

A sacola de compras da publicitária Sabrina Borges, de 38 anos, sempre foi muito colorida. “Eu li que, para a medicina chinesa, quando mais colorido o prato e a geladeira, mais nutrientes adquirimos”, explica. A gama de cores continua diversa, mas os tons mudaram. Sabrina, como boa cria dos anos 1980, teve sua fase junkie -e uma dieta baseada em comidas industrializadas. “A vida em agência é muito complicada. Estava sempre estressada, bebendo ou comendo minha ansiedade.

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Mas foi após uma consulta de rotina que se descobriu pré-diabética “Eu precisava reverter esse quadro. Foi então que comecei a fazer yoga para diminuir a ansiedade. Me sentia melhor e fui diminuindo a quantidade de comida. Depois fui cortando carne de porco, depois vermelha, depois frango e hoje não sinto falta nem de peixe. O corpo se acostuma e me sinto muito bem assim”, fala.

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Seis anos depois da consulta Sabrina está 12 kg mais magra, muito mais disposta e vegetariana militante. “Milito mesmo. No mercado, no restaurante, na sala de espera do terapeuta. Me fez muito bem e eu quero que faça bem para outras pessoas também”, defende.

Sabrina é apenas um exemplo, mas fazem companhia a ela outros 29 milhões de pessoas no Brasil. Trocando em miúdos, 14% da população é vegetariana, segundo o Ibope. Em 2013 eram 16,6 milhões de vegetarianos. O que houve para quase dobrar o número de vegetarianos no Brasil? “Acho que as pessoas estão se conscientizando mais sobre os benefícios de eliminarem as carnes. Há a causa animal, claro, mas há também a questão de saúde e a ecológica também”, fala a nutricionista Alessandra Luglio, nutricionista da Sociedade Vegetariana Brasileira.

Segundo dados do Greenpeace, os gases emitidos por bovinos representam 62% do efeito estufa do Brasil. Por conta do desmatamento, a cada ano, entram em média mais de 10 mil espécies em extinção.

Outro número expressivo na causa vegetariana é a movimentação de mercado. Segundo a Euromonitor International, 43,7 bilhões de euros no mundo são movimentados por produtos vegetarianos. Já os veganos são responsáveis por 12,6 bilhões. Grandes marcas como Mc Donalds, Burger King e Lanchonete da Cidade já garantiram suas opções.

E não é apenas a indústria que está saindo ganhando com essa nova onda. O designer Renato Daiguiron, que aderiu ao vegetarianismo há alguns meses, disse que está economizando bastante também. “Achei que ser vegetariano fosse muito mais caro, mas consigo me alimentar bem -cozinhando em casa, claro- com R$70 reais por semana. E sem passar fome!”, explica. No entanto, reconhece que ainda tem algumas recaídas. “O segredo é não bitolar quando quiser comer um bife”, fala.

Flexitarianos

A quantidade de simpatizantes pelas causas vegetarianas cresceu tanto que até um novo nicho se formou: os flexitarianos. Assim como o nome sugere, são pessoas flex: não costumam comer carne, muito menos cozinhar em casa, mas às vezes não resistem a um hambúrguer. “Moro num apartamento muito pequeno e não gosto do cheiro impregnado de carne em casa. Por isso evito comer no dia-a-dia. Mas às vezes gosto de comer um bife ou algo com bacon”, explica o administrador Lucca Yashimoto. Um dos fatores que que incentivou bastante o surgimento dos flexitarianos foi a “Segunda Sem carne”, que nasceu nos EUA em 2003 e já tem mais de 40 países adeptos. O Brasil se tornou o segundo país com maior adesão –inclusive com algumas adeptas.

Das famosas, a atriz Giovanna Lancellotti pode ser considerada uma flexitariana. “Eu reduzo a quantidade de carne, mas quando tenho vontade de comer, como sem peso na consciência. Quando a gente fica muito surtada com comida é que a coisa desanda. Mas que eu me sinto muito mais leve, isso sim”, fala a atriz. Outra flexitariana famosa é a Bruna Marquezine. Ela garante comer carne apenas duas vezes por semana após reeducação alimentar que fez para viver a vilã Catarina em ‘Deus Salve o Rei’. “Fui influenciada pela Yasmin Brunet. Eu acho muito difícil tirar tudo e admiro muito quem consegue, mas quem sabe num futuro?”, fala Bruna.

Foi então que fomos atrás da Yasmin Brunet para ela tentar consolidar, em apenas uma dica, como se tornar vegetariana. “Se a causa animal não te afeta, tenha consciência que seu corpo é seu templo no mundo. Se você come mal, começará se sentir mal, tratar as pessoas ao seu redor mal e o mundo mal. Não vale a pena”, condensou. Dica anotada, Yasmin!